
O Piauí inaugurou as operações no comércio internacional com o início das atividades do Porto Piauí, em Luís Correia, encerrando um período de 116 anos de espera por estrutura própria de exportação de cargas de grande porte. O navio graneleiro Konta II atracou no Terminal de Uso Privado (TUP) no final da tarde da segunda-feira (29) para receber o primeiro carregamento de minério de ferro do terminal, com destino à China.
Para viabilizar o início imediato dos embarques, o porto adotou a técnica de transbordo de granéis entre embarcações, inédita no Brasil, segundo a Companhia Porto Piauí. O modelo dispensa a conclusão de estruturas portuárias mais complexas na costa e já é aplicado em países como Equador, Singapura e Guiné-Bissau para contornar limitações de calado em terminais que recebem navios de grande porte.
Com a adoção do transbordo, o governo estadual antecipou o cronograma de operações em até três anos e reduziu os custos iniciais de implantação do projeto, segundo a companhia. O navio entrou no canal de navegação por volta das 16h, navegando entre 3 e 5 nós de velocidade, equivalente a 5 km/h a 9 km/h, e atracou por volta das 17h, após manobra na bacia de evolução.
Transbordo em alto-mar substitui estrutura portuária convencional
O processo de escoamento envolve três classes de embarcações. O Konta II, com 109 metros de comprimento e 26,8 metros de largura e capacidade para cerca de 9 mil toneladas de minério por viagem, recebe a carga diretamente no TUP. Em seguida, navega até uma área de fundeio a cerca de 37 quilômetros da costa piauiense.
Nesse ponto, o graneleiro se posiciona ao lado do chamado navio-pulmão, estrutura flutuante equipada com galpões, esteiras e guindastes, que funciona como armazém marítimo e plataforma de transferência. O minério é então transferido do navio-pulmão para um navio de classe oceânica, com capacidade de carga superior a 100 mil toneladas, projetado para viagens de longa distância.
O diretor de Gestão Operacional da Companhia Porto Piauí, Fábio Freitas, afirmou que a solução técnica alinha o estado às mudanças recentes na navegação de longo curso. “O comércio internacional cresceu buscando usar embarcações maiores, de maior capacidade, mas os portos mais antigos não cresceram na mesma velocidade. Essa solução reúne grandes volumes de carga e torna a operação mais eficiente no curto prazo”, afirmou Freitas.
A operação contou com a participação de cinco empresas especializadas em apoio marítimo, agenciamento marítimo, operação dos navios, rebocadores e arqueação, sob acompanhamento da Marinha do Brasil.
Agronegócio deve ser o próximo eixo de exportação via Porto Piauí
O governador Rafael Fonteles acompanhou a chegada do navio a bordo de um helicóptero e afirmou que a operação supera desconfianças sobre a viabilidade técnica e comercial do projeto. “Foram 116 anos de espera até este momento histórico. Muita gente dizia que não haveria empresa interessada ou que o navio não atracaria. Ontem mostramos, na prática, que o projeto é viável. Agora estamos focados nos próximos passos”, afirmou Fonteles.
O minério de ferro embarcado tem origem em Piripiri, no interior do Piauí, na primeira operação comercial do porto com minério produzido inteiramente no estado, segundo o Cidadeverde.com. O governador indicou que o agronegócio será o próximo setor beneficiado pela estrutura logística ainda em 2026. “O minério de ferro já é uma realidade e, em breve, também iniciaremos a exportação de grãos. O porto nasce com esses dois grandes eixos, mas está preparado para receber outros tipos de cargas e ampliar cada vez mais a atividade econômica do estado”, afirmou Fonteles.
A operação encerra a dependência exclusiva do Piauí dos portos de Itaqui, no Maranhão, e Pecém, no Ceará, para o escoamento de produtos do estado. O cais do Porto Piauí foi concluído em 14 meses, com investimento de R$ 200 milhões na primeira etapa de infraestrutura, segundo nota publicada pela Assembleia Legislativa do Piauí em 9 de julho de 2025.
*Com informações do Governo do Piauí
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