
A mediana das expectativas do mercado financeiro para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,75% para 14,00% no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. O movimento de alta também atingiu as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, que avançaram de 3,68% para 3,70%. Em contrapartida, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 registrou avanço pela quinta semana consecutiva, passando de 1,96% para 1,98%.
O reajuste nos indicadores macroeconômicos reflete um cenário de maior incerteza global, pressionado pela volatilidade nos preços do petróleo em decorrência dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Diante dessas variáveis, analistas revisaram a extensão do ciclo de flexibilização monetária.
Quando avaliadas apenas as 78 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, que demonstram maior sensibilidade aos fatos recentes, a projeção intermediária para a taxa básica de juros ao final deste ano se estabilizou no patamar de 14,00%.
Para o horizonte de médio prazo, o relatório Focus manteve a previsão para a taxa Selic ao término de 2027 em 12,00%, ante os 11,25% verificados um mês antes. O comportamento se repetiu no recorte dos últimos cinco dias úteis, baseado em 77 respostas.
No que tange aos anos seguintes, a expectativa para 2028 ficou estacionada em 10,25%, enquanto a estimativa para o fechamento de 2029 permaneceu em 10,00% pela sétima semana consecutiva.
Pressão inflacionária e desancoragem da meta
O avanço do IPCA para 3,70% acentua a distância em relação à meta de inflação estabelecida para o ano de 2026, cujo centro é de 3,00%. A análise restrita aos 58 questionários respondidos no intervalo dos últimos cinco dias úteis revelou uma pressão ainda maior, com a estimativa intermediária para o índice oficial de preços subindo de 3,70% para 3,72%. Um mês antes, o indicador geral apontava para uma inflação anual de 3,60%.
Em relação aos períodos subsequentes, a previsão para o IPCA em 2027 permaneceu inalterada em 3,50% pela 51ª semana seguida, mesmo patamar verificado quando isoladas as 56 projeções submetidas nos cinco dias úteis anteriores.
As previsões para os anos de 2028 e 2029 também demonstraram estabilidade em 3,50%, acumulando 49 e 47 semanas de estagnação, respectivamente. Os dados consolidados indicam que as premissas do mercado continuam distantes do centro da meta de longo prazo de 3,00%, que conta com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
A postura do comitê de política monetária diante desse quadro foi detalhada no comunicado emitido após a reunião realizada na última quarta-feira, dia 17 de junho.
Na ocasião, o Banco Central reforçou que a volatilidade externa e os riscos inflacionários locais exigem cautela, pontuando que as próximas decisões sobre a Selic dependerão de novos dados econômicos para garantir o cumprimento das metas vigentes.
Atividade econômica em ritmo de expansão
O Produto Interno Bruto apresentou uma trajetória divergente dos riscos inflacionários, mostrando resiliência na atividade produtiva. No subgrupo de 56 projeções atualizadas no curtíssimo prazo, o otimismo do mercado financeiro foi acentuado, com a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 migrando de 1,99% para o patamar de 2,00%. Há quatro semanas, a mediana geral de mercado apontava para uma expansão de 1,89%.
A taxa de crescimento projetada pelos analistas privados supera o cenário de referência calculado pelo próprio Banco Central em seu Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre, que estipula uma alta de 1,6% para a economia nacional.
Por outro lado, a estimativa do relatório Focus adota uma postura mais conservadora se comparada ao prognóstico oficial do Ministério da Fazenda, que trabalha com uma expansão de 2,33% para o fechamento deste ano.
Estabilidade nas previsões de longo prazo
O comportamento da atividade econômica para os períodos mais distantes permaneceu linear na percepção dos analistas consultados pelo Banco Central. A mediana das projeções para o crescimento do PIB no encerramento de 2027 se manteve fixada em 1,70% pela quarta semana consecutiva, ao passo que o filtro dos cinco dias úteis mais recentes apontou uma estimativa intermediária de 1,66% com base em 54 respostas.
Por fim, as janelas de projeção para os anos de 2028 e 2029 fecharam a rodada do relatório semanal sem alterações estruturais, sustentando expectativas de avanço de 2,00% para a atividade produtiva nacional.
O índice para 2028 repetiu o resultado pela 119ª semana consecutiva, enquanto a estimativa para 2029 completou o ciclo de 66 semanas de estabilidade técnica.
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