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Leilão de 2027 será o primeiro grande teste do hidrogênio verde para o Nordeste

O desafio da região será sair da vitrine dos anúncios dos projetos de hidrogênio verde e entrar na fase economicamente viável

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~4:23
  1. Governo federal realizará primeiro leilão do programa de hidrogênio verde entre fim de 2026 e janeiro de 2027.
  2. Crédito fiscal pode cobrir até 100% da diferença de custo entre hidrogênio verde e combustíveis fósseis, conforme regulamentação.
  3. Leilão mobilizará R$ 1,7 bilhão em 2028, com aumentos progressivos até R$ 5 bilhões em 2032.
  4. Nordeste depende de energia renovável, infraestrutura portuária, segurança regulatória e compradores de longo prazo para viabilizar projetos.
  5. Sucesso do leilão 2027 dependerá de regulamentação clara, demanda contratada e financiamento competitivo para sair de anúncios.
MME anuncia decreto que regulamenta hidrogênio de baixa emissão de carbono
Hidrogênio verde /Foto: Divulgação

O governo federal vem preparando o primeiro leilão do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, o PHBC, que deve ocorrer entre o fim de 2026 e janeiro de 2027.

Com esse certame, o governo pretende reduzir a diferença de custo entre o hidrogênio de baixo carbono e os combustíveis ou insumos fósseis que ele poderá substituir. A lei permite que o crédito fiscal cubra até 100% dessa diferença, conforme regulamentação. O benefício também poderá ser maior para projetos com menor intensidade de emissões de gases de efeito estufa.

O leilão deve mobilizar até R$ 1,7 bilhão, valor correspondente ao limite de créditos fiscais previsto para 2028. Depois, os limites anuais devem subir para R$ 2,9 bilhões em 2029, R$ 4,2 bilhões em 2030, R$ 4,5 bilhões em 2031 e R$ 5 bilhões em 2032.

O mecanismo de distribuição dos créditos fiscais previstos na Lei nº 14.990/2024, que instituiu o PHBC, será definido por procedimento concorrencial. O programa autoriza até R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais entre 2028 e 2032 para estimular a produção e o consumo de hidrogênio de baixa emissão de carbono e derivados no Brasil. O desenho legal prevê que os benefícios sejam concedidos por disputa entre projetos, nos termos da regulamentação.

Com esse leilão, o governo busca criar demanda interna em setores de difícil descarbonização, como fertilizantes, siderurgia, cimento, química, petroquímica e transporte pesado. Esse ponto é importante para o Nordeste, porque projetos portuários e industriais em estados como Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí dependem não só de energia renovável barata, mas também de segurança regulatória, infraestrutura e compradores de longo prazo.

Há ainda uma etapa pendente: a regulamentação. O Ministério de Minas e Energia informa que o marco legal inclui o Rehidro, voltado a incentivos para a cadeia produtiva, e o PHBC, que trata dos créditos fiscais aplicados à comercialização do hidrogênio de baixa emissão produzido no país. A consulta pública no Participa + Brasil também reforça que a concessão dos créditos dependerá de critérios e de procedimento concorrencial definidos em regulamento.

O Brasil começa a transformar a promessa do hidrogênio verde em política de mercado, mas o leilão de 2027 será um teste de credibilidade. Sem regras claras, demanda contratada, infraestrutura portuária, conexão elétrica e financiamento competitivo, muitos memorandos de intenção podem continuar no papel. Para o Nordeste, que concentra grande parte do potencial renovável do país, o desafio será sair da vitrine dos anúncios e entrar na fase dos projetos economicamente viáveis.

Olhar para o futuro

A Fiepe prepara uma iniciativa que vai combinar cursos e rede de relacionamento para aproximar a indústria de temas como inteligência artificial e hiperautomação. A proposta é reunir executivos, empresas e especialistas para discutir problemas reais e construir soluções aplicáveis ao setor produtivo. A abertura deve contar com a participação de um professor dinamarquês ligado à área de inovação. O primeiro grupo será voltado à automação e à inteligência artificial, com presença de empresas que já avançam nessa agenda. A ideia é criar um ambiente contínuo de capacitação, troca de experiências e aceleração da inovação industrial.

El Niño

Quando não é uma coisa, é outra. Agora é o El Niño que faz pressão sobre a inflação, levando o Santander a reduzir a expectativa de cortes na taxa básica de juros. Mesmo com o alívio sobre o petróleo e seu reflexo sobre a economia, o banco elevou a projeção para a taxa básica de juros no fim deste ano de 13,25% para 13,75%. Para 2027, a estimativa passou de 12,50% para 12,75%. A revisão ocorreu apesar da redução na previsão para o IPCA deste ano, de 5,2% para 5,0%. Para o banco, riscos ligados ao câmbio, ao mercado de trabalho e aos efeitos do El Niño sobre os alimentos ainda limitam o espaço para queda dos juros.

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