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Nova tarifa dos EUA volta a pesar sobre calçado cearense e inviabiliza operações

Ceará é o estado brasileiro com maior dependência relativa do mercado americano; setor calçadista, sem isenção na nova tarifa, soma US$ 53,44 milhões exportados no acumulado até abril de 2026

De Fortaleza

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~4:12
  1. EUA impõem tarifa de 25% sobre calçados brasileiros
  2. Indústria calçadista cearense é a mais afetada
  3. Tarifa encarece produtos nacionais no mercado americano
  4. Nova tarifa pode reduzir exportações e empregos
  5. Ceará é o maior exportador de calçados do Brasil
Indústria calçadista do Ceará, que lidera as exportações brasileiras do setor, é atingida pela tarifa de 25% dos EUA - Foto: Divulgação
Indústria calçadista do Ceará, que lidera as exportações brasileiras do setor, é atingida pela tarifa de 25% dos EUA – Foto: Divulgação

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos, com vigência a partir de 22 de julho, atingirá diretamente a indústria calçadista brasileira, que ficou fora da lista de exceções. A medida deve encarecer os produtos nacionais no mercado norte-americano, reduzir a competitividade das empresas e pressionar exportações, produção e empregos, com impacto mais forte sobre o Ceará, maior exportador de calçados em volume e estado mais dependente desse mercado.

De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (AbiCalçados), Haroldo Ferreira, a tarifa “inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano”, penalizando “não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos”.

Os Estados Unidos produzem apenas 20 milhões de pares de calçados por ano, o correspondente a 1% do consumo interno, mas consomem mais de 2 bilhões de pares anualmente, o que torna o mercado americano estruturalmente dependente de importações e estratégico para a rentabilidade do setor brasileiro. O preço médio do par de calçado brasileiro vendido nos EUA é de US$ 20,8, mais que o dobro alcançado em outros mercados.

Preço médio do par de calçado brasileiro nos EUA é de US$ 20,8, mais do que o dobro do valor obtido em outros mercados - Foto: Divulgação
Preço médio do par de calçado brasileiro nos EUA é de US$ 20,8, mais do que o dobro do valor obtido em outros mercados – Foto: Divulgação

Entre janeiro e abril de 2026, as fábricas cearenses exportaram 10,68 milhões de pares de calçados, com receita de US$ 53,44 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 21,4% no volume e de 27,3% no faturamento. Apenas em janeiro, foram embarcados 3,7 milhões de pares, somando US$ 17,6 milhões, recuos de 26,4% e 35,7%, respectivamente. Em abril, porém, as exportações cresceram 76% em volume e 5,6% em receita frente ao mesmo mês do ano anterior. Segundo a Abicalçados, o avanço refletiu a antecipação de embarques para os Estados Unidos após o fim da tarifa adicional de 50%, quando os calçados brasileiros passaram a competir com alíquota de 10%.

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Dentro dessa pauta, calçados respondem por 18,7% das exportações do setor ao mercado americano, proporção menor que a de pescados (96%) ou couros e peles (27,2%), mas suficiente para colocar o Ceará em posição de alerta, já que o estado concentra 31,4% das exportações nacionais do setor calçadista, à frente de Rio Grande do Sul e Paraíba.

Karina Frota, gerente do CIN/FIEC, defende aceleração das negociações diplomáticas entre Brasil e EUA - Foto: Divulgação
Karina Frota, gerente do CIN/FIEC, defende aceleração das negociações diplomáticas entre Brasil e EUA – Foto: Divulgação

Para Karina Frota, gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), a nova tarifa impõe cautela no intercâmbio comercial, já que cria desvantagem imediata para os exportadores brasileiros em relação a concorrentes de outras nações.

Para a gerente do CIN/FIEC, “os Estados Unidos permanecem como principal parceiro comercial do Ceará e diante do quadro é indispensável acelerar as negociações diplomáticas entre o governo do Brasil e dos Estados Unidos”.

O que diz a indústria calçadista

Letícia Sperb Masselli, gerente de Relacionamento e Negócios da Abicalçados, defendeu, em audiência pública do USTR em Washington no último dia 7 de julho, que o calçado brasileiro cumpre papel complementar na cadeia de suprimentos americana, ao atender segmentos que exigem maior flexibilidade produtiva e prazos de entrega mais curtos, funcionando como alternativa à concentração do fornecimento na Ásia. Segundo ela, na ocasião, representantes de entidades e importadores americanos, como FDRA, AAFA, USFIA, além da JPT Group LLC Bernardo Footwear e da Dillard’s Inc., também se manifestaram contra a inclusão do calçado brasileiro na medida, sem sucesso.

Diante do novo cenário, a Abicalçados revisou sua projeção de exportações de calçados para 2026: de uma retração média estimada em 3,6%, calculada após a queda da tarifa de 40% em fevereiro, para uma queda projetada de 7,1% ao final do ano, piora de 3,5 pontos percentuais. A entidade afirma que seguirá atuando junto ao Governo Federal e a entidades parceiras nos EUA em busca de alternativas que preservem o fluxo comercial.

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