
O Nordeste brasileiro passará por uma transformação significativa na temporada de cruzeiros 2025/2026, que começa oficialmente em outubro e vai até abril. O período será marcado por redução no número de escalas, concentração de rotas em menos cidades e reconfiguração do perfil dos turistas atendidos. A retração na oferta de cruzeiros regulares, especialmente os de cabotagem — voltados ao público doméstico —, é acompanhada por um aumento das operações internacionais, com destaque para embarcações de luxo e expedição.
A principal mudança será percebida em Pernambuco, onde pela primeira vez em anos não haverá escalas regulares de cabotagem. O Porto do Recife receberá exclusivamente cruzeiros internacionais, com foco em viajantes estrangeiros e de alto poder aquisitivo. Já outros destinos nordestinos como Salvador, Maceió e Ilhéus continuarão a integrar os roteiros da MSC Cruzeiros, que será a única companhia a operar itinerários nacionais regulares na região.
Recuo no volume de escalas reflete nova dinâmica do setor
A redução de escalas em portos nordestinos acompanha uma tendência mais ampla de reconfiguração do mercado de cruzeiros no Brasil. Com menor oferta de navios dedicados à temporada sul-americana, o país terá menos embarcações operando itinerários domésticos. Segundo o levantamento do Portal World Cruises, cidades como Fortaleza perderam metade das escalas previstas em relação à temporada anterior, enquanto Recife deixou de receber qualquer operação de cruzeiro nacional.
O principal fator para essa redução é a queda no número de travessias entre Europa e Brasil, que servem como canal de entrada das embarcações para a temporada local. Essa retração afeta diretamente os portos de escala intermediária no Nordeste.
Parte da diminuição também está ligada ao fretamento de dois grandes navios para a COP30, conferência do clima das Nações Unidas que ocorrerá em Belém, no Pará. O Costa Diadema e o MSC Seaview foram contratados para funcionar como hotéis flutuantes durante o evento e, por isso, não realizarão as tradicionais travessias com passageiros a bordo, impactando o volume de escalas em diversas regiões.
Além disso, a valorização do turismo de luxo e o foco de companhias internacionais em passageiros estrangeiros ampliam a participação de navios premium no mercado, em detrimento da oferta popular.
Recife investe em infraestrutura e mira turistas internacionais
Com nove navios de alto padrão confirmados, o Porto do Recife receberá 17 escalas na temporada 2025/2026. A movimentação será liderada por companhias como Regent Seven Seas, Hapag-Lloyd, Azamara, Silversea e Seabourn. Para atender esse novo perfil de passageiros, a administração portuária anunciou um investimento de R$ 10 milhões na construção de um novo terminal de passageiros, com previsão de entrega ainda durante a temporada.
Entre os destaques da programação estão o Scenic Eclipse, que abre a estação em 6 de outubro, e o Europa 2, um dos navios mais luxuosos do mundo, que aportará no final de março. A substituição dos cruzeiros de cabotagem por embarcações de expedição e luxo altera o perfil de consumo e deve beneficiar setores como hotelaria, gastronomia e comércio especializado.
Embora a programação não inclua cruzeiros de cabotagem com embarques regulares, o Porto do Recife será visitado por navios em travessias internacionais, como o Costa Favolosa, que realiza duas escalas pontuais na cidade — em 18 de novembro de 2025 e 19 de março de 2026. A embarcação será a única da temporada nacional a incluir Recife em seu itinerário, embora sem operar embarques domésticos.
Fortaleza perde escalas e concentra operação em viagens de longo curso
A capital cearense registrará apenas cinco escalas na próxima temporada, número que representa queda de 50% em relação ao ciclo 2024/2025. Nenhum dos navios da temporada nacional fará parada na cidade, e todas as visitas serão realizadas por embarcações em viagens internacionais de reposicionamento. O destaque local será a chegada do Seven Seas Splendor, considerado um dos navios mais luxuosos do mundo.
Fortaleza conta com um terminal de cruzeiros moderno, privatizado em 2023, que recebe o nome de Terminal Antônio Carlos Belchior. Apesar da infraestrutura, a cidade tem enfrentado dificuldade para manter sua atratividade junto às companhias marítimas. A ausência de itinerários regulares impacta diretamente a movimentação de passageiros e a geração de renda nos serviços turísticos locais.

Bahia concentra maior número de escalas no Nordeste
Salvador será o principal destino de cruzeiros na região, com mais de 50 escalas previstas. A capital baiana receberá navios da MSC Cruzeiros — Seaview, Armonia e Preziosa — com embarques regulares entre dezembro e março, além de diversas embarcações internacionais. A cidade também será ponto de partida para viagens de expedição inéditas, como o cruzeiro do SH Vega rumo ao litoral sul da Bahia.
Ilhéus, por sua vez, manterá presença nos roteiros da MSC Armonia, com escalas semanais, e também será visitada por navios internacionais como o AIDAmar, Hamburg, Artania e MSC Preziosa. Apesar da ausência de um terminal dedicado, o município segue como uma das paradas tradicionais do Nordeste.

Maceió amplia presença com escalas regulares e navios internacionais
A capital alagoana continuará sendo uma das principais paradas da MSC Cruzeiros no Brasil. O MSC Seaview fará escalas semanais na cidade, integrando itinerários com partida de Santos e visitas a Salvador, Búzios e Ilhéus. Também haverá visitas do MSC Armonia e MSC Preziosa.
Maceió ainda receberá embarcações internacionais como o Seven Seas Splendor, Hamburg e Costa Diadema. Com um terminal moderno inaugurado em 2021, a cidade aposta na qualidade da infraestrutura para consolidar sua posição como destino estratégico.
Mudança de perfil pode gerar impactos econômicos desiguais
A substituição de cruzeiros de cabotagem por embarcações de luxo tende a gerar efeitos econômicos distintos. Embora os turistas internacionais tenham maior poder aquisitivo e possam gerar receitas superiores por passageiro, o volume absoluto de viajantes tende a ser menor.
Esse cenário pode beneficiar portos mais estruturados, mas reduzir o impacto econômico em cidades com menor infraestrutura ou menor frequência de escalas. A dinâmica reforça a necessidade de políticas públicas regionais para equilibrar a distribuição de benefícios do turismo marítimo no Nordeste.
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