
A conta de energia elétrica está mais cara para os consumidores de seis estados do Nordeste e chegará a todos os nove até 3 de maio, com reajustes anuais aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Neste próximo mês, a pressão na fatura ganha um componente adicional: a Aneel confirmou que a bandeira tarifária amarela vigorará em maio, após quatro meses consecutivos de bandeira verde, com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A mudança ocorre pela redução de chuvas na transição do período chuvoso para o seco, que reduz a geração hidrelétrica e exige o acionamento de usinas termelétricas, com custo mais elevado.
As distribuidoras Neoenergia Coelba (BA), Enel Distribuição Ceará (CE), Neoenergia Cosern (RN) e Energisa Sergipe (SE) reajustaram as tarifas em 22 de abril. A Neoenergia Pernambuco aplicou os novos valores a partir de quarta-feira (29) e a Equatorial Alagoas completa o ciclo em 3 de maio. Este seis novos aumentos atingem, no total, cerca de 19,3 milhões de unidades consumidoras no Nordeste. Os estados do Maranhão, Piauí e Paraíba tiveram seus reajustes aplicados no primeiro trimestre do ano.
Reajustes por distribuidora no Nordeste
A Neoenergia Pernambuco, que atende cerca de 4,23 milhões de unidades consumidoras, teve reajuste médio aprovado de 4,25%, com alta de 3,41% para clientes de baixa tensão — incluindo residências — e 7,19% para consumidores de alta tensão. Um consumidor residencial que consome 100 kWh/mês verá sua conta passar de R$ 54,41 para R$ 60,72. O reajuste poderia ter chegado a 9,53% sem a antecipação de R$ 411 milhões em recursos de Uso de Bem Público (UBP) solicitada pela distribuidora, mecanismo que mitigou o impacto imediato. Consumidores eletrointensivos — indústrias de alto consumo — terão reajuste de 32,36%.
A Energisa Sergipe registrou o maior efeito médio entre as distribuidoras nordestinas, com 6,86%, com impacto de 12,36% para média e alta tensão e 5% para residências. A Neoenergia Coelba (BA), que atende 6,77 milhões de unidades consumidoras, teve reajuste médio de 5,85%, com alta de 3,93% para residências e 10,21% para alta tensão.
A Enel Distribuição Ceará, que atende cerca de 3,9 milhões de consumidores, teve reajuste médio de 5,78%, com alta de 4,30% para residências. A Neoenergia Cosern (RN) registrou reajuste médio de 5,40%. A Equatorial Alagoas, que atende cerca de 1,43 milhão de consumidores, terá reajuste médio de 5,43%, com alta de 4,71% para baixa tensão e 7,80% para alta tensão — movimento inverso ao do ano anterior, quando houve redução média de 6,79% nas tarifas da distribuidora.
Pressão estrutural e UBP no centro do debate
A Aneel estimou, em março, que o reajuste médio das tarifas de energia ficaria em 8% em 2026 — projeção quase o dobro da previsão de inflação do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período. Por trás dos reajustes, há pressão crescente de encargos setoriais. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal fundo que banca subsídios do setor, já ultrapassa R$ 50 bilhões no orçamento de 2026.
As distribuidoras nordestinas poderiam ter tido reajustes menores caso tivessem recebido integralmente os recursos de UBP antes do cálculo tarifário. A antecipação desse recurso pela Neoenergia Pernambuco, no valor de R$ 411 milhões, foi o mecanismo que impediu que o reajuste da distribuidora chegasse a 9,53%. A Equatorial Alagoas utilizou mecanismo distinto: o diferimento tarifário, que posterga para ciclos futuros parte dos custos reconhecidos no reajuste atual.
Como reduzir o impacto na conta
A Neoenergia Pernambuco orienta que pequenas mudanças de hábito podem reduzir o impacto da bandeira amarela na fatura. No ar-condicionado, manter a temperatura entre 23ºC e 25ºC e usar a função de desligamento automático durante a madrugada reduz o consumo; modelos Split Inverter podem ser até 60% mais econômicos. No chuveiro elétrico, usar a posição verão pode reduzir o consumo em até 30%, e banhos mais curtos têm impacto direto no fim do mês.
Em iluminação, a substituição por lâmpadas LED pode reduzir o consumo em até 40% em relação a modelos convencionais. Nas geladeiras, verificar a borracha de vedação, manter distância mínima de 10 centímetros da parede e evitar colocar alimentos quentes são medidas que evitam desperdício. A bandeira amarela vigorará durante todo o mês de maio.
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