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Mistura de etanol a 32% na gasolina pode gerar 1 bi de litros e impulsionar o NE

Setor sucroenergético comemora avanço regulatório que pode ampliar mercado em 1 bilhão de litros de etanol anidro, com impacto direto na produção de Pernambuco e outros estados do Nordeste
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cana cana-de-açúcar colheita safra Nordeste NE
O aumento do percentual de anidro na gasolina para 32% vai demandar um bilhão de litros deste combustível. Foto: José Roberto Miranda/Embrapa Territorial

Executivos do setor consideram um avanço o aumento do percentual de adição do etanol anidro à gasolina que pode chegar a 32%. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou que a iniciativa vai crescer o mercado do álcool anidro em 1 bilhão de litros. Ele também está à frente da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia.

O aumento do percentual de anidro na gasolina está previsto na Lei do Combustível do Futuro, aprovada recentemente. “Na Lei, tem o espaçamento para chegar até 35%”, comenta Renato, acrescentando que atualmente se pode graduar entre 28% e 32% de mistura. Anteontem, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que serão realizados testes para ver a possibilidade de aumentar a mistura para 32% ainda este semestre.

“A mistura também é importante porque melhora o meio ambiente”, comenta Renato. O etanol anidro é o que é misturado à gasolina e o hidratado, o que é colocado direto nos veículos. Ambos produzem menos emissões do que os combustíveis fósseis.

A adição de mais álcool anidro à gasolina também vai frear um pouco o preço da gasolina que aumentou como consequência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE
Renato Cunha diz que o aumento da adição para 32% vai demandar 1 bilhão de litros de anidro. Foto: Sindaçúcar/Divulgação

O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar, Alexandre Andrade Lima, afirmou que o aumento do percentual de álcool anidro à gasolina é “um antigo pleito do setor” que produz etanol a partir da cana-de-açúcar e do milho.

Alexandre afirmou que a medida além de ser uma solução que ajuda na descarbonização também é uma forma do mercado absorver a produção do etanol de milho que cresceu muito no Brasil nos últimos anos.

O setor sucroenergético está passando por um momento difícil com o aumento dos custos, como por exemplo dos fertilizantes nitrogenados – que tiveram os preços disparados com o conflito no Oriente Médio -. Também ocorreu a redução do preço da tonelada da cana-de-açúcar. O preço da planta tem uma relação com o preço do açúcar no mercado internacional que apresentou uma redução este ano.

etanol metanol derivados da cana
Com 83% da frota nacional composta por veículos flex, o Brasil tem condições favoráveis para ampliar o consumo de etanol hidratado. Foto: Biodiesel Brasil

O tamanho do mercado do etanol

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, perdendo apenas para a produção de etanol de milho dos Estados Unidos. Segundo informações da Embrapa, o Brasil produziu 44 milhões de toneladas de açúcar e 36,1 bilhões de litros de etanol na safra 24/25. Desse total, 28,9 bilhões de litros foram produzidos a partir da cana-de-açúcar e 7,2 bilhões de litros a partir do milho.

Ainda com relação a mesma safra, a produção de etanol foi composta por 13,9 bilhões de litros de etanol anidro e 22,2 bilhões de litros de etanol hidratado, de acordo com o site da Embrapa.

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