
A decisão do governo federal de encaminhar ao Conselho Nacional de Política Energética a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% (E30) para até 32% (E32) reforça uma política brasileira consolidada há décadas, mas não resolve o problema comercial que mais preocupa o setor sucroenergético neste momento: as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro.
Para o presidente do Sindaçúcar-PE e da NovaBio, Renato Cunha, as duas agendas não se comunicam automaticamente dentro da lógica americana de negociação. O aumento da mistura fortalece o mercado interno de etanol, ajuda na descarbonização da matriz de transportes, reduz a necessidade de importação de gasolina e pode aliviar o preço final ao consumidor, já que o etanol tem se mantido mais barato que a gasolina. Mas isso não muda, por si só, a estrutura tarifária que limita a competitividade do açúcar brasileiro no mercado norte-americano.
A leitura do setor é que há uma assimetria relevante na relação bilateral. Os Estados Unidos importam açúcar por meio de cotas tarifárias e o Brasil participa desse sistema, mas o volume que excede a cota enfrenta sobretaxas elevadas, em alguns casos superiores ao próprio valor da mercadoria. Na prática, quando o preço internacional está em torno de US$ 300 por tonelada, a tarifa adicional pode praticamente dobrar o custo do produto brasileiro fora da cota.
Renato Cunha defende que qualquer negociação envolvendo etanol também considere o açúcar. A lógica é simples: cana, açúcar e etanol fazem parte da mesma cadeia produtiva. Abrir mais espaço para o etanol americano no Brasil, sem contrapartida no açúcar, ampliaria o desequilíbrio comercial. Hoje, os Estados Unidos cobram tarifa sobre o etanol brasileiro, enquanto o Brasil também aplica tarifa ao produto norte-americano. O debate, portanto, não é apenas energético, mas comercial.
O avanço do E32 deve ampliar a demanda doméstica por etanol e dar mais previsibilidade às usinas, especialmente num momento em que parte da cana tem sido direcionada ao biocombustível diante de preços menos favoráveis do açúcar. Para o Nordeste, onde a atividade canavieira tem forte peso social e emprega mão de obra em áreas de menor mecanização, a medida pode ajudar a sustentar renda e produção.
Mas o ganho interno não elimina o nó externo. Enquanto os Estados Unidos mantiverem um sistema tarifário restritivo para o açúcar brasileiro e resistirem a ampliar o consumo doméstico de etanol em escala mais robusta, o setor continuará preso a uma equação desigual: o Brasil fortalece sua política de biocombustíveis, mas segue enfrentando barreiras relevantes em um dos mercados mais estratégicos para o açúcar.
SpaceX
O IPO da SpaceX reforça o apetite do mercado por ativos ligados à nova fronteira da economia global. O curioso é que, no dia previsto para o maior IPO do mundo, a Nasdaq abriu em queda. Já as ações da SpaceX subiam 21,7% em sua estreia na bolsa, na sexta-feira (12), elevando o valor de mercado da empresa de Elon Musk para cerca de US$ 1,96 trilhão, acima do PIB de vários países.
Corais
A Constellation está apoiando a restauração de recifes de coral no litoral nordestino por meio de uma parceria com a Biofábrica de Corais, startup pernambucana especializada na recuperação e conservação de ecossistemas recifais. O projeto integra a estratégia de sustentabilidade prevista no Plano ESG 2030 da Constellation. Em 2025, a Biofábrica de Corais foi selecionada no desafio “Inovação pela Vida na Água”, lançado pela Constellation em conjunto com o Energy Hub do Grupo Sai do Papel.
River Shopping Petrolina
A LMS Gestão de Empreendimentos celebra mais uma negociação bem-sucedida com a chegada do restaurante Tio Armênio ao River Shopping Petrolina. A operação marca a primeira unidade da rede no interior de Pernambuco e reforça a atuação da empresa na atração de negócios alinhados ao perfil dos empreendimentos que administra e comercializa.
Data centers
Dados da Agência Internacional de Energia estimam que os data centers consomem atualmente 560 bilhões de litros de água por ano no mundo, volume que pode chegar a 1,2 trilhão de litros até 2030. Diante desse cenário, a advogada Patrícia Lemos, do escritório Pires Advogados, defende que a instalação dessas estruturas seja reavaliada em regiões sujeitas à escassez hídrica, secas recorrentes e ondas de calor, preservando a prioridade da água para consumo humano e animal.
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