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Nordeste entra em vitrine federal para atrair investidores a trens regionais

Carteira apresentada pelo Ministério dos Transportes inclui ligações de passageiros além de trechos de Ferrovias Inteligentes no Nordeste
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  1. Nordeste apresenta projetos ferroviários na Bahia e Ceará.
  2. Ministro destaca utilização de trechos ociosos.
  3. Três projetos de trens de passageiros são listados.
  4. Projetos incluem trechos em Sergipe e Rio Grande do Norte.
  5. Ferrovias Inteligentes visam investimentos em trechos ociosos.
Trem passageiros Nordeste Ceara
Nordeste aparece em carteira de projetos ferroviários com projetos na Bahia, Ceará, Maranhão, Sergipe e Rio Grande do Norte. Foto: Seinfra CE

O Nordeste entrou na carteira ferroviária apresentada na quinta-feira (11), na B3, em São Paulo, pelo Ministério dos Transportes a investidores com projetos voltados à retomada do transporte de passageiros e à revitalização de trechos ferroviários ociosos. No total, a região concentra três ligações regionais de passageiros na Bahia, Ceará e Maranhão, além de dois trechos enquadrados como Ferrovias Inteligentes na Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte.

A carteira apresentada ao mercado inclui os projetos Salvador–Feira de Santana, Fortaleza–Sobral e São Luís–Itapecuru Mirim para transporte ferroviário de passageiros. Já na frente das Ferrovias Inteligentes, foram listados os trechos Alagoinhas–Propriá, entre Bahia e Sergipe, e Natal–Macau, no Rio Grande do Norte.

Os projetos demonstram a iniciativa do governo federal estruturar novas formas de aproveitamento da malha ferroviária nacional, combinando transporte regional de passageiros, chamamentos públicos e participação privada em trechos com potencial de reativação. Durante a apresentação, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a intenção é dar melhor utilização a trechos ociosos ou subutilizados da malha.

“A intenção nossa é ter várias possibilidades de utilização da malha, ou que está ociosa, ou que a gente pode dar uma melhor utilização para ela”, afirmou Santoro.

Nordeste tem três projetos de trens de passageiros

No recorte de transporte ferroviário de passageiros, o projeto mais extenso no Nordeste é o trecho Fortaleza–Sobral, no Ceará, com 240 quilômetros. O traçado inclui os municípios de Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, Umirim, Tururu, Itapipoca, Miraíma e Sobral.

Na Bahia, a carteira lista o projeto Salvador–Feira de Santana, com 107 quilômetros de extensão. A ligação inclui Salvador, Dias d’Ávila, Candeias, São Sebastião do Passé, Santo Amaro, São Gonçalo dos Campos, Conceição da Feira e Feira de Santana.

No Maranhão, o projeto São Luís–Itapecuru Mirim aparece com 116 quilômetros de extensão, passando por São Luís, Bacabeira, Rosário, Santa Rita e Itapecuru Mirim.

Segundo o ministério, os projetos buscam modelos inovadores para atrair a participação do setor privado na retomada do transporte ferroviário de passageiros no país. A nova política pública para passageiros inclui o princípio da modicidade tarifária, além de receitas alternativas provenientes da exploração de projetos imobiliários no entorno das estações e da malha ferroviária, investimentos cruzados e recursos orçamentários para garantir a sustentabilidade econômico-financeira dos projetos.

Ferrovia
Projetos de ferrovias inteligentes pretendem viabilizar investimentos em trechos ferroviários não implantados, ociosos, antieconômicos ou em processo de desativação ou devolução. Foto: Divulgação

Ferrovias Inteligentes miram trechos ociosos

Além dos projetos de passageiros, o Nordeste também aparece na carteira de Ferrovias Inteligentes. O modelo é baseado na Resolução ANTT nº 6.058/2024, que estabelece procedimento de chamamento público para viabilizar investimentos em trechos ferroviários não implantados, ociosos, antieconômicos ou em processo de desativação ou devolução.

