
O conflito no Oriente Médio sofreu uma nova escalada nesta terça-feira (24) com o lançamento de mísseis iranianos contra o território de Israel. O ataque ocorre apenas um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que as conversas para interromper as hostilidades estavam sendo produtivas. Apesar do otimismo declarado pelo americano, autoridades israelenses de alto escalão consideram improvável que o governo iraniano aceite as exigências dos EUA em futuras negociações.
Em Tel Aviv, as sirenes de ataque aéreo foram acionadas e um prédio de apartamentos de vários andares foi atingido, deixando danos severos. Enquanto as equipes de resgate buscam por civis, as Forças Armadas de Israel intensificaram a contraofensiva.
Na última segunda-feira, caças israelenses realizaram bombardeios em Teerã, focando em centros de comando da Guarda Revolucionária Islâmica e em mais de 50 alvos estratégicos, incluindo depósitos de mísseis balísticos.
Disputa pelo Estreito de Ormuz e impacto no petróleo
O agravamento da crise afeta diretamente a infraestrutura de energia global. O Irã atingiu bases que abrigam forças norte-americanas e promoveu o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, canal vital por onde transita um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Diante desse cenário, o presidente Donald Trump condicionou a suspensão de um plano de ataque às usinas de energia iranianas à reabertura imediata do estreito. O governo do Irã, por sua vez, prometeu revidar qualquer ofensiva focando em infraestruturas de aliados dos Estados Unidos na região.
Diplomacia sob xeque e volatilidade financeira
No campo diplomático, as versões são contraditórias. Enquanto Trump mencionou avanços, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, utilizou as redes sociais para desmentir qualquer diálogo. O líder iraniano afirmou que não houve conversas com os americanos e acusou o uso de notícias falsas para manipular os mercados financeiros e de petróleo.
A incerteza refletiu imediatamente na economia: o petróleo chegou a cair para menos de US$ 100 por barril após sinais de recuo de Trump, mas os preços voltaram a sofrer pressão com a negativa das negociações.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve reunir sua cúpula de segurança ainda esta semana para avaliar as propostas enviadas por Washington, enquanto o Paquistão surge como um possível mediador para encontros diretos em Islamabad.
Trump adia ataques após supostas negociações
Na última segunda-feira (23), o presidente Donald Trump informou ter determinado a suspensão dos ataques à infraestrutura energética do Irã por um período de cinco dias. O mandatário relatou a ocorrência de conversas que classificou como produtivas com o governo iraniano, visando uma resolução completa das hostilidades no Oriente Médio.
Por meio de suas redes sociais, o presidente explicou que, diante do teor construtivo desses diálogos, instruiu o Departamento de Guerra a adiar as ofensivas militares contra as usinas de energia, condicionando a manutenção da medida ao sucesso das reuniões em andamento.
Em contrapartida, uma fonte iraniana afirmou à agência estatal Press TV que não houve qualquer contato, direto ou indireto, com o governo estadunidense. De acordo com o relato, o recuo de Trump teria ocorrido após o governo americano ser alertado de que o Irã retaliaria com ataques a usinas de energia em toda a Ásia Ocidental.
O cenário de tensão se agravou desde o último sábado (21), quando Trump estabeleceu um ultimato para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, sob ameaça de bombardear o sistema elétrico do país, apesar de o direito internacional proibir ataques a infraestruturas civis dessa natureza.
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