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REDATA: um passo decisivo para o Brasil na economia digital

O REDATA é uma oportunidade concreta para baratear a construção e operação de datacenters no país
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Bruno Almeida
Bruno Almeida/Foto: divulgação

Por Bruno Almeida*

Brasil deu um passo importante para se reposicionar no mapa global da economia digital com o lançamento da Medida Provisória que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (REDATA). A iniciativa reduz a carga tributária sobre equipamentos de alto valor, ao mesmo tempo em que exige contrapartidas em inovação e sustentabilidade. Trata-se de um avanço estratégico, mas que só se consolidará caso seja aprovado pelo Congresso Nacional nos próximos 120 dias.

Do ponto de vista da iniciativa privada, o REDATA é uma oportunidade concreta para baratear a construção e operação de datacenters no país, atrair gigantes globais da nuvem e fortalecer a indústria nacional de tecnologia. Os impactos são transversais: startups terão acesso a serviços mais competitivos, setores sensíveis como saúde e finanças ganharão maior segurança para o processamento de dados, e a população em geral experimentará menor latência — ou seja, mais velocidade e eficiência nos serviços digitais.

Esse movimento precisa ser acompanhado de outra agenda essencial: a atração de cabos submarinos. Eles reforçam a conexão internacional do país e ampliam sua relevância no cenário digital. Nesse contexto, Pernambuco se coloca em posição privilegiada. O Estado combina uma localização estratégica no Atlântico, conectando em até 12 milissegundos mais de 55 milhões de habitantes, com um ativo de enorme valor: o Porto Digital, um dos maiores parques tecnológicos da América Latina, preparado para potencializar essa nova infraestrutura.

Outro aspecto fundamental é a descentralização. Hoje, a maioria dos datacenters está concentrada no Sudeste, o que gera gargalos e desigualdades regionais. O REDATA abre a possibilidade de redistribuir essa infraestrutura pelo território nacional, aproximando o processamento de dados das regiões que mais crescem em demanda: o agronegócio no Centro-Oeste, a indústria no Sul, a cadeia de energia renovável no Nordeste. Descentralizar é reduzir desigualdades digitais e ampliar oportunidades de desenvolvimento regional.

REDATA não só um regime fiscal

Se aprovado, o REDATA não será apenas um regime fiscal. Ele pode se transformar em um motor de transformação, capaz de combinar incentivos econômicos, conectividade internacional e descentralização de infraestrutura. O Brasil tem a chance de deixar de ser coadjuvante para se consolidar como hub regional competitivo, inovador e sustentável.

Para Pernambuco, a oportunidade está clara e deve ser aproveitada. Cabe a nós — setor público e iniciativa privada — garantir que essa medida se torne realidade e que possamos posicionar o Estado, e o país, como protagonistas da nova economia digital.

*Bruno Almeida, Presidente do LIDE Digital Pernambuco

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