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Piauí recebe R$ 100 mi do BNDES para processar níquel e cobalto no semiárido

Planta em Capitão Gervásio Oliveira da Piauí Níquel, subsidiária da British Nickel, terá capacidade para 27 mil t de níquel por ano. Operação plena prevista para 2029 mira baterias de veículos elétricos
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  1. BNDES aprova R$ 100 milhões para financiar máquinas e equipamentos da planta piauiense de níquel e cobalto.
  2. Piauí Níquel Metals produzirá 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto anualmente a partir de 2028.
  3. Precipitado de Hidróxido Misto será destinado às cadeias de baterias de veículos elétricos e aços inoxidáveis globalmente.
  4. Tecnologia de lixiviação em pilhas dispensa barragens de rejeitos e reduz impacto ambiental da operação no semiárido.
  5. Projeto posiciona Brasil como fornecedor competitivo de minerais críticos na cadeia global de energia sustentável e transportes.
Planta em Capitão Gervásio Oliveira da Piauí Níquel, subsidiária da British Nickel, terá capacidade para 27 mil t de níquel por ano. Operação plena prevista para 2029 mira baterias de veículos elétricos
Com recursos do BNDES Máquinas e Serviços, a Piauí Níquel Metais S/A vai adquirir máquinas e equipamentos para processar minerais críticos. Operação plena prevista para 2029 mira baterias de veículos elétricos. Foto: Piauí Níquel/Brazilian Nickel/Divulgação

O semiárido do Piauí vai abrigar a primeira planta de processamento de níquel e cobalto de alta pureza do Nordeste, com financiamento de R$ 100 milhões aprovado pelo BNDES nesta segunda-feira (13). A operação da Piauí Níquel Metais S/A em Capitão Gervásio Oliveira, município de cerca de 4 mil habitantes a 490 km de Teresina por rodovia, mira a cadeia global de baterias para veículos elétricos e sistemas de energia sustentável.

O projeto já constava no pipeline de minerais estratégicos mapeado pelo Ministério de Minas e Energia no início de 2026, quando o Guia para Investidores Estrangeiros em Minerais Críticos listou a operação piauiense tanto na categoria níquel quanto na de cobalto. A aprovação do crédito pelo BNDES converte o status do empreendimento de “programado” para financiado: os recursos, oriundos da linha BNDES Máquinas e Serviços, vão custear máquinas, equipamentos, sistemas industriais e bens de automação nacionais, além de equipamentos importados sem similar no mercado interno.

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Cadeia de suprimentos e escala de produção

A planta terá capacidade para processar 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto por ano. O início da produção está previsto para 2028, e a fase operacional plena, para 2029. O produto final é o Precipitado de Hidróxido Misto (MHP), sólido úmido com teor médio entre 48% e 50% de níquel e 2% de cobalto, obtido por purificação e precipitação direta do minério.

O MHP é um intermediário com dois destinos principais: a fabricação de componentes de níquel para baterias de íons de lítio usadas em veículos elétricos e o uso como matéria-prima em aplicações tradicionais do metal, como aços inoxidáveis e ligas especiais. O CEO da Brazilian Nickel, Mark Travers, afirmou que “o mundo precisa, mais do que nunca, diversificar suas cadeias de suprimentos, e o Projeto Piauí Níquel vai posicionar o país como um fornecedor global altamente competitivo e responsável”.

A Piauí Níquel é subsidiária integral da Brazilian Nickel Limited, empresa constituída no Brasil para operar na cadeia de minerais críticos. As negociações com o BNDES foram assessoradas pela Alvarez & Marsal Infra. O plano de negócios da companhia foi um dos selecionados na Chamada Pública para Investimentos em Transformação de Minerais Estratégicos, lançada pelo BNDES e pela Finep em 2025, segundo o presidente do banco, Aloizio Mercadante.

Tecnologia sem barragem de rejeitos

O processo produtivo adotado pela Piauí Níquel é baseado na lixiviação em pilhas, rota tecnológica de baixo carbono que opera com elevada recirculação de água e baixa intensidade energética. A operação dispensa barragens de rejeitos, estrutura associada a desastres ambientais na mineração brasileira, como os de Mariana (2015) e Brumadinho (2019).

A escolha da tecnologia também reduz a geração de resíduos sólidos e as emissões associadas ao processamento do minério. Para o Piauí, o empreendimento adiciona à base produtiva do estado um elo da cadeia de minerais críticos que até então se concentrava na fase de prospecção e mapeamento geológico.

O projeto posiciona Capitão Gervásio Oliveira como polo de processamento mineral no interior do estado, em uma região onde o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) já havia identificado mais de 30 ocorrências preliminares de minerais estratégicos na Bacia do Parnaíba, entre eles terras raras, grafita, cobre, manganês e zinco.

*Com informações do BNDES

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