
O Nordeste deixou de ser apenas um mercado consumidor de produtos financeiros e passou a se consolidar como um ecossistema mais sofisticado, formado por clientes mais informados, profissionais especializados e uma demanda crescente por planejamento patrimonial. O ponto de inflexão veio com a pandemia, e esse movimento projetou Pedro Pessoa no recém-criado Clube do Bilhão da XP, que reúne assessores responsáveis por carteiras de investimentos sob custódia que somam essa cifra.
Pedro Pessoa é fundador da Pequod Investimentos, assessoria credenciada à XP, que tem R$ 4,5 bilhões sob custódia. Desse total, R$ 1 bilhão está sob responsabilidade de Pessoa. “Esse clube não reúne empresas gestoras, mas o assessor individual”, explica.
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O reconhecimento ocorre em meio ao avanço do mercado brasileiro de investimentos para pessoas físicas. Em 2025, o volume aplicado por investidores no país chegou a R$ 8,5 trilhões, alta de 15,5% em relação a dezembro de 2024, segundo a ANBIMA. O segmento private, voltado a clientes com mais de R$ 5 milhões investidos, encerrou o ano com R$ 2,63 trilhões, crescimento de 14,9%.
No Nordeste, os investimentos de pessoas físicas somaram R$ 790,3 bilhões em 2025, alta de 15,6%, o que colocou a região como o terceiro maior mercado do país em volume aplicado, atrás do Sudeste e do Sul. Para a ANBIMA, Norte e Nordeste ainda têm estoques menores, mas vêm ampliando sua participação em diversos produtos financeiros.
Na avaliação de Pedro Pessoa, a pandemia marcou um ponto de virada no comportamento do investidor nordestino. A queda dos preços dos ativos em 2020 e a maior percepção de risco levaram clientes de alta renda a discutir com mais frequência diversificação, proteção patrimonial e exposição internacional. “Hoje em dia, a gente não faz nenhuma carteira que não tenha uma parte alocada em ativos internacionais”, afirmou.
Segundo ele, clientes com patrimônio a partir de R$ 1 milhão já costumam separar uma parcela da carteira para ativos dolarizados. A preferência ainda se concentra majoritariamente nos Estados Unidos, sobretudo em ações de tecnologia, impulsionadas pelo ciclo de inteligência artificial. Na renda fixa internacional, diz Pessoa, investidores buscam inclusive títulos emitidos em dólar por empresas brasileiras conhecidas, como Banco do Brasil e Petrobras, como forma de dolarizar a carteira com nomes familiares.
Quem se destaca no Nordeste
Entre os estados nordestinos, Pernambuco e Ceará se destacam, segundo o executivo, por terem ecossistemas empresariais menos dependentes do mercado público. No Ceará, ele cita tecnologia e indústria de alimentos. Em Pernambuco, aponta o setor de serviços e o ambiente criado pelo Porto Digital, com empresas de tecnologia que vendem participações a fundos de private equity, realizam grandes operações e geram nova liquidez para empreendedores locais.
O perfil predominante dos clientes atendidos pela Pequod é o de empresários e empreendedores, na maioria homens entre 45 e 55 anos, que ainda mantêm participação ativa em seus negócios. Mesmo entre herdeiros, afirma Pessoa, há presença relevante de empreendedores.
Aos 41 anos, Pedro Pessoa conta que construiu carreira em bancos. Formado em Administração pela Universidade de Pernambuco e com MBA em Finanças pelo Ibmec, começou como trainee no Itaú, ingressou no BTG Pactual em 2008, tornou-se sócio da instituição e, em 2019, vendeu suas ações para fundar a Pequod no mesmo ano. A casa foi criada com a proposta de oferecer, a partir do Nordeste, uma assessoria patrimonial com padrão técnico comparável ao das grandes praças financeiras do país.
O Clube do Trilhão coloca a Pequod à frente de concorrentes mais antigos na região. Pedro atribui esse sucesso menos à atuação individual e mais à equipe formada ao longo dos últimos anos. Segundo ele, o escritório reuniu profissionais especializados em renda variável, câmbio, seguros e produtos financeiros, com padrão técnico equivalente ao de assessorias de São Paulo e da Região Sul. Em 2025, a Pequod foi eleita a melhor assessoria de investimentos do país no Brazil Advisor Awards, premiação da rede de escritórios parceiros da XP.
A expansão também acompanha o crescimento da profissão de assessor fora do eixo tradicional. Segundo a ANCORD, o Brasil fechou o primeiro quadrimestre de 2025 com 27.275 assessores credenciados. O Nordeste respondia por 7,3% do total, enquanto o Sudeste ainda concentrava 61,9% dos profissionais.
Para os próximos anos, a Pequod planeja contratar cerca de 150 pessoas, majoritariamente para a área comercial, e reforçar sua presença em mercados onde já atua. Além de Recife, Fortaleza, Maceió e Caruaru, a empresa mira o adensamento de sua atuação no interior de Pernambuco e da Paraíba. Brasília também aparece no radar, diante de uma carteira considerada relevante na capital federal. “Trabalhos com pessoas que gostam de pessoas. Temos ajudado a promover muitos casos de transição de carreira”, ressalta.
A companhia também avançou para a área de corporate advisory, com atuação em fusões e aquisições, captações e emissões de dívida para empresas do Norte e do Nordeste. A divisão, anunciada no fim de 2025, mira empresas com faturamento entre R$ 30 milhões e R$ 2 bilhões e reforça a estratégia de capturar o ciclo de crescimento de companhias regionais.
Apesar do avanço da tecnologia no setor financeiro, Pessoa vê o relacionamento como peça central da assessoria patrimonial. Para ele, decisões sobre patrimônio, sucessão e diversificação exigem proximidade e conhecimento da história de cada cliente. “Eu falo que nosso país é o Nordeste”, resume. “Majoritariamente, nossos clientes são do Nordeste, e nosso plano de expansão é adensar as praças onde já atuamos.”
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