
A Polícia Federal iniciou a segunda fase da Operação Disclosure para aprofundar as investigações sobre a fraude bilionária nas Lojas Americanas. Dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão estão sendo cumpridos. Além disso, a Justiça Federal também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados.
O montante total das medidas patrimoniais autorizadas pode atingir a cifra de R$ 54 bilhões, enquanto o bloqueio financeiro estipulado individualmente para alguns dos ex-diretores da companhia chega a R$ 500 milhões.
Como funcionava o esquema das Lojas Americanas
A corporação aponta que o objetivo principal desta nova etapa é esclarecer como os antigos executivos da varejista atuavam para manipular as demonstrações financeiras da empresa. As fraudes serviam para inflar os resultados apresentados ao mercado de capitais e esconder o endividamento real da instituição privada.
Os investigadores identificaram que as irregularidades contábeis envolviam fraudes em operações ligadas às verbas de propaganda cooperada. Esses mecanismos, conhecidos no setor varejista pela sigla VPC, consistem em incentivos comerciais fictícios que eram lançados na contabilidade para distorcer artificialmente os balanços divulgados.
Histórico do rombo contábil e crimes investigados
O caso veio a público originalmente no início de 2023, quando a própria administração da empresa reportou inconsistências contábeis inicialmente estimadas em R$ 20 bilhões. O episódio provocou uma crise de confiança no mercado financeiro nacional e desencadeou um dos maiores processos de recuperação judicial da história do país.
Posteriormente, auditorias internas e investigações independentes revelaram que o rombo real gerado pela fraude contábil passava dos R$ 40 bilhões. Diante desses elementos colhidos, a equipe responsável pelo caso aponta para a possível prática de crimes como manipulação de mercado, uso de informações falsas, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Próximos passos da investigação e defesa dos citados
Esta nova fase ostensiva busca individualizar as condutas e identificar o nível de responsabilidade de cada ex-membro da cúpula da varejista na ocultação do passivo. Os documentos recolhidos nas buscas e os depoimentos dos presos serão anexados ao inquérito principal que tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro.
Os advogados e representantes legais dos executivos investigados e alvos dos mandados ainda não se manifestaram publicamente sobre o andamento das prisões ocorridas nesta quinta-feira.
A assessoria da Americanas tem reiterado que a nova gestão colabora integralmente com as autoridades para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos.
Leia também: PF faz operação contra fraudes no banco Digimais do bispo Edir Macedo










