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Tecnologia, frevo e negócios se encontram no Carnaval do Recife

Empresas do Porto Digital e outros setores incorporam blocos ao Carnaval do Recife, transformando a festa em agenda fixa de integração, cultura organizacional e ocupação do espaço urbano
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Bloco de Carnaval Recife MV
O bloco da MV sai toda quarta-feira da semana pré-carnavalesca no Bairro do Recife. Foto: MV/Divulgação

Recife não é só a terra do frevo e do maracatu. É a cidade onde comemorar o Carnaval entrou para os eventos que fazem parte do calendário anual das empresas, assim como as festas de fim de ano. E não há nada que simbolize melhor o carnaval pernambucano do que os blocos. Do presidente do conselho do Porto Digital, Sílvio Meira, a um empresário gaúcho, Paulo Magnus, que tem sua empresa na capital pernambucana: as empresas colocam os seus blocos nas ruas do Bairro do Recife, principalmente na semana pré-carnavalesca.

“O bloco do Carnaval foi incorporado ao calendário anual da empresa. É uma confraternização dos nossos colaboradores. Começamos a organizar em agosto do ano anterior. Contratamos fornecedores e fechamos logo a contratação dos que são difíceis de ter agenda neste período”, resume a diretora corporativa de Gente e Gestão da MV, Elaine Monteiro.

Elaine lembra que o bloco Quem Me Viu, Quem MV surgiu há 12 anos para homenagear o fundador da empresa, o empresário Paulo Magnus, que “veio passar um reinado em Recife, conheceu o Galo da Madrugada e se apaixonou pelo Carnaval”. A agremiação arrastou 200 a 300 pessoas na primeira edição. No ano passado, foram atrás do bloco quase 3 mil pessoas.

O bloco sai nesta quarta-feira (11) e tem a concentração às 19h na Venda do Bom Jesus, em frente à Praça do Arsenal. A empresa manda tem 1 mil colaboradores em Recife, mas manda fazer 2,6 mil kits que são vendidos por R$ 50. “Já vendemos todos. Os colaboradores adoram esta festa. Eles trazem as tias, as crianças, a família inteira. Vem até quem é da família deles e mora fora”, conta Elaine.

A sede da empresa é na Imbiribeira, mas o desfile é no Bairro do Recife. “É o lugar onde a cultura do Carnaval raiz do Recife é viva, se respira frevo. É de arrepiar, quando o bloco vem descendo a Rua do Bom Jesus”, comenta Elaine. “O bloco é um momento de integração e alegria. Este ano escolhemos o tema do Manguebeat e queremos continuar a exaltar a nossa cultura, a conexão com Pernambuco e energizar a todos para o ano que começa”, afirma o CEO da MV, Paulo Magnus.

Presidente do Conselho do Porto Digital, Sílvio Meira, diz que os blocos antigos do Carnaval do Recife eram ligados às profissões das pessoas. Foto: TDS Company/Divulgação

Porco Digital, “o bloco das empresas que têm bloco e das que não têm”

O Bairro do Recife é a sede do Porto Digital, polo formado por muitas empresas da área de tecnologia. No começo dos anos 2000, o empresário Francisco Saboya criou o bloco Porco Digital, fazendo uma greia com o nome da instituição. “O Porco Digital se transformou no bloco dos blocos, das empresas que tem bloco e das que não tem – que são mais numerosas”, resume o presidente do Conselho do Porto Digital, o cientista e professor Sílvio Meira, grande folião dos blocos de Recife e Olinda, como Amantes de Glória, Elefante, Pitombeira, Escuta Levino, Trinca de As, além de ser um dos fundadores do Maracatu Cabra Alada. Antes de dar esta entrevista, Sílvio estava indo para a saída do bloco Este ar que tu respira, que é da empresa dele, a TDS Company, que saiu na terça-feira (10) à noite.

A ligação das corporações com o Carnaval do Recife é antiga. Sílvio lembra que, no início do século XX, os blocos carnavalescos do Recife eram formados por categorias profissionais com nomes como Lenhadores, Vassourinhas – dos que varriam as ruas – , entre outros que comemoravam a “festa pagã”. E continua: “Essa tradição foi carregada por empresas que têm acionistas, donos ou gerentes, que têm uma ligação com esse carnaval antigo, por herança, por absorção de cultura, por interpretação e reinterpretação da realidade ao seu redor”.

O Porco Digital, segundo Sílvio, é “o ponto de encontro” das empresas de tecnologia para “comemorar a existência do Porto Digital com frevo, samba, estandarte numa experiência histórica, cultural e emocional do Recife como parte do distrito de inovação que une tecnologia, cultura e história num mesmo lugar”.

Na sexta-feira da semana pré-carnavalesca, vão sair os blocos Porco Digital, Só falta testar – de quatro empresas embarcadas no Porto Digital:Di2win, Yolo, MEXX e CMTECH -e o Dá o loud, do Cesar, todos no Bairro do Recife. “Só falta testar é uma frase que faz parte da cultura de quem trabalha com software. É uma etapa superimportantente. E aí decidimos ter um bloco para os nossos funcionários, saindo na sexta-feira a tarde com este nome. O Carnaval é uma tradição desta terra”, resume o CEO da Di2win, Paulo Tadeu Araújo. O bloco também convida fornecedores, clientes e conselheiros das empresas.

“Só falta testar” é organizado por quatro empresas que fazem parte do Porto Digital: Di2win, Yolo, MEXX e CMTECH. Foto: Só falta testar/Divulgação

Paulo diz que é “uma brincadeira”, a ideia é confraternizar e que os blocos das empresas de tecnologia são todos “amigos”. Ele também ressalta que o bloco foi incorporado à programação das comemorações das empresas. O Só Falta Testar está na quarta edição, conta com a presença de um boneco gigante durante o desfile e se concentra a partir das 15h na Rua da Guia.

As empresas que fazem o Só Falta Testar tem mais de 100 colaboradores e os organizadores fizeram mais de 200 camisas. “Às vezes, a gente manda a camisa para um fornecedor de fora. É uma forma de chamar a atenção para a festa”, destaca Paulo, que já foi presidente do Dá o Loud.

Um dos blocos mais antigos do pessoal de tecnologia é o Dá o Loud organizado pelo Cesar. Foto:Cesar/Divulgação

Carnaval além do digital

Com mais de duas décadas de existência, o Dá o Loud é um dos blocos mais antigos do pessoal de tecnologia. Vai fazer a concentração na Praça Tiradentes, a partir das 13h, sai às 16h e encerra às 19h. “Vamos encontrando os blocos das outras empresas. É um encontro orgânico. A nossa estimativa é de que um público de 500 a 700 pessoas participem do bloco”, conta a coordenadora de Cultura do Cesar, Raquel Medeiros.

“Entendemos que é importante trazer os nossos colaboradores para o nosso Carnaval. Estamos inseridos num polo carnavalesco. O amor ao Carnaval, que ferve no Bairro do Recife, faz as empresas terem orgulho de ter o seu bloco de Carnaval”, comenta Raquel. O Cesar vende a camisa do bloco por R$ 30. “As pessoas gostam de comprar porque dá um senso de pertencimento”, conta.

Todos os blocos citados acima têm camisa vendidas pelas empresas, mas se o folião quiser, é só chegar e participar da concentração e dos desfiles das agremiações, numa festa que pertence à rua e ao Recife.

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