
O crescimento econômico das regiões brasileiras deve perder força em 2026 e 2027, depois de dois anos de desempenho robusto. Segundo relatório do Santander, 2024 e 2025 foram marcados por expansão disseminada entre as regiões, sustentada, primeiro, pela demanda doméstica e, depois, pelo forte desempenho da agropecuária. A instituição avalia que a safra recorde de 2025 teve impacto positivo especialmente no Sul e no Centro-Oeste, embora a maioria das localidades tenha mantido taxas elevadas de crescimento. Para os próximos anos, porém, a expectativa é de desaceleração, acompanhando o cenário nacional, mas com algum suporte vindo do mercado de trabalho ainda resiliente. O banco projeta desaceleração gradual em 2026 e 2027 para o Nordeste.
De acordo com as projeções, o crescimento deve ficar mais espalhado entre as regiões em 2026, sem o mesmo impulso excepcional da agropecuária observado em 2025. Norte, Centro-Oeste e Sudeste aparecem com as maiores taxas esperadas para o ano. Entre os estados, Tocantins lidera a projeção de crescimento em 2026, com alta estimada de 3,85%, seguido por Roraima, com 3,62%, Amazonas, com 3,04%, Amapá, com 2,96%, e Mato Grosso, com 2,92%. No Nordeste, os maiores avanços projetados para 2026 são os da Paraíba, com 2,33%, Maranhão, com 2,16%, Piauí, com 1,76%, e Alagoas, com 1,70%.
Para 2027, a distribuição regional do crescimento deve permanecer semelhante à de 2026, mas em ritmo menor. O relatório aponta o El Niño como risco relevante a ser monitorado, pelo potencial impacto sobre as safras. Tocantins, Roraima, Mato Grosso e Amazonas continuam entre os destaques projetados, com crescimento estimado de 2,86%, 3,05%, 2,70% e 2,50%, respectivamente. No Nordeste, Maranhão e Piauí aparecem com 1,79% e 1,76%, enquanto Bahia e Pernambuco têm as menores estimativas da região, com 0,52% e 0,77%.
Arrefecimento
A agropecuária foi o principal vetor de crescimento em 2025. O Santander estima que a safra recorde tenha beneficiado a maior parte das regiões, com destaque para Centro-Oeste, Nordeste e Sul, impulsionados pela produção de grãos. Para 2026, a projeção é de arrefecimento do setor, embora os volumes produzidos devam continuar elevados. O relatório também ressalta que parte do crescimento do Sul decorre da retomada após as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, enquanto a possível reversão do ciclo favorável da pecuária e o risco climático associado ao El Niño podem afetar regiões produtoras em 2027.
Na indústria, o cenário é de crescimento moderado e heterogêneo. A indústria de transformação apresentou desempenho irregular nos últimos anos, enquanto o setor extrativo se destacou em algumas localidades. O relatório aponta que as condições financeiras restritivas seguem como obstáculo para a transformação, mas a indústria extrativa deve manter dinâmica positiva. Nesse contexto, Norte, Nordeste e Centro-Oeste tendem a apresentar desempenho relativamente melhor em 2026.

O setor de serviços continua sendo um dos principais motores de sustentação da atividade. Apesar de alguma desaceleração, todas as regiões ainda apontam crescimento robusto no segmento, favorecido pelo mercado de trabalho aquecido. O varejo iniciou 2026 com bom desempenho na maioria das regiões, influenciado pela nova rodada de impulso fiscal associada à isenção de imposto de renda para salários de até R$ 5 mil. A política monetária apertada, porém, deve impor desaceleração adicional ao setor.

Nordeste deve desacelerar
No recorte regional do Nordeste, o Santander projeta desaceleração gradual em 2026 e 2027, após crescimento próximo de 3% nos últimos anos. Mesmo assim, a instituição avalia que o desempenho da região deve continuar superior ao registrado na década passada. O PIB nordestino, que teria crescido 3,1% em 2025, deve avançar 1,6% em 2026 e 1,0% em 2027. A agropecuária teve um ano forte em 2025, enquanto os serviços devem desacelerar gradualmente. A indústria, por sua vez, tende a mostrar alguma resiliência, apesar das condições financeiras restritivas.
Entre os estados nordestinos, o Maranhão se destaca nas projeções de crescimento do PIB, com alta estimada de 5,3% em 2025, 2,2% em 2026 e 1,8% em 2027. O Piauí também aparece com avanço expressivo em 2025, de 6,9%, seguido por crescimento de 1,8% tanto em 2026 quanto em 2027. A Paraíba deve crescer 2,8% em 2025, 2,3% em 2026 e 1,7% em 2027. Já a Bahia, maior economia da região, tem projeções mais moderadas: 2,2% em 2025, 1,3% em 2026 e 0,5% em 2027.
O relatório mostra que o setor de serviços tem peso acima da média nacional na economia nordestina, o que tem contribuído para o desempenho geral da região. Em 2023, a Bahia respondia por 28,0% do PIB regional, seguida por Pernambuco, com 17,1%, Ceará, com 15,4%, e Maranhão, com 10,2%. Os demais estados tinham participações menores: Rio Grande do Norte, 6,8%; Paraíba, 6,7%; Alagoas, 6,1%; Piauí, 5,4%; e Sergipe, 4,3%.
No varejo, o desempenho do Nordeste foi majoritariamente positivo desde o início de 2025, com comportamento semelhante entre a maioria dos estados. No começo de 2026, Pernambuco, Paraíba e Piauí aparecem como destaques de aceleração nas vendas. Já no volume de serviços, houve desaceleração na maior parte dos estados a partir do início de 2025, embora com diferenças relevantes: Ceará e Alagoas mostram maior fraqueza na margem, enquanto Piauí e Maranhão aparecem como destaques positivos.

A indústria nordestina segue marcada por volatilidade, mas mantém taxas positivas de crescimento. O relatório observa que, apesar do impacto causado pelo fechamento de plantas na indústria de transformação, o setor demonstra resiliência. O Santander projeta expansão próxima de 2% ao ano para a indústria regional em 2026 e 2027. Piauí, Paraíba e Maranhão aparecem entre os destaques industriais, com projeções superiores à média regional.
Na agropecuária, o Nordeste teria registrado forte expansão em 2025, com alta estimada de 15,8%, impulsionada pela safra recorde. Para 2026, a projeção é de queda de 1,1%, seguida de leve crescimento de 0,2% em 2027. O relatório atribui o desempenho positivo à expansão da fronteira agrícola, sobretudo na produção de grãos, mas prevê variações mais moderadas nos próximos anos. Piauí, Ceará e Maranhão tiveram estimativas expressivas de crescimento agropecuário em 2025, com altas de 40,0%, 25,6% e 22,0%, respectivamente.
Nos serviços, principal setor da economia nordestina, a expectativa é de desaceleração, mas com manutenção de taxas positivas e alinhadas ao agregado nacional. O Santander estima crescimento de 1,8% em 2025, 1,9% em 2026 e 0,9% em 2027 para os serviços no Nordeste. O varejo segue em ritmo de expansão desde o início de 2025, e Piauí, Ceará e Maranhão são apontados como destaques recentes. A dinâmica dos serviços prestados às famílias continua sendo um componente importante para o desempenho regional.
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