
O Nordeste entrou na carteira ferroviária apresentada na quinta-feira (11), na B3, em São Paulo, pelo Ministério dos Transportes a investidores com projetos voltados à retomada do transporte de passageiros e à revitalização de trechos ferroviários ociosos. No total, a região concentra três ligações regionais de passageiros na Bahia, Ceará e Maranhão, além de dois trechos enquadrados como Ferrovias Inteligentes na Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte.
A carteira apresentada ao mercado inclui os projetos Salvador–Feira de Santana, Fortaleza–Sobral e São Luís–Itapecuru Mirim para transporte ferroviário de passageiros. Já na frente das Ferrovias Inteligentes, foram listados os trechos Alagoinhas–Propriá, entre Bahia e Sergipe, e Natal–Macau, no Rio Grande do Norte.
Os projetos demonstram a iniciativa do governo federal estruturar novas formas de aproveitamento da malha ferroviária nacional, combinando transporte regional de passageiros, chamamentos públicos e participação privada em trechos com potencial de reativação. Durante a apresentação, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a intenção é dar melhor utilização a trechos ociosos ou subutilizados da malha.
“A intenção nossa é ter várias possibilidades de utilização da malha, ou que está ociosa, ou que a gente pode dar uma melhor utilização para ela”, afirmou Santoro.
Nordeste tem três projetos de trens de passageiros
No recorte de transporte ferroviário de passageiros, o projeto mais extenso no Nordeste é o trecho Fortaleza–Sobral, no Ceará, com 240 quilômetros. O traçado inclui os municípios de Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, Umirim, Tururu, Itapipoca, Miraíma e Sobral.
Na Bahia, a carteira lista o projeto Salvador–Feira de Santana, com 107 quilômetros de extensão. A ligação inclui Salvador, Dias d’Ávila, Candeias, São Sebastião do Passé, Santo Amaro, São Gonçalo dos Campos, Conceição da Feira e Feira de Santana.
No Maranhão, o projeto São Luís–Itapecuru Mirim aparece com 116 quilômetros de extensão, passando por São Luís, Bacabeira, Rosário, Santa Rita e Itapecuru Mirim.
Segundo o ministério, os projetos buscam modelos inovadores para atrair a participação do setor privado na retomada do transporte ferroviário de passageiros no país. A nova política pública para passageiros inclui o princípio da modicidade tarifária, além de receitas alternativas provenientes da exploração de projetos imobiliários no entorno das estações e da malha ferroviária, investimentos cruzados e recursos orçamentários para garantir a sustentabilidade econômico-financeira dos projetos.

Ferrovias Inteligentes miram trechos ociosos
Além dos projetos de passageiros, o Nordeste também aparece na carteira de Ferrovias Inteligentes. O modelo é baseado na Resolução ANTT nº 6.058/2024, que estabelece procedimento de chamamento público para viabilizar investimentos em trechos ferroviários não implantados, ociosos, antieconômicos ou em processo de desativação ou devolução.
Na região, foram listados dois trechos: Alagoinhas–Propriá, com 427 quilômetros, conectando Bahia e Sergipe; e Natal–Macau, no Rio Grande do Norte, com 241 quilômetros.
O objetivo do modelo é atrair interessados privados para revitalizar trechos ferroviários com regras de autorização, critérios técnicos, econômicos e ambientais, além de possibilidade de uso de recursos governamentais nos processos de chamamento público.
Durante a apresentação, George Santoro afirmou que o governo pretende criar uma carteira de chamamentos públicos para testar o interesse do mercado em trechos ferroviários ociosos ou devolvidos. Segundo ele, parte desses projetos envolve corredores de carga e short lines, enquanto outra frente inclui transporte de passageiros e turismo regional.
“A gente tem cerca de 17 projetos que identificamos no estudo do BID com viabilidade do mercado aceitar. Tem outros que a gente não sabe, não tem a menor ideia, e a ideia é colocar como oferta permanente”, afirmou.
VLTs de Arapiraca e Campina Grande seguem em andamento
Além dos projetos listados na carteira apresentada a investidores, Santoro também citou os VLTs de Arapiraca, em Alagoas, e Campina Grande, na Paraíba, como experiências em andamento em parceria com a Transnordestina Logística/FTL. Os dois projetos não aparecem no mesmo bloco dos trens regionais apresentados no roadshow, mas integram outra frente de aproveitamento da malha ferroviária para transporte urbano e regional.
Em resposta ao Movimento Econômico, o Ministério dos Transportes informou que as obras de revitalização da linha férrea para implantação do VLT de Arapiraca seguem em andamento. No trecho rural, a conclusão está prevista para o segundo semestre de 2026. Já as intervenções voltadas à adequação dos conflitos urbanos e à recuperação do sistema de drenagem devem ser finalizadas no primeiro semestre de 2027. O cronograma do projeto prevê ainda o início dos testes operacionais no segundo semestre deste ano.
Em Campina Grande, o projeto do VLT contempla o deslocamento do eixo ferroviário em diversos trechos, medida adotada para reduzir a necessidade de desapropriações ao longo do percurso. Segundo o Ministério dos Transportes, a proposta está em análise pela Prefeitura e pela concessionária responsável.
A regularização fundiária, sob responsabilidade da Prefeitura, vem sendo conduzida por meio de reuniões de conciliação promovidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5). Enquanto avançam as tratativas relacionadas às áreas necessárias para implantação do projeto, as obras de revitalização da linha férrea prosseguem nos trechos já liberados.
A expectativa do Ministério dos Transportes é que o sistema de Campina Grande seja concluído e entregue à população no segundo semestre de 2027.

Governo mira nova política para passageiros
O roadshow do Ministério dos Transportes apresentou uma carteira mais ampla de projetos ferroviários, com previsão de atrair mais de R$ 600 bilhões em investimentos públicos e privados no setor. O plano nacional de desenvolvimento ferroviário inclui uma rodada de oito leilões, chamamentos públicos, autorizações, projetos de carga, passageiros, terminais logísticos e reativação de trechos ociosos.
Na apresentação, Santoro afirmou que a estratégia do governo é construir uma malha mais integrada, conectada a rodovias, hidrovias e portos, com foco em redução de custos logísticos e melhor aproveitamento da infraestrutura existente.
“A ideia nossa não é só construir ferrovia, é construir um modal interconectado com rodovia, com hidrovia, é construir uma plataforma de negócios e conseguir atrair capital que olha para longo prazo”, afirmou o ministro.
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