
O ministro Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em sua cerimônia de posse, o magistrado deixou claro que o principal desafio da Justiça Eleitoral para o pleito de outubro será o enfrentamento ao uso inadequado da inteligência artificial. O novo comando da Corte terá a responsabilidade de gerir as eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados em um cenário digital cada vez mais complexo.
No discurso de posse, Nunes Marques ressaltou que a tecnologia, embora inovadora, pode se tornar uma ferramenta de desestabilização se utilizada para manipular a vontade do eleitor.
“Devemos estar atentos a tecnologias, que, quando mal utilizadas, podem representar ameaças ao nosso processo democrático. Vivemos em uma era em que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem atravessar algoritmos”, alertou o ministro perante autoridades dos Três Poderes.
A preocupação do novo presidente reflete as resoluções aprovadas pelo TSE ainda em março deste ano. As normas proíbem expressamente o uso de deepfakes, conteúdos em áudio ou vídeo gerados por IA para simular falas de candidatos, e impõem sanções severas, como a cassação do registro de candidatura. O tribunal também estabeleceu que qualquer conteúdo eleitoral fabricado tecnologicamente deve conter um aviso explícito de que foi gerado por IA.
O protagonismo do eleitor nas eleições gerais
Para Nunes Marques, as eleições de 2026 possuem um peso histórico singular, sendo classificadas por ele como uma das mais importantes desde a redemocratização. O ministro defendeu que o processo deve ser centrado no cidadão e na importância do voto como ferramenta de dignidade.
“O voto não constitui mero ato formal de participação política, representa expresso de pertencimento cívico, de dignidade democrática e de confiança nas instituições da República”, destacou.
O novo presidente assegurou que o tribunal atuará de forma técnica e firme para manter a transparência das etapas de votação. A meta é garantir que a disputa política ocorra dentro de limites éticos, tanto nas ruas quanto no ambiente digital.
“Reputo essencial que o Tribunal Superior Eleitoral cumpra com sua missão constitucional de organizar, orientar e fiscalizar as eleições, para sejam eleições limpas e transparentes”, afirmou.
Defesa das urnas eletrônicas e tecnologia de ponta
Em continuidade à postura adotada por seus antecessores, Nunes Marques fez uma defesa enfática do sistema brasileiro de votação. Ele classificou as urnas eletrônicas como um ativo fundamental do país e uma referência tecnológica para outras nações. O tribunal mantém um calendário rigoroso de testes públicos de segurança para afastar suspeitas de vulnerabilidade.
”O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia. No tocante à apuração, recepção e divulgação dos votos, o nosso sistema é o mais avançado do mundo”, completou o magistrado.
O novo presidente assume com o desafio de manter a confiança pública no sistema após anos de polarização e questionamentos sobre a segurança dos dados.
Perfil e trajetória do novo comando do TSE
Natural de Teresina (PI), Kassio Nunes Marques tem 53 anos e possui uma longa trajetória na magistratura federal e na advocacia. Antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, ele integrou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI).
Sua experiência na base do sistema eleitoral é vista como um trunfo para lidar com as demandas regionais em 2026. Ao seu lado, o ministro André Mendonça assume a vice-presidência da Corte.
Também com 53 anos, Mendonça é doutor em Direito pela Universidade de Salamanca e possui histórico na advocacia pública federal. Indicado ao STF em 2021, ele exerceu os cargos de advogado-geral da União e ministro da Justiça. Juntos, os magistrados formam a cúpula que terá o papel de árbitro da política brasileira nos próximos dois anos.
Parcerias com Big Techs e combate à desinformação
Além do foco em IA, a gestão de Nunes Marques deve ampliar os acordos de cooperação com grandes plataformas de tecnologia, como Google e Meta. O objetivo é acelerar a remoção de conteúdos que ataquem a integridade do sistema eleitoral ou disseminem informações falsas sobre o processo de votação.
O Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia (CIEDDE), criado no TSE, continuará operando como braço operacional dessa estratégia.
O tribunal também planeja intensificar campanhas de conscientização para que o eleitor saiba identificar conteúdos manipulados. Com a velocidade das redes sociais, a Justiça Eleitoral entende que a repressão jurídica não é suficiente sem a educação digital da população.
A presidência de Nunes Marques sinaliza um esforço de pacificação, focando na aplicação rigorosa da lei para garantir que o resultado das urnas reflita a vontade popular real.
Com informações da Agência Brasil.
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