
A falta de mão de obra qualificada tem sido apontada por empresários do polo têxtil e de confecções como um dos principais entraves enfrentados pela cadeia em Pernambuco. Com o objetivo de enfrentar esse gargalo, a governadora Raquel Lyra (PSD) entregou, nesta quarta-feira (27), laboratórios de capacitação e prototipagem para dez municípios pernambucanos. A iniciativa que une qualificação profissional, estímulo ao empreendedorismo e fortalecimento dos arranjos produtivos locais.
Os novos espaços vão oferecer cursos gratuitos de corte e costura industrial, modelagem, gestão da qualidade e desenvolvimento de produtos, além de funcionar como ambientes de inovação para pequenos empreendedores. A ação integra o programa PE Produz, coordenado pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), e prevê a realização de 143 cursos e mais de 5.700 horas de capacitação técnica ao longo de dez meses.
A ação recebeu investimento de R$ 486 mil para aquisição de 130 equipamentos, entre máquinas industriais, mesas de corte e insumos têxteis. Considerando as contrapartidas, o valor total do projeto chega a R$ 715,7 mil. Os equipamentos serão instalados nas cidades de Belém de Maria, Buenos Aires, Camaragibe, Carnaíba, Catende, Chã Grande, Glória do Goitá, Poção, Tacaratu e Tracunhaém.
O setor têxtil e de confecções é considerado um dos mais relevantes da economia pernambucana, com presença em mais de 60 municípios e cerca de 400 mil pessoas envolvidas direta e indiretamente na cadeia produtiva.
Foco em mulheres e empreendedorismo regional
A iniciativa prioriza cidades com menor presença industrial e tem foco especial na inclusão produtiva de mulheres, que representam a maior parte da força de trabalho do setor confeccionista. A coordenação pedagógica e a execução das trilhas de capacitação ficarão sob responsabilidade do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE).
Segundo o diretor-presidente da entidade, Pedro Miranda, os municípios foram selecionados a partir de um mapeamento técnico. “Realizamos um mapeamento de onde estes laboratórios seriam ideais para atuar como polos de inovação, nos quais os moradores terão acesso a equipamentos modernos para o desenvolvimento e prototipagem de novos produtos, fomentando o empreendedorismo regional”, disse.
Qualificação para o polo têxtil
Durante a solenidade de entrega, a governadora destacou que a iniciativa busca ampliar oportunidades de emprego e renda, especialmente em municípios fora da Região Metropolitana do Recife.
“Estes equipamentos e laboratórios darão às pessoas nas comunidades a chance de aperfeiçoamento e crescimento profissional, fortalecendo nosso setor têxtil, além dos setores de produção e confecção. Nós temos um desafio nos dias atuais, que é a falta de mão de obra qualificada, mas isso vai deixar de ser um impedimento, com a capacitação e expansão do nosso mercado local”, disse a governadora.
A diretora-presidente interina da Adepe, Roberta Andrade, destacou o impacto social da iniciativa, especialmente em municípios com menor dinamismo industrial. “Esses laboratórios representam um investimento estratégico em qualificação profissional, inovação e inclusão produtiva”, completou.
Expansão da qualificação mira demanda da indústria
Segundo o diretor-presidente do NTCPE, Pedro Miranda, a ampliação dos laboratórios surge a partir de uma demanda identificada nos próprios municípios e também do crescimento da necessidade de profissionais qualificados por parte da indústria confeccionista pernambucana. O tema, inclusive, esteve no centro das discussões realizadas na última segunda-feira (25), durante reunião da governadora Raquel Lyra com representantes do setor produtivo, prefeitos, parlamentares e lideranças empresariais.
De acordo com ele, cidades contempladas pelo projeto já demonstravam potencial para atuar como fornecedoras de mão de obra para o setor, mas ainda enfrentavam limitações na oferta de qualificação técnica. “Esses laboratórios foram uma demanda de prefeitos, secretários de desenvolvimento e empresários que identificam que esses municípios têm capacidade de se formalizar e de ofertar mão de obra para a indústria pernambucana”, afirmou.
Pedro Miranda destacou ainda que o NTCPE já desenvolve ações semelhantes em municípios como Passira e Salgadinho, mas reconhece que a procura por capacitação supera a estrutura atualmente disponível. “A gente faz microcursos de 15 dias, um mês, com turmas pequenas, mas isso ainda não atende à necessidade da indústria. Precisamos ampliar e incrementar essas ações porque a demanda é muito maior”, disse.
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