
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) apresentam, na próxima terça-feira (7), um estudo técnico sobre o trecho Salgueiro–Porto de Suape da Ferrovia Transnordestina na sede da entidade, no Bairro de Santo Amaro, às 10h. O documento levantou informações como a demanda do mercado doméstico, questões socioeconômicas, os efeitos multiplicadores e a inclusão produtiva que pode ocorrer como consequência da implantação desta ferrovia em Pernambuco. É mais uma tentativa das instituições de convencer o Tribunal de Contas da União (TCU) de que o empreendimento é economicamente viável. Em maio último, o TCU emitiu um decisão recomendando que a União não repassasse recursos federais para a implantação do trecho Salgueiro-Suape.
A recomendação ocorreu alguns dias antes da Infra S.A. homologar uma licitação que ia retomar as obras do trecho Salgueiro-Suape em 73 km entre Custódia e Arcoverde. Depois disso, a empresa que venceu a licitação não teve o contrato assinado e até hoje a retomada das obras ficou em compasso de espera. A implantação deste trecho é fundamental para dar competitividade a logística de Pernambuco e estados vizinhos.
O estudo levanta as informações relativas à futura implantação do empreendimento como a demanda do mercado doméstico, questões socioeconômicas, efeitos multiplicadores, inclusão produtiva e uma proposta de governança para apoiar a coordenação entre os órgãos envolvidos no projeto com o objetivo de colaborar para uma implantação mais rápida da ferrovia. O levantamento também traz dados sobre o impacto social que a implantação do trecho deverá gerar em Pernambuco e estados vizinhos.
Novela sem fim da Transnordestina em PE
As obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco se transforam numa novela sem fim. Iniciadas em 2006, a construção está totalmente paralisada pelo menos desde 2016. Com uma extensão de 544 km, somente 179 km foram concluídos. No projeto original, a Transnordestina começava na cidade de Eliseu Martins, no Sul do Piauí, seguia até Salgueiro e depois se dividia em dois ramais: um seguindo para o Porto de Suape e o outro, para o Porto de Pecém. Ambos os trechos foram paralisados por volta de 2013.
A empresa que iniciou as obras foi a TLSA, do grupo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em 2022, a empresa informou ao governo federal que não tinha interesse em concluir o trecho Salgueiro-Suape e devolveu o mesmo para o governo federal, dono da concessão. Daí em diante, começou outra grande novela. A TLSA deu prioridade ao Ceará porque tem negócios naquele estado.
Atualmente, o trecho Salgueiro-Suape está sob a responsabilidade da estatal Infra S.A. que lançou uma licitação, em outubro do ano passado, para a retomada das obras, declarando uma empresa vencedora em maio. No entanto, por causa da recomendação do TCU até hoje o contrato não foi assinado e não há data para o início da retomada das obras.
Já o trecho cearense (Eliseu Martins-Salgueiro-Pecém) tem 1206 km e teve suas obras retomadas no final de 2023. A previsão é de conclusão desta parte da ferrovia em 2027. Com o avanço das obras já foram anunciados vários empreendimentos no interior do Ceará nos municípios por onde vão passar os trilhos, como fábrica de autopeças, um nova unidade da Masterboi, um porto seco, entre outros.
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