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Francesa EDF e chinesa Goldwind reativam fábrica baiana de torres eólicas

Contrato entre EDF Renewables (França) e Goldwind (China) reativa fábrica fechada há três anos em Jacobina. Governador Jerônimo Rodrigues participou de solenidade em Camaçari
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Francesa EDF e chinesa Goldwind reativam fábrica baiana de torres eólicas em Jacobina
Solenidade de assintura de contrato entre EDF Renewables e Goldwind aconteceu na sede da companhia chinesa, em Camaçari. Foto: Amanda Ercília/GOVBA

A fábrica de torres de aço de Jacobina, fechada há três anos, retoma produção nesta semana após assinatura de contrato entre EDF Renewables e Goldwind na terça-feira (27), em Camaçari. A solenidade contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues. O acordo formaliza a reativação industrial, interrompida em 2022, e vincula a operação baiana diretamente à cadeia de suprimento da EDF para parques eólicos em múltiplos estados.

A Goldwind assumirá engenharia, padronização de processos e governança industrial. A decisão materializa protocolo de intenções firmado em 2023, que já havia estabelecido incentivos fiscais, cronograma de reativação e estrutura de fornecedores regionais.

A retomada da unidade industrial deve impactar diretamente a economia regional, com a reativação da cadeia produtiva e a geração de empregos ligados à indústria de energia renovável.

Durante o anúncio, o governador Jerônimo Rodrigues destacou a importância de ampliar o uso da energia renovável produzida no semiárido baiano pela própria indústria local. Segundo o governador, a expansão do setor fortalece a economia, gera empregos qualificados e posiciona a Bahia como produtor estratégico de hidrogênio verde a partir da energia solar e eólica.

Tanque Novo integra baterias a turbinas

A Goldwind expandiu o escopo do acordo com decisão paralela: acordo com Senai Cimatec para implantação, em Tanque Novo (também na Bahia), de sistema de armazenamento em baterias integrado a aerogeradores. A solução cria arquitetura híbrida, com geração eólica acoplada a estocagem de energia e que não existe em escala industrial no Brasil hoje.

Tanque Novo funcionará como extensão tecnológica de Jacobina: enquanto a fábrica produz estruturas para turbinas, o projeto de armazenamento testa integração desses equipamentos com baterias, criando parques “inteligentes” que geram energia e a armazenam na mesma operação.

O arranjo entre Jacobina (manufatura) e Tanque Novo (armazenamento) consolida infraestrutura regional para transição energética — não apenas produzindo componentes, mas experimentando modelos de operação que o mercado demanda.

Posicionamento estratégico: EDF executa, Goldwind governa

A estrutura contratual revela divisão clara de responsabilidades. A EDF Renewables integra a fábrica ao seu portfólio de produção, utilizando Jacobina como elemento de suprimento direto para implantação de parques em estados como Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia. Significado prático: em vez de comprar torres de terceiros, a EDF terá fornecimento garantido e integrado verticalmente.

A Goldwind, multinacional chinesa com presença global em fabricação de turbinas e sistemas híbridos, assume engenharia, padronização de processos e governança industrial. A Goldwind define como a fábrica opera, estabelecendo padrões de qualidade, cronogramas e especificações técnicas. A EDF se posiciona como cliente âncora.

Este modelo de governança compartilhada, um como cliente/proprietário, outro como operador técnico, reduz riscos para ambas: a EDF garante suprimento, enquanto a Goldwind garante operação sob seus padrões globais.

Protocolo de 2023 estrutura incentivos e cluster regional

O contrato desta semana materializa protocolo de intenções de 2023 que havia estabelecido, com incentivos fiscais para reativação industrial, cronograma de retorno às operações e estrutura de cluster com fornecimento de partes e peças complementares

O “cluster” significa que fornecedores regionais de aço, componentes eletrônicos, serviços de soldagem e montagem integram a cadeia de Jacobina — ao invés de importação ou compras de longa distância. Para a Bahia, isso significa multiplicador econômico: a fábrica puxa demanda de pequenas e médias empresas da região.

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