
O litoral norte de Alagoas vive um momento de mudança. Antes associado a destinos paradisíacos ainda pouco explorados, o trecho que vai de Maragogi à Rota Ecológica dos Milagres vem se consolidando como uma nova fronteira de investimentos imobiliários no Nordeste. O crescimento é impulsionado por uma mudança no perfil dos compradores, cada vez mais vindos de outros estados e até do exterior.
Somente de Pernambuco, pelo menos quatro construtoras e incorporadoras cruzaram a divisa estadual e estão investindo em empreendimentos na região. Os números do setor turístico ajudam a explicar esse movimento.
Apenas no primeiro trimestre de 2026, Alagoas registrou um crescimento de 75% no número de turistas estrangeiros em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Embratur. O destaque vai para a capital Maceió, que liderou o volume de reservas internacionais.
O avanço não é isolado. Em todo o Nordeste, o fluxo de visitantes internacionais cresceu mais de 50% no início do ano, consolidando a região como um dos principais destinos turísticos do Brasil.
Esse cenário tem gerado um efeito direto no mercado imobiliário, especialmente nas áreas ainda em processo de consolidação, como o litoral norte alagoano. A combinação entre belezas naturais preservadas, baixa densidade urbana e valorização crescente tem atraído investidores interessados em ativos voltados à locação por temporada, modelo que vem se tornando predominante na região.

Maragogi no radar internacional
Entre os destinos que mais se destacam está Maragogi, conhecido pelas piscinas naturais e pelo apelo turístico crescente. A cidade vem atraindo investidores de diferentes nacionalidades e regiões do Brasil.
No empreendimento Caminho do Mar, da Queiroz Almeida Incorporadora, 90% dos compradores são de fora de Pernambuco, segundo a coordenadora comercial e de marketing, Gabriela Mendes. Os argentinos respondem por 60% das compras.
“Temos muitos clientes de São Paulo, brasileiros que moram fora do país e também argentinos. Maragogi ainda não é o principal destino de investidores locais, mas é onde vemos maior crescimento”, afirma.
O projeto, localizado à beira-mar e próximo a pontos turísticos como o Caminho de Moisés e o Ecopark, foi totalmente vendido ainda nas fases iniciais, incluindo pré-lançamentos voltados a investidores. “Muitos compraram antes mesmo do projeto estar finalizado. Eles acreditam no potencial da região e nos dados que apresentamos”, explica Gabriela.
A estratégia de comercialização incluiu parcerias internacionais, especialmente com imobiliárias na Argentina, e deve ser ampliada no novo empreendimento da incorporadora, o Caminho das Ondas, também em Maragogi.
“Estamos estruturando ações para apresentar o destino e suas qualidades naturais ao público estrangeiro, que ainda não conhece completamente a região”, diz.

Empreendimentos voltados à rentabilidade
Outro exemplo do novo momento do mercado é o projeto da LMA Empreendimentos, também em Maragogi, na Praia de Peroba. O empreendimento, com 230 unidades, aposta em um modelo híbrido que combina segunda residência e investimento para locação.
Segundo o CEO Leonardo Albuquerque, o público é majoritariamente investidor. “O comparador não vai usar o imóvel o tempo todo. Ele vem uma ou duas vezes por ano e, no restante do tempo, coloca para locação. É um modelo que garante rentabilidade e uso eventual”, afirma.
O projeto já alcançou cerca de 70% de adesão e atraiu compradores de diversas regiões do Brasil, como São Paulo, Brasília, Mato Grosso, Minas Gerais e Santa Catarina, além de investidores internacionais. “Temos clientes portugueses, chilenos, ingleses e americanos. Isso começou com uma imobiliária portuguesa e acabou se expandindo”, relata.
Para Albuquerque, a expansão do turismo e a melhoria da infraestrutura são fatores determinantes para esse movimento. Ele destaca especialmente a expectativa em torno do aeroporto de Maragogi, que deve ser inaugurado ainda este ano. “Isso deve aumentar significativamente o fluxo de turistas, inclusive internacionais. Além de impactar diretamente a valorização e a ocupação dos imóveis”, avalia.

Investidor global e nova lógica de compra
Na avaliação de Eduarda Dubeux, diretora comercial, de marketing e CX da MDNE, o perfil do comprador mudou significativamente. “Existe uma predominância do investidor e de segunda residência, mas é um investidor mais sofisticado, que também valoriza o uso do imóvel. Ele não está olhando apenas para retorno financeiro, mas para um ativo que possa ser usufruído pela família, com liquidez e potencial de renda”, afirma.
Segundo ela, a presença de cerca de 20% de clientes de fora do Nordeste, incluindo compradores internacionais, tem elevado o padrão dos empreendimentos. “Quando você passa a atender um cliente de diferentes regiões do país e até internacional, o nível de exigência aumenta. Isso impacta diretamente o produto, a experiência e o posicionamento”, explica.
Projetos como o Beach Class Patacho, em Porto de Pedras, e o Beach Class Milagres, em São Miguel dos Milagres, são exemplos dessa nova geração de empreendimentos. A executiva destaca ainda que o litoral norte de Alagoas reúne características raras no mercado imobiliário.
“Existe uma combinação muito positiva entre escassez de áreas preservadas, crescente visibilidade do destino e avanço gradual da infraestrutura. Isso abre espaço para uma valorização mais acelerada nos próximos anos”.

Captação milionária acelera novos projetos à beira-mar
O avanço do mercado imobiliário no litoral norte de Alagoas também se reflete na capacidade de captação de recursos para grandes projetos. A construtora pernambucana MaxPlural captou, em 2024, R$ 75 milhões por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) para viabilizar o Max Tulum.
O empreendimento está localizado na Praia do Camacho e teve sua operação financeira concluída em apenas 1 minuto e 46 segundos, evidenciando o forte apetite do mercado e a confiança dos investidores no potencial da região. Os recursos serão direcionados à execução do empreendimento e à estratégia de crescimento da companhia.
Impactos econômicos e geração de empregos
Além da valorização imobiliária, os empreendimentos têm gerado impactos diretos na economia local. No caso do projeto da LMA, a estimativa é de cerca de 250 empregos durante o pico das obras e de 70 a 80 postos de trabalho permanentes após a entrega, em áreas como manutenção, serviços e operação.
“A gente também investe na formação da mão de obra local, capacitando moradores da região. Isso gera renda e desenvolvimento”, destaca Albuquerque.
O crescimento do turismo em Alagoas não apenas sustenta como também acelera essa transformação. O Plano Brasis 2025–2027, apresentado pela Embratur, posiciona destinos como Maceió, Barra de São Miguel e toda a Costa dos Corais, onde se insere Maragogi, como estratégicos para a promoção internacional.
A conectividade aérea é apontada como um dos principais vetores para ampliar o fluxo de visitantes e consolidar a região no mercado global.
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