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Leilão de 2027 será o primeiro grande teste do hidrogênio verde para o Nordeste

O desafio da região será sair da vitrine dos anúncios dos projetos de hidrogênio verde e entrar na fase economicamente viável

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~4:26
  1. Leilão previsto para 2028 reduzirá diferença de custo entre hidrogênio verde e combustíveis fósseis tradicionais.
  2. Governo disponibiliza R$ 1,7 bilhão em créditos fiscais para 2028, aumentando progressivamente até R$ 5 bilhões em 2032.
  3. Nordeste concentra potencial renovável e projetos em Ceará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte dependem de regulamentação clara.
  4. Programa busca criar demanda interna em setores como fertilizantes, siderurgia, cimento, química, petroquímica e transporte pesado.
  5. Leilão 2027 será teste de credibilidade para transformar promessas de hidrogênio verde em política de mercado viável economicamente.
MME anuncia decreto que regulamenta hidrogênio de baixa emissão de carbono
Hidrogênio verde /Foto: Divulgação

O governo federal vem preparando o primeiro leilão do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, o PHBC, que deve ocorrer entre o fim de 2026 e janeiro de 2027.

Com esse certame, o governo pretende reduzir a diferença de custo entre o hidrogênio de baixo carbono e os combustíveis ou insumos fósseis que ele poderá substituir. A lei permite que o crédito fiscal cubra até 100% dessa diferença, conforme regulamentação. O benefício também poderá ser maior para projetos com menor intensidade de emissões de gases de efeito estufa.

O leilão deve mobilizar até R$ 1,7 bilhão, valor correspondente ao limite de créditos fiscais previsto para 2028. Depois, os limites anuais devem subir para R$ 2,9 bilhões em 2029, R$ 4,2 bilhões em 2030, R$ 4,5 bilhões em 2031 e R$ 5 bilhões em 2032.

O mecanismo de distribuição dos créditos fiscais previstos na Lei nº 14.990/2024, que instituiu o PHBC, será definido por procedimento concorrencial. O programa autoriza até R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais entre 2028 e 2032 para estimular a produção e o consumo de hidrogênio de baixa emissão de carbono e derivados no Brasil. O desenho legal prevê que os benefícios sejam concedidos por disputa entre projetos, nos termos da regulamentação.

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Com esse leilão, o governo busca criar demanda interna em setores de difícil descarbonização, como fertilizantes, siderurgia, cimento, química, petroquímica e transporte pesado. Esse ponto é importante para o Nordeste, porque projetos portuários e industriais em estados como Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí dependem não só de energia renovável barata, mas também de segurança regulatória, infraestrutura e compradores de longo prazo.

Há ainda uma etapa pendente: a regulamentação. O Ministério de Minas e Energia informa que o marco legal inclui o Rehidro, voltado a incentivos para a cadeia produtiva, e o PHBC, que trata dos créditos fiscais aplicados à comercialização do hidrogênio de baixa emissão produzido no país. A consulta pública no Participa + Brasil também reforça que a concessão dos créditos dependerá de critérios e de procedimento concorrencial definidos em regulamento.

O Brasil começa a transformar a promessa do hidrogênio verde em política de mercado, mas o leilão de 2027 será um teste de credibilidade. Sem regras claras, demanda contratada, infraestrutura portuária, conexão elétrica e financiamento competitivo, muitos memorandos de intenção podem continuar no papel. Para o Nordeste, que concentra grande parte do potencial renovável do país, o desafio será sair da vitrine dos anúncios e entrar na fase dos projetos economicamente viáveis.

Olhar para o futuro

A Fiepe prepara uma iniciativa que vai combinar cursos e rede de relacionamento para aproximar a indústria de temas como inteligência artificial e hiperautomação. A proposta é reunir executivos, empresas e especialistas para discutir problemas reais e construir soluções aplicáveis ao setor produtivo. A abertura deve contar com a participação de um professor dinamarquês ligado à área de inovação. O primeiro grupo será voltado à automação e à inteligência artificial, com presença de empresas que já avançam nessa agenda. A ideia é criar um ambiente contínuo de capacitação, troca de experiências e aceleração da inovação industrial.

El Niño

Quando não é uma coisa, é outra. Agora é o El Niño que faz pressão sobre a inflação, levando o Santander a reduzir a expectativa de cortes na taxa básica de juros. Mesmo com o alívio sobre o petróleo e seu reflexo sobre a economia, o banco elevou a projeção para a taxa básica de juros no fim deste ano de 13,25% para 13,75%. Para 2027, a estimativa passou de 12,50% para 12,75%. A revisão ocorreu apesar da redução na previsão para o IPCA deste ano, de 5,2% para 5,0%. Para o banco, riscos ligados ao câmbio, ao mercado de trabalho e aos efeitos do El Niño sobre os alimentos ainda limitam o espaço para queda dos juros.

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