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Banco do Nordeste financia avanço das frutas brasileiras no mercado europeu

Linhas de financiamento do BNB buscam impulsionar vendas no Vale do São Francisco após o início de acordo que zerou taxas com a União Europeia
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  1. Acordo Mercosul-União Europeia zeroa taxas de exportação de frutas brasileiras, aumentando competitividade internacional.
  2. Banco do Nordeste amplia linhas de crédito para fruticultores expandirem produção no Vale do São Francisco.
  3. Procura por antecipação de recursos cresce em Petrolina, principal município exportador do Sertão pernambucano.
  4. Antecipação sobre Contrato de Câmbio permite adiantamento de recursos com prazos competitivos até doze meses.
  5. BNB atende produtores rurais em múltiplos polos regionais incluindo Rio Grande do Norte e Ceará.
frutas do Vale do São Francisco
Segundo o gerente executivo estadual do BNB Pernambuco, Neydson Moura, o alívio nos impostos cria um efeito cascata que exige suporte bancário imediato para expandir as lavouras irrigadas. Foto: Portal de Notícias Juazeiro-Petrolina

O início do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que zerou as taxas de exportação das frutas brasileiras, provocou um aumento na busca de produtores do Vale do São Francisco por recursos financeiros. A redução tributária tornou o produto nacional mais competitivo no mercado europeu, gerando uma tendência de crescimento na demanda internacional. Para atender a esse cenário, o Banco do Nordeste (BNB) disponibiliza linhas específicas de comércio exterior para estruturar o fluxo de caixa dos exportadores.

A procura por antecipação de recursos registrou incremento em Petrolina, principal município exportador do Sertão de Pernambuco. De acordo com o BNB, o movimento é absorvido diretamente pela agência local, que atua no suporte financeiro necessário para que os fruticultores consigam ampliar as suas áreas produtivas e direcionar o excedente para os compradores estrangeiros.

Toda a estrutura de prazos e taxas competitivas do BNB também atende a produtores de outras regiões além do Vale do São Francisco, cobrindo clientes rurais e urbanos em toda a área de atuação da instituição, o que inclui polos como as regiões produtoras do Rio Grande do Norte e do Ceará.

O impacto do acordo internacional no campo

O fim das barreiras tarifárias na Europa mudou a perspectiva financeira dos agricultores de Petrolina. Segundo o gerente executivo estadual do BNB em Pernambuco, Neydson Moura, o alívio nos impostos cria um efeito cascata que exige suporte bancário imediato para expandir as lavouras irrigadas.

“A redução de impostos torna o produto brasileiro mais competitivo, o que consequentemente tende a criar um aumento da demanda pelos produtos brasileiros no mercado europeu. Com o crescimento da demanda, os produtores tenderão a aumentar sua área de produção e a destinação dos produtos para o exterior. O crédito do Banco do Nordeste atua para dar suporte no aumento de produção e na exportação dos produtos”, explica Neydson Moura.

Para apoiar as empresas que realizam a venda direta aos compradores europeus, o BNB disponibiliza a Antecipação sobre Contrato de Câmbio (ACC). A modalidade é direcionada preferencialmente para os empresários que estão iniciando a fase de produção voltada especificamente à exportação comercial.

O mecanismo permite o adiantamento de recursos a partir do momento em que o negócio é fechado no mercado. O gerente geral da agência do BNB em Petrolina, Manoel Felipe, pontua as condições operacionais de liberação deste crédito específico.

“Até o dinheiro da venda chegar ao cliente leva tempo. Por isso antecipamos o valor a receber com taxas de deságio competitivas e prazo de até 12 meses para pagar”, esclarece.

​Proteção contra oscilações de moedas estrangeiras

Outra opção oferecida pela instituição financeira é a Nordeste Exportação. A linha é abastecida com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e costuma registrar maior procura por parte dos produtores tradicionais por não apresentar indexação direta às variações diárias do câmbio internacional.