Na região, foram listados dois trechos: Alagoinhas–Propriá, com 427 quilômetros, conectando Bahia e Sergipe; e Natal–Macau, no Rio Grande do Norte, com 241 quilômetros.

O objetivo do modelo é atrair interessados privados para revitalizar trechos ferroviários com regras de autorização, critérios técnicos, econômicos e ambientais, além de possibilidade de uso de recursos governamentais nos processos de chamamento público.

Durante a apresentação, George Santoro afirmou que o governo pretende criar uma carteira de chamamentos públicos para testar o interesse do mercado em trechos ferroviários ociosos ou devolvidos. Segundo ele, parte desses projetos envolve corredores de carga e short lines, enquanto outra frente inclui transporte de passageiros e turismo regional.

“A gente tem cerca de 17 projetos que identificamos no estudo do BID com viabilidade do mercado aceitar. Tem outros que a gente não sabe, não tem a menor ideia, e a ideia é colocar como oferta permanente”, afirmou.

VLTs de Arapiraca e Campina Grande seguem em andamento

Além dos projetos listados na carteira apresentada a investidores, Santoro também citou os VLTs de Arapiraca, em Alagoas, e Campina Grande, na Paraíba, como experiências em andamento em parceria com a Transnordestina Logística/FTL. Os dois projetos não aparecem no mesmo bloco dos trens regionais apresentados no roadshow, mas integram outra frente de aproveitamento da malha ferroviária para transporte urbano e regional.

Em resposta ao Movimento Econômico, o Ministério dos Transportes informou que as obras de revitalização da linha férrea para implantação do VLT de Arapiraca seguem em andamento. No trecho rural, a conclusão está prevista para o segundo semestre de 2026. Já as intervenções voltadas à adequação dos conflitos urbanos e à recuperação do sistema de drenagem devem ser finalizadas no primeiro semestre de 2027. O cronograma do projeto prevê ainda o início dos testes operacionais no segundo semestre deste ano.

Em Campina Grande, o projeto do VLT contempla o deslocamento do eixo ferroviário em diversos trechos, medida adotada para reduzir a necessidade de desapropriações ao longo do percurso. Segundo o Ministério dos Transportes, a proposta está em análise pela Prefeitura e pela concessionária responsável.

A regularização fundiária, sob responsabilidade da Prefeitura, vem sendo conduzida por meio de reuniões de conciliação promovidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5). Enquanto avançam as tratativas relacionadas às áreas necessárias para implantação do projeto, as obras de revitalização da linha férrea prosseguem nos trechos já liberados.

A expectativa do Ministério dos Transportes é que o sistema de Campina Grande seja concluído e entregue à população no segundo semestre de 2027.

Ministro George Santoro apresentou carteira de investimentos em rodovias em roadshow na B3, em São Paulo
Ministro George Santoro apresentou carteira de investimentos em ferrovias em roadshow na B3, em São Paulo. Foto: Luiz Siqueira

Governo mira nova política para passageiros

O roadshow do Ministério dos Transportes apresentou uma carteira mais ampla de projetos ferroviários, com previsão de atrair mais de R$ 600 bilhões em investimentos públicos e privados no setor. O plano nacional de desenvolvimento ferroviário inclui uma rodada de oito leilões, chamamentos públicos, autorizações, projetos de carga, passageiros, terminais logísticos e reativação de trechos ociosos.

Na apresentação, Santoro afirmou que a estratégia do governo é construir uma malha mais integrada, conectada a rodovias, hidrovias e portos, com foco em redução de custos logísticos e melhor aproveitamento da infraestrutura existente.

“A ideia nossa não é só construir ferrovia, é construir um modal interconectado com rodovia, com hidrovia, é construir uma plataforma de negócios e conseguir atrair capital que olha para longo prazo”, afirmou o ministro.

Leia mais: Governo estuda ligar Transnordestina ao Matopiba e a portos do Norte do país

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