
As fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobras (Fafen) em Laranjeiras (SE) e Camaçari (BA) já operam em regime contínuo, ampliando a produção nacional de ureia. Na unidade sergipana, cerca de 60 caminhões carregados de fertilizante saem diariamente da planta, segundo o gerente geral da fábrica, Carlos Renato Sarruf Guimarães. Os pedidos são dos Estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia.
Mesmo assim, a empresa ainda avalia os efeitos desse cenário sobre a demanda doméstica. “Estamos justamente num processo de reconquistar clientes, credenciar novas empresas e ampliar as vendas. Muitas companhias só compravam fertilizante importado porque não tinham oferta nacional. Ainda não é possível afirmar se há impacto direto da guerra ou se é apenas o movimento natural do mercado com a nossa volta”, disse Guimarães.
Mudança de estratégia
A retomada das plantas faz parte da nova estratégia da Petrobras para o setor de fertilizantes. Em 2018, o governo federal e a companhia reduziram investimentos na área e paralisaram unidades consideradas economicamente onerosas, levando o país a depender quase totalmente de fertilizantes importados.
Com a aprovação do plano estratégico mais recente da empresa, a política mudou e a companhia voltou a investir na produção nacional. A retomada das plantas do Nordeste é vista como um passo importante para recuperar a capacidade industrial brasileira nesse segmento.
Segundo William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, a produção nacional deve ganhar participação relevante nos próximos anos. “As duas Fafens, juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), instalada no Paraná, responderão por cerca de 20% da demanda de ureia do Brasil. A expectativa é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos, com uma nova planta em construção em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Para o diretor, a retomada da produção tem impacto direto na segurança do abastecimento agrícola. “Atualmente, praticamente toda a ureia consumida no Brasil é importada. Com a produção nacional, ampliamos a oferta no mercado interno, reduzimos a dependência externa e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio”, destacou.
Produção e impacto econômico de cada Fafen
A Petrobras calcula que cada tonelada produzida no país representa menor exposição às oscilações do mercado internacional e maior segurança para produtores rurais.
A Fafen de Sergipe tem capacidade para produzir até 1.800 toneladas de ureia por dia, enquanto a unidade da Bahia pode chegar a 1.300 toneladas diárias. Além do fertilizante, as plantas também produzem amônia e ARLA 32, produto utilizado na redução de emissões de veículos a diesel.
A reativação das unidades já gera cerca de 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos, movimentando a cadeia industrial e logística do setor de fertilizantes.
Histórico das fábricas
A presença da Petrobras no setor de fertilizantes remonta à década de 1970. A fábrica da Bahia foi inaugurada no polo petroquímico de Camaçari naquele período, enquanto a unidade de Sergipe entrou em operação em 1982, no município de Laranjeiras.

Em 2019, as duas fábricas foram hibernadas e posteriormente arrendadas à empresa Unigel, que passou a produzir e comercializar amônia e ureia nas unidades. Em 2023, as plantas voltaram a ser hibernadas.
A hibernação é um procedimento industrial que mantém os equipamentos preservados para permitir uma retomada mais rápida e segura da produção. Após o retorno das unidades à Petrobras, foram realizadas avaliações técnicas, manutenção, testes de segurança e recomposição das equipes operacionais.
A retomada começou a ganhar ritmo no início deste ano. Em Sergipe, a unidade iniciou a produção de amônia no final de dezembro e passou a produzir ureia em 3 de janeiro. Já a planta da Bahia concluiu a manutenção e entrou em processo de comissionamento, com expectativa de iniciar a produção comercial na sequência.
Expansão prevista
Nos próximos meses, a produção nacional deve ganhar novo reforço com a retomada da Araucária Nitrogenados S.A., no Paraná. Com essa unidade, a participação da produção interna pode chegar a cerca de 20% do mercado brasileiro de ureia.
A Petrobras também planeja concluir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS). Com essa planta em operação, a expectativa é que o país possa atender até 35% da demanda nacional de ureia nos próximos anos.
Para o agronegócio, o avanço da produção interna representa um passo importante para reduzir a vulnerabilidade do Brasil às crises internacionais e garantir o abastecimento de um insumo essencial para a produção de alimentos.
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