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Setor de chocolate movimenta R$ 42,5 bilhões e impulsiona economia nacional

No Dia Mundial do Chocolate, dados apontam expansão do mercado interno, avanço nas exportações e alta na geração de empregos temporários
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  1. Mercado de chocolate brasileiro movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025, consolidando força no setor de alimentos.
  2. Brasil reúne todas as etapas produtivas, desde produção de cacau até fabricação final do chocolate.
  3. Produção nacional atingiu 814 mil toneladas em 2025, superando volume de 2024 com expectativa de crescimento.
  4. Consumo per capita brasileiro é 4 kg anuais, com potencial de expansão comparado a mercados internacionais.
  5. Brasil exportou 37,8 mil toneladas de chocolate em 2025, gerando receita de US$ 210,2 milhões.
chocolate
O Brasil se destaca globalmente por ser um dos poucos países que reúnem todas as etapas produtivas do setor, englobando desde os produtores de cacau e a indústria moageira até os fabricantes do produto final. Foto: Image by alyerika from Pixabay

​O mercado brasileiro de chocolate movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025, consolidando o produto como um dos principais motores econômicos do setor de alimentos no país. O balanço financeiro, apurado pela Kantar/Ibope, reflete a força da cadeia produtiva nacional no Dia Mundial do Chocolate, celebrado nesta terça-feira (7). O desempenho foi impulsionado pelo segmento de chocolates finos, pela inovação constante e pelo aumento da demanda dos consumidores fora do período tradicional da Páscoa.

​O Brasil se destaca globalmente por ser um dos poucos países que reúnem todas as etapas produtivas do setor, englobando desde os produtores de cacau e a indústria moageira até os fabricantes do produto final.

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Essa estrutura integrada deu suporte para que a fabricação nacional atingisse 814 mil toneladas no ano passado, superando as 805 mil toneladas registradas em 2024. A expectativa é de que o volume siga em trajetória de crescimento ao longo de 2026.

​Potencial de consumo e capilaridade logística

​O consumo per capita anual no Brasil é de quase quatro quilos (kg). Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Jaime Recena, há um amplo espaço para expansão no mercado doméstico quando comparado aos índices de outras regiões.

“O Brasil tem totais condições de aumentar esse consumo”, afirmou Recena, apontando que os mercados norte-americano e europeu registram uma média de 9 kg a 10 kg por habitante ao ano.

​Para atender a essa demanda em um país de dimensões continentais, o setor estruturou uma malha de distribuição capaz de alcançar todos os municípios. A maior parte da produção atual é direcionada ao abastecimento do mercado local.

“Mesmo nas menores cidades brasileiras, há sempre um mercadinho vendendo o chocolate nacional”, destacou o presidente da Abicab, ressaltando a capilaridade comercial do produto.

​Exportações e novos mercados internacionais

No comércio exterior, as indústrias brasileiras enviaram 37,8 mil toneladas de chocolate para o exterior em 2025, gerando uma receita de US$ 210,2 milhões em negócios que envolveram aproximadamente 168 países. No mesmo período, as importações somaram 19,8 mil toneladas, totalizando US$ 227 milhões.

Já no primeiro trimestre de 2026, as exportações do doce alcançaram 7,7 mil toneladas (US$ 47 milhão), enquanto as importações ficaram em 4,7 mil toneladas (US$ 57 milhões), gerando um saldo de três mil toneladas na balança comercial do produto.

​A matéria-prima também registra forte movimentação financeira internacional. No ano passado, as exportações de cacau renderam US$ 603,1 milhões com o embarque de 53,5 mil toneladas, enquanto as importações somaram 93,7 mil toneladas, totalizando US$ 699,2 milhões.

arte chocolate

No primeiro trimestre de 2026, o país exportou 12,7 mil toneladas de cacau (US$ 108,4 milhões) e importou 32,9 mil toneladas (US$ 209,1 milhões). Os principais compradores do chocolate brasileiro estão na América Latina, mas o setor mira o mercado europeu após o acordo Mercosul-União Europeia e expande vendas para o mercado árabe.

​Geração de empregos e inovação industrial

A relevância econômica do chocolate também se reflete no mercado de trabalho, com a geração de cerca de 450 mil postos de emprego pelas indústrias associadas à Abicab, entidade que representa 96% dos principais fabricantes do doce no país.

A Páscoa se consolida como o período de maior contratação, registrando uma taxa de empregabilidade de 30% para os trabalhadores temporários. Na Páscoa de 2026, o número de vagas temporárias subiu para 14.558 postos, superando as 9.946 vagas abertas no mesmo período do ano anterior.

​O período festivo funciona ainda como o principal motor de inovação e renovação do portfólio das indústrias. “A Páscoa é um momento de oportunidade e nossa principal ocasião de consumo. É uma ocasião não só de empregos temporários, mas de lançamento de novidades pelo setor”, avaliou Jaime Recena, informando que mais de 130 novos produtos foram lançados na Páscoa de 2026 para atrair o comprador.

​Agricultura familiar e agregação de valor

Na base da produção, a agricultura familiar tem buscado estratégias para agregar valor financeiro e escapar da oscilação de preços das commodities. Na safra 2024/2025, a Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba) comercializou 80 mil toneladas de cacau por R$ 1.100 a arroba.

Atualmente, o preço pago pela indústria está em R$ 330 a arroba, e os produtores aguardam a safra de setembro na expectativa de uma reação do mercado. “O mercado está flutuante”, explicou o diretor financeiro da Coopfesba, Osaná Crisóstomo, apontando que o preço depende do comportamento do tempo e das chuvas.

​Como alternativa de renda, a cooperativa fundou em 2010 a Bahia Cacau, pioneira como fábrica de chocolate da agricultura familiar no país, localizada em Ibicaraí, no sul da Bahia. A unidade produz chocolates com teor de cacau entre 35% e 70%, utilizando misturas com frutas locais como o cupuaçu.

O projeto atende assentamentos rurais, colabora com a preservação da Mata Atlântica e expandiu suas vendas para estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e, no ano passado, iniciou exportações com o envio da primeira remessa de chocolates para Portugal.

​Nova legislação e rotulagem do cacau

Os produtores de cacau e fabricantes de chocolate contam agora com um novo mecanismo de proteção jurídica no mercado nacional. Foi sancionada em maio a Lei 15.404/2026, que estabelece regras estritas sobre as definições, características e o percentual mínimo de cacau que deve estar presente nos chocolates comercializados no Brasil, além de exigir a informação clara desse índice nos rótulos.

A nova legislação é aplicável a produtos nacionais e importados, abrangendo os diferentes elos da cadeia de comercialização. A medida entrará em vigor oficialmente em 7 de maio de 2027, trazendo maior transparência para as relações de consumo e valorização da matéria-prima nacional.

Com informações da Agência Brasil.

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