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Anvisa mantém suspensão dos produtos da Ypê, que inicia reembolso e troca

Diretores citaram histórico recorrente de contaminação e risco sanitário alto. Recolhimento imediato foi suspenso, mas empresa Química Amparo, dona da marca Ypê, deve apresentar plano lote a lote
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  1. Anvisa mantém suspensão dos produtos Ypê por contaminação microbiológica recorrente e risco sanitário alto.
  2. Química Amparo deve apresentar plano de ação com análise de risco para liberação gradual dos lotes.
  3. Bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
  4. Inspeções apontaram 76 irregularidades em etapas críticas do processo produtivo e Boas Práticas de Fabricação.
  5. Ypê inicia reembolso e troca para consumidores com lotes numeração final um via SAC da empresa.
A Química Amparo deverá apresentar plano de ação baseado em análise de risco, com possibilidade de liberação gradual lote a lote dos produtos Ypê sob acompanhamento técnico da Anvisa. Foto: Ypê/Divulgação
A Química Amparo deverá apresentar plano de ação baseado em análise de risco, com possibilidade de liberação gradual lote a lote dos produtos Ypê sob acompanhamento técnico da Anvisa. Foto: Ypê/Divulgação

Com quatro votos a zero, a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve nesta sexta-feira (15) a suspensão de fabricação, comercialização, distribuição e uso das linhas de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca Ypê, da Química Amparo, para todos os lotes com numeração final 1. A decisão encerra o recurso administrativo com efeito suspensivo apresentado pela empresa contra a Resolução RE 1.834/2026. Os diretores afirmaram que as medidas adotadas pela Química Amparo foram insuficientes, citaram “histórico recorrente de contaminação microbiológica” e classificaram o risco sanitário como alto.

A Diretoria suspendeu a obrigação de recolhimento imediato dos lotes. A empresa deverá apresentar plano de ação baseado em análise de risco, com possibilidade de liberação gradual lote a lote sob acompanhamento técnico da Anvisa.

A bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca, segundo inspeções realizadas em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária Municipal de Amparo, onde fica a unidade da Química Amparo. As fiscalizações apontaram 76 irregularidades com descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade, comprometendo as Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes exigidas pela Anvisa.

Votos e fundamentação

O diretor-presidente Leandro Pinheiro Safatle afirmou que as medidas implementadas pela empresa foram insuficientes e citou o histórico recorrente de contaminação. “Não se trata de um problema isolado, mas de um conjunto de evidências técnicas que indicam falhas no controle do processo de fabricação”, disse.

O diretor Thiago Campos defendeu que, em matéria sanitária, “aguardar certeza absoluta do dano significa agir tardiamente”. A diretora Daniela Marreco classificou o risco como alto e afirmou que a repercussão do caso gerou “discussão polarizada” que não reflete as motivações técnico-científicas da agência.

O diretor Daniel Pereira, último a votar, reconheceu a relevância econômica da empresa, mas afirmou que isso “não pode se sobrepor ao dever institucional da agência na proteção da saúde pública”, e defendeu acompanhamento contínuo para possibilitar retomada das atividades o quanto antes.

Reembolso e troca: como solicitar

A Ypê iniciou o processo de reembolso e troca dos produtos afetados. Consumidores com lotes de numeração final 1 nos detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes devem suspender o uso imediatamente e acionar o SAC da Ypê para solicitar orientação sobre troca ou ressarcimento.

A Anvisa reiterou que a responsabilidade pelo recolhimento, troca e devolução é da empresa, cujo SAC vem apresentando problemas de atendimento segundo registros da própria agência. A Ypê mantém paralisadas as linhas de produção da fábrica de líquidos desde 7 de maio e informou estar em colaboração com a Anvisa na busca por solução definitiva.

Unilever havia denunciado à Anvisa em 2025

Documentos obtidos pela CNN Brasil mostram que a Unilever, dona das marcas Omo, Comfort e Cif, protocolou petições junto à Anvisa e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) em 2025, apontando a presença de Pseudomonas aeruginosa em lotes da linha Tixan Ypê Express, com base em laudos do laboratório Charles River. Em manifestação protocolada em 9 de outubro de 2025, classificada como urgente, a multinacional apontou “desvio microbiológico relevante” em dez lotes e alertou para risco ampliado a consumidores imunodeprimidos. A Química Amparo negou as alegações à época.

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