O modelo funciona como um crédito estável para o planejamento produtivo, impedindo impactos negativos causados pela volatilidade de moedas como o dólar ou o euro. Segundo Manoel Felipe, a linha garante maior previsibilidade de custos para o fruticultor no gerenciamento da safra.

“O cliente vai pagar o valor da conversão do dia da assinatura do contrato. É como se fosse um capital de giro que financia mão de obra, insumos, e a comprovação de aplicação do empréstimo pode ser feita até o ato da liquidação, em até 12 meses”, detalha o gerente geral.

Arte fruticultura crédito BNB

​A flexibilidade de comprovar os gastos apenas no encerramento do contrato é um dos principais atrativos regulatórios para quem está no campo. Em relação à existência de burocracia no processo, Neydson Moura responde que a vantagem é intrínseca ao pacote do banco, afirmando que “esse fluxo operacional faz parte da característica do produto”.

A previsibilidade gerada pelo modelo pré-fixado é apontada pela gerência executiva como um fator psicológico e financeiro crucial para o fechamento de contratos de longo prazo. De acordo Moura, “com a taxa pré-fixada o produtor tem a segurança da previsibilidade, o que tende a aumentar confiança na produção e comercialização”.

Custos de produção e linhas de longo prazo

Embora o foco das linhas de comércio exterior seja o escoamento rápido e a comercialização de curto prazo, o custo para implantar e manter as lavouras irrigadas no semiárido é considerado elevado para os pequenos empreendedores.

No cultivo da manga, por exemplo, a planta necessita de um intervalo de três anos para iniciar a sua fase produtiva comercial, demandando um investimento anual estimado em R$ 200 mil por hectare.

Devido à necessidade de maturação dos pomares, as regras de financiamento para o plantio inicial e instalação da infraestrutura não são integradas às linhas de comércio exterior. Neydson Moura detalha como funciona a divisão desses recursos dentro do banco.

“O financiamento para plantio é enquadrado em outra linha de crédito, com condições diferenciadas de taxa, carência e prazo de pagamento. A operação de comércio exterior tem característica de curto/médio prazo e ela é ofertada quando o cliente já tem operação estruturada e possui produção para exportação”, aponta o gerente executivo estadual.

A liberação integral do dinheiro para cobrir os custos de implantação depende de uma análise técnica que avalia diferentes critérios institucionais. Segundo Moura, “o percentual de financiamento vai depender de vários fatores, entre eles a garantia ofertada, experiência do cliente com a atividade, nível de relacionamento do cliente com o Banco, entre outros”.

Atuação institucional e orientação ao mercado

O suporte concedido pelo banco se concentra estritamente no fornecimento de recursos para a compra de insumos, financiamento de mão de obra e adiantamento de valores vinculados aos contratos cambiais. A instituição não mantém programas internos dedicados à orientação empresarial ou formatação de estratégias de venda internacional para produtores iniciantes.

Dessa forma, os pequenos fruticultores que desejam ingressar no comércio externo precisam contratar consultorias privadas e especialistas do mercado logístico para elaborar as minutas contratuais de câmbio. Neydson Moura delimita com precisão o papel da instituição.

“O Banco não possui um programa de orientação. O cliente precisa buscar no mercado profissionais e empresas que os auxiliem na estruturação e comercialização dos produtos no mercado exterior. O Banco do Nordeste atua na parte financeira de financiamento de insumos para a exportação e antecipação dos recebíveis do contrato de câmbio”, ressalta.

A validação de que os benefícios operacionais e as taxas diferenciadas de deságio não são exclusivas do polo pernambucano foi reforçada pela gerência executiva, sinalizando o alcance mercadológico do banco em outras fronteiras agrícolas integradas ao plano de escoamento internacional. Neydson Moura confirma o direcionamento e a abrangência geográfica irrestrita das ferramentas de captação da instituição financeira.

“As operações de comércio exterior, seja para exportação ou importação, é um produto do Banco do Nordeste e está disponível para todos os clientes, seja rural ou urbano, e em toda a área de atuação do banco”, finaliza o gerente executivo estadual.

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