
O início da obras de dragagem do Porto do Recife rompe um hiato de mais de uma década com a confirmação para março deste ano. O contrato assinado pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e pela governadora Raquel Lyra, oficializa um aporte de R$ 100 milhões destinados à readequação da infraestrutura aquaviária. O projeto é o alicerce técnico para elevar a profundidade mínima do terminal para 12 metros, permitindo que o atracadouro receba navios de até 210 metros de comprimento, corrigindo gargalos logísticos que limitam a economia pernambucana.
A execução do cronograma será dividida em duas etapas financeiras: R$ 54,1 milhões já empenhados no exercício de 2025 e outros R$ 45,8 milhões previstos para este ano. Com conclusão estimada para maio de 2027, a intervenção foca no alargamento do canal de acesso para 240 metros e na estruturação de uma bacia de manobra com 500 metros de diâmetro.
Para o mercado, o “start” em março é a garantia de previsibilidade necessária para o leilão do Terminal de Passageiros (TMP-Recife), marcado para o dia 26 de fevereiro na B3, em São Paulo.
O aprofundamento do calado para 10,7 metros operacionais não apenas melhora a segurança das manobras, mas reduz drasticamente o “Custo Recife”. Segundo o ministro Silvio Costa Filho, a obra é um ativo estratégico para a integração regional.
“Esse investimento em uma obra aguardada há mais de dez anos reforça o compromisso do governo com o desenvolvimento regional e a ampliação da capacidade dos portos brasileiros. Ao permitir a chegada de navios maiores, o Porto do Recife reduz custos logísticos”, destacou o ministro durante a cerimônia na capital pernambucana.
Calendário de obra no Porto do Recife
A janela de execução de março de 2026 a maio de 2027 coincide com a estratégia de fortalecimento da navegação de cabotagem na região Nordeste. Ao garantir que o Porto do Recife opere navios de classe mundial, o estado amplia sua competitividade frente a outros terminais da região.
Para o setor de cruzeiros, a readequação é vital para integrar a cidade a um circuito de alto padrão com Maceió e Salvador. A governadora Raquel Lyra enfatizou que a parceria com o Governo Federal foi “decisiva para destravar obras sonhadas há muito tempo por Pernambuco”.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcante, reforçou que o aumento do calado é a bússola para a modernização do terminal. “Vamos receber navios maiores, reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade e melhorar também a operação de cruzeiros e a experiência dos turistas”, avaliou.
O redesenho submarino é visto como um imã para novos investimentos privados, que agora passam a contar com um Porto do Recife operando dentro dos padrões internacionais de profundidade e segurança.
O leilão do TMP e o apetite do investidor
A publicação do edital no Diário Oficial da União (DOU) coloca o Terminal de Passageiros no centro das atenções do mercado portuário. O leilão na B3 prevê investimentos de R$ 2,3 milhões e uma concessão de 25 anos. A proximidade entre a batida do martelo em São Paulo e o início das dragagens no Recife em março reduz o risco regulatório para os proponentes.
O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Dias, ressaltou que esse primeiro bloco de leilões de 2026, que inclui terminais em Natal, Porto Alegre e Santana, reflete uma visão de longo prazo.
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