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Carnaval 2026: Pernambuco e Bahia projetam alta de faturamento em restaurantes

​Estados estimam aumento nas vendas em até 82% para o Carnaval deste ano impulsionado por turismo e gestão
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Cerca de 30% dos bares na Bahia, e 27% em Pernambuco, decidiram não aumentar os preços nos últimos 12 meses e manter os valores do cardápio para não afastar os clientes. Foto: divulgação/Abrasel-PE.

O setor de alimentação fora do lar no Nordeste entra na semana do Carnaval 2026 com uma confiança baseada em números reais de recuperação. Em Pernambuco, a maioria dos donos de bares e restaurantes (82%) espera vender mais neste ano, enquanto na Bahia esse sentimento atinge 73% dos negócios. O otimismo não é por acaso: o fim de 2025 foi positivo, com mais da metade dos empresários baianos fechando as contas no azul e o mercado pernambucano registrando aumento no movimento de clientes desde agosto.

Os números integram pesquisas divulgadas pelas praças pernambucana e baiana da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A entidade alerta que, apesar da expectativa de boas vendas, o lucro ainda exige cuidado por causa dos altos custos de operação.

Cerca de 30% dos bares na Bahia, e 27% em Pernambuco, decidiram não aumentar os preços nos últimos 12 meses. Eles preferiram manter os valores do cardápio para não afastar os clientes, mesmo pagando mais caro por insumos e energia.

No cenário da economia regional, o Carnaval funciona como o grande motor para fazer o dinheiro circular logo no começo do ano, ajudando a pagar as contas acumuladas e a manter os empregos.

​A movimentação financeira esperada reflete um amadurecimento na gestão dos negócios. Os donos de restaurantes usaram o dinheiro que sobrou de dezembro para preparar a estrutura para a folia. Em Pernambuco, as boas vendas do fim de ano permitiram contratar reforços para as equipes e organizar o estoque.

Na Bahia, a expectativa de crescimento é variada, mas uma parte importante dos empresários acredita que pode vender até 50% mais do que no ano passado, especialmente nos locais onde os turistas costumam se concentrar.

Eficiência no trabalho e preços controlados

​O equilíbrio entre cobrar um preço justo e ainda conseguir ter lucro tem sido o maior desafio dos donos de negócios nesta temporada. Tony Sousa, presidente da Abrasel-PE, destaca que o setor não está apenas contando com a sorte, mas com muito planejamento.

“O que vemos é um setor mais confiante e estrategicamente posicionado. Isso reflete a força da data para o nosso estado e a preparação das equipes para transformar esse fluxo em resultados reais”, afirma. Segundo ele, a saída para lucrar sem aumentar os preços foi controlar melhor as compras e evitar o desperdício na cozinha.

​Para os restaurantes de Pernambuco, o dinheiro que entrou em dezembro serviu para “arrumar a casa” antes do Carnaval. Segundo Sousa, esse fôlego financeiro permitiu que os empresários chegassem em janeiro com as contas mais equilibradas.

“Muitos empresários conseguiram equilibrar contas, formar caixa e se preparar melhor para o Carnaval. Isso se refletiu em reforço de equipes, ajustes operacionais e pequenas melhorias na estrutura”, destaca.

​Mudança e conforto na Arena Gastronômica

​O Recife aposta na estrututura para atrair clientes que valorizam o conforto. O tradicional espaço de alimentação saiu da praça do Arsenal e vai opera no Armazém 14, que agora se chama Arena Gastronômica.

A ideia é oferecer um lugar climatizado e mais organizado para quem quer comer bem entre um bloco e outro. Sobre essa mudança, o presidente da Abrasel-PE explica que o folião ganha em qualidade de serviço.

“O Armazém 14 é um espaço com ar-condicionado e um projeto especial de decoração. É um lugar para o folião se alimentar bem, descansar um pouco e depois seguir com energia”, explica.

​A localização da nova arena, na avenida Alfredo Lisboa, foi pensada para facilitar o acesso de quem chega de transporte por aplicativo ou táxi. Tony Sousa acredita que estar em um ponto central ajuda a transformar o fluxo de pessoas em clientes.

“As duas coisas caminham juntas. Quando você cuida bem da experiência, o movimento acontece naturalmente, beneficiando tanto quem vende quanto quem está se divertindo”, diz ele, destacando que o foco é oferecer um serviço de qualidade no coração da festa.

Recuperação das contas e força do turismo

Na Bahia, a animação dos empresários vem do bom desempenho dos hotéis e da grande quantidade de visitantes que Salvador tem recebido. Leandro Menezes, presidente da Abrasel-BA, liga a expectativa de vendas altas ao sucesso do turismo na capital baiana.

“Salvador encerrou o ano com muitos visitantes. Nesse cenário, os empresários estão otimistas e projetam vender mais do que em 2025”, afirma. O setor baiano aposta na grande quantidade de clientes para compensar o aumento nos custos de produção.

​Mesmo com a maioria dos restaurantes baianos mantendo os preços dentro ou abaixo da inflação, a estratégia é ganhar na quantidade de pratos e bebidas vendidos. A pesquisa mostra que pouquíssimos empresários (apenas 3%) temem vender menos que no ano passado.

O fato de os donos de negócios estarem mais atentos ao controle de custos, como apontado pelas lideranças dos dois estados, indica que 2026 será um ano de maior segurança financeira para quem trabalha com alimentação.

Leia também: Camarotes privados: modelo de negócio impulsiona
economia de PE no Carnaval 2026

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