
O Nordeste registrou a maior redução proporcional da pobreza no Brasil entre 2023 e 2024, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa da população da região abaixo da linha de pobreza — definida em US$ 6,85 PPC por dia, ou R$ 694 por mês — caiu de 47,2% para 39,4%, uma retração de 7,8 pontos percentuais.
No mesmo período, a Região Sul teve a menor proporção de pobreza, com 11,2% da população abaixo do mesmo critério.
Em âmbito nacional, a pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, o que representa uma saída de 8,6 milhões de pessoas dessa condição. A extrema pobreza — definida por rendimentos inferiores a US$ 2,15 PPC por dia (R$ 218 mensais) — caiu de 4,4% para 3,5%, o equivalente a 1,9 milhão de pessoas a menos em situação extrema.
Programas sociais e aposentadorias contiveram avanço da pobreza
De acordo com o IBGE, sem os programas sociais, a proporção da população brasileira em extrema pobreza teria subido para 10,0%, e a taxa de pobreza alcançaria 28,7%.
Entre os idosos, o impacto seria ainda mais significativo. Sem aposentadorias e pensões, a pobreza nesse grupo subiria de 8,3% para 52,2% e a extrema pobreza de 1,9% para 35,2%.
No Nordeste, os programas sociais foram particularmente decisivos. O índice de Gini da região — que mede a desigualdade de renda — passaria de 0,499 para 0,582 na ausência desses benefícios, uma alta de 16,4%, a maior entre todas as regiões.
Pretos, pardos, mulheres e informais seguem entre os mais afetados
As desigualdades sociais permaneceram evidentes em 2024. Pessoas pardas apresentaram taxa de pobreza de 29,8%, enquanto 25,8% dos pretos estavam abaixo da linha da pobreza. Entre brancos, esse percentual foi de 15,1%.
Mulheres registraram taxa de pobreza de 24,0%, contra 22,2% entre homens. A situação foi mais crítica entre mulheres pretas ou pardas, grupo em que 30,4% eram pobres e 4,5% estavam em extrema pobreza.
Na população ocupada, 12 milhões de trabalhadores estavam em condição de pobreza. Os maiores índices foram entre os sem carteira assinada (20,4%), trabalhadores por conta própria (16,0%) e os que atuam na agropecuária (29,3%) e em serviços domésticos (22,9%). Entre os com carteira assinada, a taxa foi de 6,7%.
Brasil tem maior proporção de trabalhadores pobres entre países da OCDE
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil tem a maior proporção de trabalhadores pobres entre os 40 países analisados: 16,7%. A Costa Rica aparece em segundo lugar (15,1%) e o México em terceiro (14,2%).
A classificação considera trabalhadores que vivem em domicílios com renda domiciliar per capita inferior a 50% da mediana nacional, mesmo com ao menos uma pessoa ocupada.
Em 2024, a pobreza entre pessoas desocupadas no Brasil atingiu 47,6%. Entre aqueles fora da força de trabalho, o percentual foi de 27,8%. A extrema pobreza foi registrada em 0,6% dos ocupados, 13,7% dos desocupados e 5,6% da população inativa.
Desigualdade permanece entre as maiores do mundo
O índice de Gini brasileiro foi estimado em 0,504 em 2024, mas subiria para 0,542 caso os benefícios sociais fossem retirados.
No ranking da OCDE, o Brasil tem a segunda maior desigualdade de renda entre os países analisados, ficando atrás apenas da Costa Rica. Em 2022, o rendimento dos 20% mais ricos era 11 vezes superior ao dos 20% mais pobres. A média da OCDE é de 5,3 vezes.
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