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STF decide nesta quinta-feira (26) se mantém prorrogação da CPMI do INSS

​Plenário do STF julga liminar de André Mendonça que obriga Davi Alcolumbre a ler requerimento de extensão da CPMI; prazo de encerramento é dia 28 de março
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Plenário do STF
A intervenção do STF atende a um pedido do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que acusa Alcolumbre e a Mesa Diretora de omissão proposital ao ignorarem o pedido de extensão. Foto: Gustavo Moreno/STF

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) define, nesta quinta-feira (26), o futuro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes contra segurados do INSS. Os ministros vão decidir se mantêm a decisão liminar do relator, André Mendonça, que determinou a continuidade dos trabalhos. A sessão está prevista para começar às 14h e ocorre sob forte pressão nos bastidores do Congresso Nacional.

​Na última segunda-feira (23), Mendonça deu um prazo de 48 horas para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), faça a leitura do requerimento de prorrogação. Caso o plenário da Corte derrube a decisão do relator, Alcolumbre não terá a obrigação de estender os trabalhos, o que levaria ao encerramento automático da comissão no próximo dia 28 de março.

Conflito entre Poderes e o papel de Alcolumbre

A intervenção do STF atende a um pedido do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que acusa Alcolumbre e a Mesa Diretora de omissão proposital ao ignorarem o pedido de extensão. Para o ministro André Mendonça, o cumprimento do regimento não é uma escolha política da presidência do Legislativo.

​“Preenchidos os requisitos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Mesa Diretora e a presidência do Congresso não dispõem de margem política para obstar o regular processamento do requerimento de prorrogação de uma CPMI, inclusive seu recebimento, leitura e publicação”, afirmou o ministro em sua decisão.
​O foco nas fraudes e o fator Banco Master

​Iniciada em agosto do ano passado, a CPMI foca em descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. No entanto, o caso ganhou novos contornos quando a comissão passou a investigar supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados.

A suspeita é de que o banco tenha operado esquemas de crédito sem autorização clara dos segurados. ​A tensão aumentou nas últimas semanas devido a acusações de que a CPMI teria vazado conversas pessoais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Os dados foram extraídos de celulares apreendidos pela Polícia Federal e repassados aos parlamentares após autorização do próprio André Mendonça, para fins de investigação.

​Pressão nos bastidores para enterrar a CPI

Apesar dos indícios de irregularidades que afetam milhões de beneficiários do INSS, a prorrogação da comissão enfrenta resistência dentro do Congresso. O principal motivo seria o temor de que a continuidade das investigações exponha políticos que mantinham contato frequente com o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão do STF desta quinta-feira será o fiel da balança entre a blindagem política e o avanço das apurações sobre o sistema financeiro.

O rastro das fraudes e a origem da comissão

A CPMI do INSS foi instalada em agosto de 2025, após uma série de denúncias apontarem que milhões de aposentados e pensionistas estavam sendo vítimas de um “derrame” de descontos não autorizados em seus benefícios.

O foco inicial da investigação foi o esquema de associações e entidades de classe que, em conluio com agentes financeiros, inseriam mensalidades e taxas nos contracheques dos segurados sem qualquer consentimento, movimentando cifras bilionárias de forma irregular.

​Ao longo dos primeiros meses de trabalho, o colegiado convocou gestores do INSS e representantes da Dataprev para explicar as falhas de segurança nos sistemas que permitiam o acesso de terceiros aos dados dos beneficiários.

A investigação revelou que a vulnerabilidade dos dados facilitava não apenas os descontos indevidos, mas também a “venda” de informações privilegiadas para instituições financeiras, o que deu início à segunda fase da CPI, focada no mercado de crédito consignado.

​O cerco ao setor bancário se apertou quando os parlamentares identificaram padrões de comportamento em empréstimos realizados em tempo recorde, muitas vezes minutos após a concessão de novas aposentadorias. Foi nesse cenário que o Banco Master entrou no radar da comissão.

Relatórios de inteligência financeira e depoimentos de vítimas sugeriram que a instituição poderia estar operando em uma zona cinzenta da legislação, utilizando correspondentes bancários para bater metas de concessão de crédito através de métodos agressivos e, em muitos casos, fraudulentos.

​Atualmente, a CPMI acumula um vasto acervo de provas, incluindo quebras de sigilo bancário e telemático de altos executivos do setor financeiro. O embate jurídico no STF e a resistência política no Congresso Nacional ocorrem justamente no momento em que a comissão se preparava para cruzar os dados dos financiadores de campanhas políticas com os lucros obtidos pelas empresas investigadas.

Com informações da Agência Brasil.

Leia também: Por unanimidade, STF limita pagamento de penduricalhos no Judiciário e no MP

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