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Bahia, Maranhão e China: as três potências das exportações nordestinas

Segundo a Sudene, as exportações do Nordeste somaram US$ 24,8 bilhões em 2025, maior volume em três anos. A China absorveu 25% das vendas, com Bahia e Maranhão respondendo por 70% do total
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A soja produzida na região do Matopiba, que inclui áreas dos Maranhão e da Bahia, é um dos principais produtos de exportação do Nordeste, com destino principalmente para a China. Foto: Divulgação

O Nordeste exportou US$ 24,8 bilhões em 2025, o maior volume dos últimos três anos e equivalente a 7% de todas as exportações brasileiras, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (2) pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O desempenho regional apresenta duas realidades estruturais: a China absorveu 25% de todas as vendas nordestinas, consolidando-se como principal parceira comercial da região, e apenas dois estados (Bahia e Maranhão) respondem por 70% do total exportado.

Enquanto as exportações subiram, as importações nordestinas caíram de US$ 28,7 bilhões em 2024 para US$ 27,2 bilhões em 2025. Este padrão, com crescimento de vendas e redução de compras externas, sugere que a região não apenas expandiu sua penetração em mercados internacionais, mas também reforçou as cadeias produtivas locais, dependendo menos de insumos de fora.

Os dados integram os novos painéis de comércio internacional do Data Nordeste, plataforma pública de informações econômicas desenvolvida pela Sudene que reúne e organiza estatísticas estratégicas sobre a região em formato de painéis interativos, permitindo rastreamento desde 2010 com desagregação por estado e município.

Produtos do reino vegetal lideram pauta exportadora

Produtos do reino vegetal somaram US$ 6,9 bilhões, respondendo por aproximadamente 28% do volume total exportado. Em seguida, minerais registraram US$ 4,6 bilhões — que inclui desde petróleo bruto até minério de ferro. Produtos das indústrias alimentares totalizaram US$ 2,1 bilhões, completando o grupo de três categorias que responde por 60% de todas as exportações nordestinas.

Este perfil de exportações revela um padrão: o Nordeste exporta principalmente commodities e produtos primários com baixo conteúdo tecnológico. Especialistas da Sudene identificam neste cenário uma oportunidade, não para abandonar as vantagens que a região tem (agrícolas e minerais), mas para caminhar progressivamente em direção a produtos com mais valor agregado. A bioeconomia, com o uso da biodiversidade regional como matéria-prima produtiva, é um caminho possível.

China consolida-se como principal mercado, EUA avança

A China absorveu US$ 6,22 bilhões das exportações nordestinas — equivalente a 25% do total — e é o principal destino para commodities agrícolas e minerais que abastecem a economia chinesa. Os Estados Unidos figuraram em segundo lugar com US$ 2,89 bilhões, seguido pelo Canadá com US$ 2,72 bilhões.

Na América do Sul, a Argentina foi o principal parceiro com US$ 1,62 bilhão, indicando integração comercial regional em crescimento. Na Europa, os Países Baixos concentraram US$ 1,19 bilhão em importações de produtos nordestinos, volume significativo para o tamanho do país, explicado pelo papel de centro de distribuição que Rotterdam desempenha.

Bahia lidera exportações com quase metade do volume regional

Bahia respondeu por US$ 11,52 bilhões em exportações, aproximadamente 46% de tudo o que o Nordeste vendeu internacionalmente. Para referência, este volume é comparável ao de países como Uruguai ou Paraguai.

Maranhão ocupou segunda posição com US$ 5,49 bilhões, beneficiando-se de exportação de produtos primários (soja, ferro, alumínio). Pernambuco somou US$ 2,36 bilhões, enquanto Ceará registrou US$ 2,30 bilhões. Os demais estados apresentaram volumes menores: Rio Grande do Norte (US$ 1,14 bilhão), Piauí (US$ 850 milhões), Alagoas (US$ 580 milhões), Sergipe (US$ 510 milhões) e Paraíba (US$ 140 milhões).

Importações nordestinas centradas em minerais e química

No lado das compras externas, produtos minerais lideraram a pauta com US$ 10,98 bilhões — equivalente a 40% de todas as importações nordestinas. Este volume elevado reflete importação de petróleo bruto (necessário para refinarias regionais) e demanda por insumos minerais para setores como energia e construção.

Produtos químicos somaram US$ 4,56 bilhões, essenciais para indústrias de petroquímica, alimentos processados e agricultura. Máquinas, aparelhos, material elétrico e equipamentos de gravação/reprodução de som e imagem totalizaram US$ 3,34 bilhões, refletindo importação de tecnologia e bens de capital necessários à modernização produtiva regional.

Quanto à origem das importações, Estados Unidos e China respondem por 53% de todas as importações nordestinas). Os EUA responderam por US$ 7,71 bilhões, sendo o principal fornecedor externo do Nordeste. A China apareceu em segundo lugar com US$ 5,19 bilhões, seguida por Rússia (US$ 1,55 bilhão), com importação de fertilizantes, e Argentina (US$ 1,42 bilhão).

Bahia concentra maioria absoluta das importações

Bahia importou US$ 12,83 bilhões — aproximadamente 47% de todas as importações nordestinas. Maranhão registrou US$ 10,50 bilhões (volume elevado relacionado a demanda de fertilizantes e insumos para agronegócio). Pernambuco somou US$ 7,10 bilhões e Ceará US$ 6,50 bilhões.

Paraíba (US$ 1,47 bilhão), Alagoas (US$ 1,31 bilhão), Sergipe (US$ 842 milhões), Rio Grande do Norte (US$ 658,49 milhões) e Piauí (US$ 362,41 milhões) completaram o cenário, todos com volumes substancialmente inferiores aos quatro estados maiores.

Oportunidades em bioeconomia e agregação de valor

Para José Farias, economista e coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, o desempenho reforça papel das exportações como vetor de desenvolvimento regional. “O comércio internacional é fator importante para desenvolvimento do Nordeste”, analisa Farias, ressaltando que “as exportações são canal comercial relevante” ao mesmo tempo que “importações permitem identificar oportunidades e estruturar estratégias de abertura de novos negócios internacionais”.

O especialista identifica na bioeconomia, conjunto de atividades que utilizam biodiversidade regional como insumo produtivo, um potencial particularmente relevante. “O Nordeste tem potenciais interessantes que despertam crescente interesse internacional, a exemplo de produtos em cadeias produtivas da bioeconomia. É conjunto de fatores: identificar novas demandas e desenvolver estratégias para aumentar valor agregado dos itens”, detalhou.

Esta perspectiva sugere que a região, mais do que repetir padrão histórico de exportador de commodities, possui capacidade de transitar para produtos com maior conteúdo tecnológico e ambiental agregado, com aproveitamento de vantagens comparativas (biodiversidade) para segmentos de demanda crescente (bioeconomia e produtos sustentáveis).

Metodologia e acesso aos dados

Os painéis do Data Nordeste utilizam o Sistema Harmonizado (SH) — nomenclatura adotada internacionalmente desde 1988 e mantida pela Organização Mundial das Aduanas. A plataforma permite acompanhar a evolução de exportações e importações desde 2010, com dados por estado, município, origem e destino dos produtos, além de valores agregados.

Os dados seguem padrões internacionais e estão disponíveis para consulta pública. Segundo a Sudene, isto aumenta a transparência e apoia decisões de gestores, pesquisadores, investidores e da sociedade em geral.

*Com informações da Sudene

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