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Aço para rodas: ArcelorMittal mira indústria automotiva com projeto no Pecém

Com investimento de R$ 35 milhões, a ArcelorMittal amplia gradualmente sua complexidade produtiva: o portfólio atual reúne mais de 550 tipos de aço ao carbono e 222 tipos de aço de alto valor agregado, o equivalente a 42% da produção. 

De Fortaleza

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~6:30
  1. ArcelorMittal investe R$ 35 milhões em estudos de engenharia para nova linha de produção no Pecém.
  2. Projeto visa fabricar bobinas laminadas a quente, insumo direto para indústria automotiva cearense em expansão.
  3. Novo portfólio permitirá produção de rodas, telhas, estruturas metálicas e componentes navais mantendo capacidade anual.
  4. Aprovação final depende de conclusão de estudos técnicos e aval do Conselho de Administração da empresa.
  5. Iniciativa promete três mil empregos e configuração produtiva inédita na América Latina em eficiência energética.
Unidade da ArcelorMittal em São Gonçalo do Amarante (CE): planta hoje produz apenas placas de aço e pode passar a fabricar também bobinas laminadas a quente - Foto: Divulgação
Unidade da ArcelorMittal em São Gonçalo do Amarante (CE): planta hoje produz apenas placas de aço e pode passar a fabricar também bobinas laminadas a quente – Foto: Divulgação

A ArcelorMittal planeja uma nova linha de produção na sua unidade do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE). A empresa vai produzir bobinas a quente, material hoje inexistente no portfólio da planta, que se dedica exclusivamente à fabricação de placas de aço semiacabadas. A bobina a quente é insumo direto para a fabricação de rodas, telhas, estruturas metálicas da construção civil, silos, guard rails e componentes navais e, no caso do Ceará, ganha relevância estratégica por coincidir com a instalação do polo automotivo do Estado, situado em Horizonte. Lá estão a produção do Chevrolet Captiva EV e o desembarque da MG Motor. A nova linha faz parte do investimento de R$ 35 milhões, anunciados no último dia 03.

Se aprovado nas etapas seguintes, o projeto vai permitir que a unidade cearense produza, além das placas, bobinas de aço laminado, mantendo a capacidade nominal de 3 milhões de toneladas de aço por ano. O portfólio atual reúne mais de 550 tipos de aço ao carbono e 222 tipos de aço de alto valor agregado, o equivalente a 42% da produção. 

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“O Ceará terá produção de bombina laminada quente. É algo muito importante para o desenvolvimento da indústria do Ceará. Serão em torno de três mil empregos para construir essa nova etapa da ArcelorMittal no Ceará. É histórico para a economia do Ceará. É a produção para o mercado interno, para a indústria que sonhamos para o Ceará”, disse o governador Elmano de Freitas.

Engenharia antes da construção

O investimento de R$ 35 milhões não garante, por si só, a construção da nova linha. Segundo a ArcelorMittal, o avanço para a fase seguinte está condicionado à conclusão satisfatória dos estudos de engenharia e a processos adicionais de aprovação interna, incluindo o aval do Conselho de Administração do grupo. Na prática, o valor aprovado agora financia o detalhamento técnico do projeto, não as obras em si.

A empresa descreve a iniciativa como inédita na América Latina em termos de configuração produtiva, com estudos em curso para um equipamento que tornaria o processo mais compacto e energeticamente mais eficiente do que as linhas convencionais de laminação a quente.

“A ArcelorMittal está muito feliz com a oportunidade da aprovação da primeira fase deste projeto. Surge com inovação, único na América Latina, estamos estudando a possibilidade de trazer um equipamento bem diferenciado, avançando nas fases da realização dessa laminação no Ceará”, afirmou o CEO da ArcelorMittal Pecém, Erick Torres.

