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Energia: Brasil atinge 50% de renováveis, recorde graças ao NE

Com avanço da energia solar e eólica, Nordeste consolida posição estratégica na matriz energética nacional
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Obras das usinas do complexo solar Coremas, na Paraíba, construído pela Rio Alto Energias Renováveis e adquirido pela CEEC Brasil, subsidiária da estatal chinesa China Energy Engineering Corporation. Foto: Rio Alto/Divulgação
Obras das usinas do complexo de energia solar Coremas, da Rio Alto Energias Renováveis, na Paraíba, adquirido pela CEEC Brasil, subsidiária da estatal chinesa China Energy Engineering Corporation. Foto: Rio Alto

A matriz energética brasileira alcançou em 2024 a marca de 50% de participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia (OIE), segundo a Resenha Energética Brasileira 2025, divulgada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no dia 27 de novembro. Trata-se do maior nível já registrado na série histórica. O desempenho representa um avanço de 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior e consolida a posição do Brasil entre os países com maior participação de fontes limpas no mundo.

A média global de renováveis na matriz energética é de 14,2%, enquanto nos países da OCDE é de 13,0%. A evolução observada no Brasil foi sustentada, em grande parte, pela expansão da geração eólica e solar no Nordeste, que concentrou os principais crescimentos do ano e se consolidou como base territorial da transição energética nacional.

Em 2024, a OIE brasileira totalizou 322 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep), com crescimento de 2,4% frente a 2023. As fontes renováveis representaram 161 Mtep, com aumento de 4,3% no período. Os principais acréscimos foram registrados nas fontes solar (alta de 33,2%), eólica (12,4%) e outras renováveis, como biogás e licor preto (15,7%). As fontes não renováveis mantiveram relativa estabilidade, com crescimento de 0,5%, influenciado por queda no consumo de petróleo e derivados (-0,8%) e aumento no uso de gás natural (2,5%) e carvão mineral (5,2%).

Região concentra 85% da capacidade instalada de energia eólica

A energia eólica foi responsável por 9,2 Mtep da matriz energética brasileira em 2024. A maior parte desse volume foi gerada no Nordeste, região que concentra cerca de 85% da capacidade instalada do país. Os principais parques eólicos estão localizados na Bahia, no Rio Grande do Norte, no Ceará e no Piauí.

A expansão da fonte eólica tem contribuído para reduzir a dependência de termelétricas fósseis e para melhorar a segurança energética em momentos de escassez hídrica no Sudeste. A combinação entre regime de ventos favorável e estrutura de transmissão disponível na região tem impulsionado novos projetos privados e o avanço da autoprodução industrial.

Solar cresce 33% e consolida polo de geração no semiárido

A geração solar também apresentou crescimento expressivo e totalizou 7,2 Mtep em 2024, configurando a maior taxa proporcional de crescimento entre todas as fontes da matriz. Quase 60% da capacidade de geração solar centralizada está instalada no Nordeste, com destaque para a Bahia, o Piauí e Pernambuco.

A elevada irradiação solar, combinada à disponibilidade de grandes áreas e à infraestrutura elétrica, faz da região o principal polo de atração de novos empreendimentos fotovoltaicos de larga escala.

Bioenergia representa um terço da matriz e inclui contribuição nordestina

A bioenergia respondeu por 33,3% da matriz energética nacional, com total de 107,3 Mtep. Os derivados da cana-de-açúcaretanol e bagaço – representaram metade desse volume. A produção de etanol atingiu 38,1 milhões de m³, com crescimento de 2,8%, enquanto o consumo final cresceu 15,6%. O uso do biodiesel também teve aumento relevante, de 19,2%, impulsionado pela elevação do teor de mistura obrigatória no óleo diesel, que passou a 14% a partir de março de 2024.

Embora a produção de cana esteja majoritariamente concentrada no Centro-Sul, o Nordeste é a segunda principal região produtora, com destaque para os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Segundo dados da Conab, a região responde por cerca de 15% da moagem nacional.

Infraestrutura reforça papel estratégico da região na segurança energética

Além da geração, a infraestrutura energética do Nordeste também desempenha papel estratégico na integração do sistema nacional. A região abriga três dos cinco terminais de regaseificação de gás natural do país, localizados em Salvador (BA), Pecém (CE) e Porto de Sergipe (SE), que juntos somam capacidade de 48 milhões de metros cúbicos por dia.

A Bahia possui capacidade instalada de processamento de gás natural de 8,9 milhões de m³/dia. O estado, junto ao Rio Grande do Norte, concentra 161 campos terrestres de petróleo e gás em operação. Em 2024, a produção total desses dois estados alcançou aproximadamente 19 milhões de barris de petróleo e 1,6 bilhão de metros cúbicos de gás natural.

Contribuição regional impacta emissões e metas climáticas

Esse conjunto de ativos confirma o papel estrutural do Nordeste na matriz energética brasileira, tanto do ponto de vista da oferta renovável quanto da segurança do abastecimento. A contribuição da região também se reflete nos indicadores ambientais.

Em 2024, o Brasil registrou intensidade média de emissões de 1,3 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada de petróleo equivalente (tCO₂eq/tep). O valor é inferior ao da média mundial (2,3 tCO₂eq/tep), da China (3,1 tCO₂eq/tep) e dos Estados Unidos (2,1 tCO₂eq/tep), mantendo o país entre os que possuem as matrizes mais limpas do mundo.

A combinação de geração renovável em crescimento, capacidade industrial instalada e infraestrutura energética consolidada garante ao Nordeste uma posição de destaque nos esforços nacionais de descarbonização. A região deve permanecer no centro das políticas de transição energética nos próximos anos, com potencial de ampliação da base produtiva e atração de investimentos vinculados a cadeias industriais de baixo carbono.

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