
A trajetória de Rodrigo Cardoso ilustra um movimento cada vez mais presente no Nordeste: o avanço de pequenos empreendedores que, a partir de negócios simples, conseguem escalar operações e entrar no mercado de franquias. Fundador da Bengô Açaí, o empresário projeta faturar R$ 146 milhões em 2026, com uma rede que já ultrapassa 100 unidades e está presente em 12 estados.
O ponto de partida foi distante desse cenário. Rodrigo iniciou a vida profissional em atividades informais e, aos 18 anos, conquistou o primeiro emprego com carteira assinada. Após quase quatro anos no regime CLT, identificou limites de crescimento financeiro e decidiu mudar de rota. Aos 21, ao lado da esposa, deixou o emprego e iniciou a jornada empreendedora com recursos da rescisão.
Consumo de açaí
A virada veio com a expansão do consumo de açaí no país, especialmente no modelo self-service. Sem capital para disputar mercados mais consolidados, o empreendedor adotou uma estratégia pouco convencional: percorreu cerca de 1.200 quilômetros em busca de cidades com menor concorrência e potencial de crescimento. A aposta foi Bacabal, no Maranhão, onde inaugurou a primeira unidade, ainda sob a marca Mix Açaiteria.
O desempenho das lojas próprias abriu espaço para um movimento de verticalização. Em 2019, a empresa passou a contar com fábrica própria, garantindo escala e padronização — etapa fundamental para a expansão do negócio.

A transformação em rede de franquias ocorreu em 2022, com a criação da Bengô Açaí. A nova marca foi estruturada para atender à demanda de investidores interessados no modelo. Em poucos meses, a operação saiu de sete unidades para dezenas de contratos comercializados, inicialmente concentrados no Maranhão e, na sequência, em outros estados do Nordeste.
O crescimento acompanhou o avanço do franchising na região. Apenas no Maranhão, o setor movimentou R$ 4,3 bilhões em 2025, com alta superior a 9%, consolidando o estado como um dos mercados emergentes no país.
Hoje, a Bengô Açaí já soma mais de 100 lojas entre abertas e comercializadas e mantém um plano agressivo de expansão. A meta é atingir 300 unidades até o fim de 2026, com a implantação de mais de 200 novas operações, e chegar a 500 lojas até 2027.
O caso reforça uma tendência clara no mercado: negócios de baixo investimento inicial, aliados a consumo de massa e modelos replicáveis, têm ganhado escala no Nordeste, impulsionando o franchising regional e criando novos polos de crescimento fora dos grandes centros.
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