Processo de produção de aço na ArcelorMittal Pecém: unidade responde por 9,5% de todo o aço bruto fabricado no Brasil - Foto: Divulgação
Processo de produção de aço na ArcelorMittal Pecém: unidade responde por 9,5% de todo o aço bruto fabricado no Brasil – Foto: Divulgação

Uma peça a mais na cadeia automotiva

A eventual entrada da ArcelorMittal na produção de bobinas a quente ocorre num momento em que o Ceará tenta consolidar uma cadeia automotiva local. Rodas, um dos usos diretos do material citados pela própria empresa, através das bobinas, são componente crítico para montadoras que já operam ou anunciaram planos no Estado. Hoje, esse tipo de insumo é majoritariamente importado de outras regiões do país ou do exterior, o que encarece a logística e expõe a cadeia produtiva a gargalos de transporte, sobretudo rodoviário.

Ainda não há, por ora, contratos ou memorandos que vinculem formalmente a futura produção de bobinas do Pecém às fábricas automotivas de Horizonte, o anúncio da ArcelorMittal trata de capacidade instalada, não de fornecimento assegurado. Mas a proximidade geográfica entre a siderúrgica e o polo automotivo é um fator que analistas do setor industrial cearense têm observado como potencial elo de uma cadeia produtiva mais integrada, com menor dependência de insumos vindos de outros estados.

Complexo Industrial e Portuário do Pecém: ArcelorMittal ocupa área estratégica ao lado do polo automotivo em formação no Ceará - Foto: Divulgação
Complexo Industrial e Portuário do Pecém: ArcelorMittal ocupa área estratégica ao lado do polo automotivo em formação no Ceará – Foto: Divulgação

Dez anos de placas de aço e uma década de expansão

O anúncio da fase 1 do projeto de bobinas ocorre poucas semanas depois de a unidade completar dez anos de operação, contados a partir do acendimento do Alto-Forno, em junho de 2016. No período, a planta produziu mais de 27 milhões de toneladas de placas de aço, exportadas para mais de 20 países, e atingiu, em 2023, a marca de 3 milhões de toneladas de capacidade instalada por ano, patamar mantido nos anos seguintes.

A unidade emprega hoje quase 6 mil pessoas diretamente e responde por 9,5% de todo o aço bruto produzido no Brasil, o que posiciona o Ceará como quarto maior produtor de aço do país. Em março de 2023, a planta foi incorporada à operação nacional da ArcelorMittal, presente em oito estados brasileiros.

“Desde o início, tivemos a convicção de que a unidade do Pecém tinha grande potencial de geração de valor para o Grupo. A integração com as demais operações se mostrou assertiva, com alinhamento de práticas e aprendizado contínuo entre as equipes”, afirmou o presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos LATAM, Jorge Oliveira.

Bobina de aço laminado a quente: material é insumo para rodas, telhas, estruturas metálicas e guard rails - Foto: IA
Bobina de aço laminado a quente: material é insumo para rodas, telhas, estruturas metálicas e guard rails – Foto: IA

O peso do aço na balança comercial cearense

Os números de exportação ajudam a dimensionar o papel da siderúrgica na economia local. Segundo levantamento do Observatório da Indústria Ceará, ligado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), São Gonçalo do Amarante, sede da planta, consolidou-se como a principal plataforma exportadora do Estado: em 2025, o município exportou US$ 1,214 bilhão, o equivalente a 53,1% de tudo que o Ceará vendeu ao exterior no ano.

No mesmo levantamento, as exportações industriais cearenses saltaram de US$ 1,04 bilhão em 2015 para US$ 2,28 bilhões em 2025, mais que o dobro em uma década, com parte expressiva do avanço associada diretamente à produção de aço. O PIB de São Gonçalo do Amarante também mais que dobrou entre 2015 e 2023, enquanto o número de empregos formais no município cresceu 70,5% no período, passando de 11.094 postos em 2016 para 18.922 em 2025.

“A siderúrgica tornou-se, ao longo da última década, um dos mais importantes marcos da industrialização moderna do Ceará, fortalecendo cadeias produtivas, gerando empregos qualificados e ampliando a presença do Ceará nos mercados nacional e internacional”, avaliou o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante.

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