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Ataque a navios no Estreito de Ormuz eleva tensão após morte de Ali Khamenei

​Dois navios-tanque foram atingidos na rota marítima, enquanto o Irã descarta negociar a paz se o governo dos Estados Unidos mantiver as ameaças
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  1. Dois navios-tanque sofrem ataques por drones no Estreito de Ormuz, rota crucial para transporte de energia global.
  2. Irã rejeita negociações de paz enquanto Donald Trump não cessar ameaças de retomar ações militares na região.
  3. Navio catariano perde capacidade de navegação após incêndio em sala de máquinas provocado por ataque aéreo.
  4. Conflito estende-se por mais de quatro meses desde ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra Irã.
  5. Irã busca consolidar controle do Estreito de Ormuz e implementar sistema permanente de cobrança de taxas de navegação.
Estreito de Ormuz
O conflito na região se estende por mais de quatro meses, período iniciado quando as forças armadas dos Estados Unidos e de Israel lançaram uma ofensiva militar. Foto: RRS/Fotos Publicas

Dois navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz, a rota de transporte de energia mais importante do mundo, agravando a crise internacional na região. Após o incidente, o governo do Irã declarou publicamente que não participará de nenhuma negociação de paz caso o presidente norte-americano, Donald Trump, não cesse as repetidas ameaças de retomar as ações de guerra. Os ataques ocorrem em meio a protestos e comoções populares no território iraniano.

​O navio de gás natural liquefeito Al Rekayyat, de bandeira do Catar, relatou ter sido atingido por um drone durante a madrugada no lado de bombordo, o que provocou um incêndio na sala de máquinas e deixou o ambiente tomado por fumaça.

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De acordo com fontes de segurança marítima, um navio-tanque de petróleo bruto pertencente à Arábia Saudita também sofreu danos na mesma região. Toda a tripulação da embarcação catariana foi declarada em segurança.

​O capitão do Al Rekayyat emitiu um pedido de socorro via rádio informando que a embarcação perdeu totalmente a capacidade de navegação, ficando sem motores e sem direção.

O comandante solicitou o auxílio imediato de qualquer navio que estivesse operando na área do Estreito de Ormuz. Até o momento, nenhum grupo ou nação assumiu formalmente a responsabilidade pela execução dos ataques contra as estruturas marítimas.

​Falta de posicionamento oficial e escalada de conflito

O portal de notícias norte-americano Axios publicou que os disparos contra os dois navios-tanque foram efetuados pelas forças militares do Irã. No entanto, as autoridades governamentais de Washington e de Teerã optaram por não comentar diretamente as informações divulgadas pela imprensa internacional. Os incidentes são os primeiros registrados na rota desde o início do período de luto nacional decretado pela liderança iraniana.

​O conflito na região se estende por mais de quatro meses, período iniciado quando as forças armadas dos Estados Unidos e de Israel lançaram uma ofensiva militar. O argumento compartilhado pelas duas nações ocidentais era o de que a operação neutralizaria a capacidade do governo do Irã de ameaçar a segurança e a soberania dos países vizinhos. Os novos ataques no estreito reforçam o impasse sobre as garantias de livre navegação comercial no Golfo.

​Disputa pelo controle marítimo e taxas em Ormuz

Os líderes clericais que comandam o Irã vêm buscando consolidar o controle operacional sobre o Estreito de Ormuz. Os planos políticos de Teerã envolvem a instalação de um sistema permanente de cobrança de taxas de navegação na rota. A medida, se implementada, representará uma alteração profunda na geopolítica local, afetando a histórica atuação de Washington como o garantidor da segurança na região há gerações.

​Internamente, os governantes iranianos demonstraram a manutenção de seu controle político durante a mobilização para as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei. O líder supremo do país foi morto no primeiro dia das ações militares, em um ataque que também vitimou sua filha, sua neta, seu genro e sua nora. O evento marcou o início das hostilidades diretas entre os países envolvidos no atual cenário de guerra regional.

​Protestos no funeral de Ali Khamenei reúnem multidões

Os caixões com os corpos do líder assassinado e de seus familiares foram conduzidos pelas ruas da cidade de Qom nesta terça-feira (7). O cortejo atraiu centenas de milhares de pessoas que carregavam bandeiras e faixas comparando a trajetória de Khamenei com os mártires tradicionais da vertente religiosa xiita. A população presente nos atos públicos protestou contra as ações do governo dos Estados Unidos.

​A multidão que acompanhava a cerimônia entoou gritos pedindo vingança pela morte do líder clerical e de seus parentes. Diversos manifestantes exibiam cartazes contendo mensagens explícitas de ameaça e pedidos de morte direcionados a Donald Trump. Um cortejo de proporções semelhantes tomou as vias públicas da capital, Teerã, na segunda-feira (6), após a realização de orações solenes iniciadas na última sexta-feira (3).

​Os eventos em homenagem a Khamenei contaram com a participação de membros da alta cúpula política do Irã e de autoridades diplomáticas vindas do exterior. De acordo com informações fornecidas pelo governo iraniano, os restos mortais do líder ainda serão transportados para cidades consideradas sagradas para o islamismo xiita no Iraque. Posteriormente, os corpos retornarão ao Irã para o sepultamento definitivo em um santuário medieval.

Leia também: Nordeste ganha protagonismo em política nacional de cabo submarino

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