
A Fazenda Coqueiral realiza neste sábado (11), em sua base na cidade de Sairé, mais uma edição do seu tradicional leilão, que chega ao seu 25º ano consolidado como um dos principais encontros da pecuária de corte no Nordeste. O evento reúne criadores, técnicos e investidores em um ambiente que combina troca de conhecimento, avaliação genética e oportunidades de negócios, em um momento de retomada da atividade no estado.
Após um período de adaptação durante a pandemia, quando o leilão passou a ocorrer exclusivamente em formato virtual, a Coqueiral retomou o modelo presencial sem abrir mão da transmissão online, ampliando o alcance do evento. “Hoje, o leilão tem uma atuação praticamente mundial. Temos criadores acompanhando dos Estados Unidos e de outros países, podendo participar e adquirir animais”, destaca o criador Ricardo Kuhni.
Conhecimento e seleção genética
A programação começa pela manhã, com um dia de campo oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), voltado à difusão de conhecimento sobre melhoramento genético e manejo. A proposta é integrar informação técnica com a prática de mercado, fortalecendo a cadeia produtiva.
Nesta edição, serão ofertados 45 animais entre reprodutores e matrizes, todos rigorosamente selecionados. O número segue a média histórica do evento, que costuma disponibilizar entre 40 e 50 exemplares considerados a “nata” do plantel. “Nosso rebanho produz cerca de 150 animais por ano, mas fazemos uma seleção criteriosa para ofertar apenas os melhores ao público”, explica Kuhni.
Os animais passam por avaliações genéticas e morfológicas, além de exames específicos, como testes andrológicos e de libido nos machos, garantindo segurança ao comprador. Segundo o criador, qualquer exemplar que não atenda aos padrões exigidos é automaticamente retirado da comercialização.
Rusticidade e adaptação ao Nordeste
Outro diferencial do plantel é a criação a pasto, característica que confere maior rusticidade e capacidade de adaptação às condições climáticas do Nordeste. Essa estratégia tem se mostrado decisiva para os criadores da região, marcada por ciclos de chuva e seca.
A escolha pela raça Nelore, predominante no leilão, reforça esse cenário. Conhecida pela eficiência na conversão alimentar e pela resistência às condições adversas, a raça tem ganhado espaço especialmente em áreas da Zona da Mata, onde a cana-de-açúcar vem perdendo competitividade devido às limitações de relevo e mecanização.
Momento favorável para investimentos
O momento também é considerado favorável do ponto de vista econômico. A valorização da arroba do boi e o aumento no preço dos bezerros têm estimulado investimentos em genética. “Quando o criador vê um bezerro sendo vendido por mais de R$ 3 mil, ele passa a entender a importância de investir em reprodutores melhoradores”, pontua Kuhni.
Com a retomada de frigoríficos com inspeção federal em Pernambuco e a ampliação das possibilidades de exportação, a cadeia da bovinocultura de corte volta a se fortalecer no estado, incentivando a busca por animais geneticamente superiores.
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