
O Nordeste encerrou 2025 com 995 empresas médias e grandes exportadoras responsáveis por US$ 24,3 bilhões em vendas externas pelo critério FOB (Free on Board, valor da mercadoria no porto de embarque, sem frete e seguro internacionais) — base que representa apenas 9,2% das 10.846 firmas desse porte registradas no Sudeste. No mesmo ano, o Brasil acumulou 971 novas empresas exportadoras, recorde da série histórica iniciada em 2008, mas o Nordeste contribuiu com apenas 31 firmas adicionais, o menor crescimento absoluto entre todas as regiões. Os dados constam do Relatório Anual de Comércio Exterior por Porte de Empresas, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta segunda-feira (9).
A concentração da base exportadora nordestina em médias e grandes firmas é estrutural e estável ao longo da série. Em quantidade, a região contabilizou ainda 385 microempresas e MEIs e 217 pequenas empresas exportadoras em 2025, segmentos que, juntos, respondem por menos de 0,7% do valor exportado regional com detalhamento por porte, mas que registraram os maiores avanços percentuais do ano.
O valor exportado pelas médias e grandes nordestinas atingiu o pico recente em 2022, com US$ 25,6 bilhões FOB. Em 2023, recuou para US$ 23,6 bilhões, recuperou-se para US$ 24,0 bilhões em 2024 e avançou marginalmente para US$ 24,3 bilhões em 2025, trajetória de estagnação relativa ao longo de três anos. No mesmo período, o Sudeste passou de US$ 143,7 bilhões para US$ 157,3 bilhões FOB nesse segmento, ampliando a distância em termos absolutos.
A participação do Nordeste na base exportadora nacional de médias e grandes, 8,2% das 12.094 firmas, permanece estável desde 2012, sem trajetória de convergência com Sudeste ou Sul. A região representa cerca de 14% do PIB nacional, mas suas empresas médias e grandes respondem por menos de 12% do valor exportado nesse segmento no país, padrão inferido a partir dos dados nacionais do MDIC, que não apresenta análise estrutural regional explícita no relatório.
No recorte estadual, Bahia e Pernambuco concentram a maior parte das médias e grandes exportadoras nordestinas: 394 e 223 firmas, respectivamente, em 2025. O Ceará registrou 194, o Rio Grande do Norte, 85, e a Paraíba, 49.
Pequenas e microempresas do NE batem recorde histórico em exportações
As empresas de pequeno porte exportadoras do Nordeste registraram em 2025 o maior valor da série histórica: US$ 90,6 milhões FOB, crescimento de 31,3% sobre os US$ 69,0 milhões de 2024. A Bahia liderou o segmento com US$ 35,6 milhões FOB, seguida pelo Rio Grande do Norte (US$ 20,1 milhões) e Pernambuco (US$ 17,6 milhões). O Ceará somou US$ 7,4 milhões e a Paraíba, US$ 1,8 milhão.
As microempresas e MEIs também atingiram recorde: US$ 79,4 milhões FOB, avanço de 15,9% ante os US$ 68,6 milhões de 2024. Pernambuco liderou com US$ 23,4 milhões FOB, seguido por Ceará (US$ 22,4 milhões), Bahia (US$ 15,4 milhões), Rio Grande do Norte (US$ 10,9 milhões) e Paraíba (US$ 2,9 milhões).
Em quantidade, o segmento de pequenas empresas cresceu de 211 para 217 firmas exportadoras na região entre 2024 e 2025. As microempresas e MEIs passaram de 377 para 385. Os dois movimentos são consistentes com a tendência nacional de ampliação da base exportadora de menor porte, impulsionada pela Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), instituída pelo Decreto nº 11.593/2023, que articula União, estados, municípios e entidades privadas para ampliar a participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio exterior.
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