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Fazenda reduz para 2,2% projeção de crescimento do PIB em 2025

O Ministério da Fazenda reduziu a projeção do PIB para 2,2% em 2025 e prevê inflação de 4,6%, acima da meta. Boletim aponta desaceleração da economia, queda nas exportações para os EUA e revisão nos setores agropecuário, industrial e de serviços
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Segundo Boletim Macrofiscal, a redução da estimativa de expansão do PIB brasileiro reflete o desempenho mais fraco da economia no terceiro trimestre. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A desaceleração da economia brasileira, provocada pela manutenção de juros elevados, começa a afetar as projeções de crescimento do país. O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2,2% a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. A revisão foi divulgada nesta quinta-feira (13), em Brasília, no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), e reflete o desempenho mais fraco da economia no terceiro trimestre, além dos efeitos defasados da política monetária restritiva. Para 2026, a projeção de crescimento foi mantida em 2,4%.

A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve a projeção para 2025 ajustada de 4,8% para 4,6%. Mesmo com a revisão, o índice deve encerrar o ano acima do teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixado em 4,5%. Para 2026, a estimativa foi levemente reduzida, passando de 3,6% para 3,5%. A SPE avalia que a inflação deve convergir para 3,2% até o segundo trimestre de 2027, período considerado relevante para os objetivos da política monetária.

Segundo a Secretaria, a redução na projeção da inflação reflete fatores como a valorização do real, a menor inflação no atacado para produtos agropecuários e industriais, o excesso de oferta global de bens e a aplicação da bandeira amarela nas tarifas de energia elétrica em dezembro.

Além do PIB: setores da economia têm dinâmicas distintas

As revisões também evidenciam mudanças no desempenho setorial da economia. Para 2025, o setor agropecuário foi revisto positivamente, com a projeção de crescimento elevada de 8,3% para 9,5%. Já a indústria teve uma leve redução, de 1,4% para 1,3%, e o setor de serviços caiu de 2,1% para 1,9%.

A expectativa para 2026 é que o crescimento de 2,4% seja sustentado por uma recuperação mais intensa na indústria e nos serviços, compensando a esperada desaceleração da agropecuária.

Atividade doméstica impactada por crédito e juros altos

O boletim destaca que a economia brasileira permanece em trajetória de desaceleração, resultado dos juros elevados e da contração no crédito. De acordo com a SPE, “os efeitos cumulativos da política monetária restritiva continuam impactando a atividade”. Embora a taxa de desemprego continue em patamar historicamente baixo, foi registrada uma redução na população ocupada e um ritmo mais lento de crescimento dos rendimentos no terceiro trimestre.

Exportações brasileiras sofrem com tarifas dos EUA

No cenário internacional, o documento aponta que, apesar da resiliência da atividade global, persistem incertezas comerciais e geopolíticas. Um dos principais impactos vem das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Entre agosto e outubro de 2025, as vendas do Brasil para os EUA recuaram US$ 2,5 bilhões, uma queda de 24,9% em relação ao mesmo período de 2024.

Diante desse cenário, o Ministério da Fazenda informou que o governo busca diversificar mercados e adotar políticas de apoio ao setor exportador. O boletim menciona ainda que o diálogo entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos pode ajudar na redução dessas tarifas.

Outros índices de preços também foram revisados para baixo. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para a correção do salário mínimo, caiu de 4,7% para 4,5% em 2025. Já o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), influenciado pela cotação do dólar, foi reduzido de 2,6% para 1,4%.

Boletim Macrofiscal orienta execução orçamentária

O Boletim Macrofiscal, publicado bimestralmente pela Secretaria de Política Econômica, serve como base para a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Esse relatório orienta a execução do Orçamento da União, com medidas como o bloqueio ou o contingenciamento de despesas.

O bloqueio ocorre quando os gastos ultrapassam o limite de crescimento anual permitido pelo novo arcabouço fiscal, enquanto o contingenciamento é aplicado quando há frustração de receitas que compromete o cumprimento da meta de resultado primário.

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