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Setor da cana do NE leva ao Planalto pedido de subvenção emergencial

Produtores de cana da região pedem auxílio de R$ 12 por tonelada para compensar perdas após tarifa de 50% dos EUA sobre etanol e açúcar brasileiros
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cana Nordeste
Solução apresentada pelos dirigentes é a criação de uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana. Foto: Divulgação

A tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos ao etanol e ao açúcar brasileiros levou produtores de cana-de-açúcar do Nordeste a buscar apoio político em Brasília. Nesta terça-feira (9), no Palácio do Planalto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, recebeu dirigentes da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e de entidades regionais. A comitiva levou a reivindicação de medidas de compensação através do Plano Soberano (MP 1903/2025), diante da perda da cota norte-americana que garantia alíquota reduzida para exportações.

Em Pernambuco, principal estado produtor do Nordeste, a estimativa para a tonelada de cana em setembro caiu para R$ 152,31, menor valor para o mês nos últimos quatro anos. Em 2021, o preço havia sido de R$ 167,72; em 2022, de R$ 158,50; em 2023, de R$ 176,78; e em 2024, de R$ 171,21. O recuo se repete em estados como Paraíba e Alagoas, afetando a renda do agricultor e pressionando os custos das usinas.

Subvenção e impacto econômico

A solução apresentada pelos dirigentes é a criação de uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana, proposta já inserida em emendas à MP 1903 pelo senador Efraim Filho (União-PB) e pelo deputado federal Meira (PL-PE). Segundo o vice-presidente da Feplana, Alexandre Andrade Lima, a medida é indispensável para garantir a sobrevivência do setor, que emprega 130 mil trabalhadores diretos apenas no Nordeste. “Pedimos a Alckmin o apoio do governo federal para que o pleito seja aprovado no Congresso e possamos enfrentar esse momento de queda nos preços”, afirmou.

Dados da Conab indicam que a safra 2024/25 da cana no Brasil deve alcançar 660 milhões de toneladas, das quais cerca de 60 milhões saem do Nordeste, equivalente a 9% do total nacional. Pernambuco, Alagoas e Paraíba concentram a maior parte da produção e sustentam centenas de municípios que dependem da atividade sucroenergética. No total, o setor gera mais de 300 mil empregos diretos e indiretos na região, movimentando também as cadeias de etanol, açúcar e bioeletricidade.

Pedro Neto (pres. Unida), Alckmin, Rodrigo Carvalho (dir Asplan/PB), José Inácio (pres. Asplan/PB) e Alexandre Andrade Lima (vice-pres. Feplana)
Pedro Neto (Unida), Geraldo Alckmin, Rodrigo Carvalho (Asplan/PB), José Inácio (Asplan/PB) e Alexandre Andrade Lima (Feplana). Foto: Divulgação

Mobilização em Brasília

A agenda no Planalto foi articulada pelo senador Veneziano da Costa Rêgo (MDB-PB), com participação do presidente da Unida (União Nordestina dos Plantadores de Cana), Pedro Neto; do presidente da Asplan/PB (Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba), José Inácio; do diretor da Asplan, Rodrigo Carvalho; e de Alexandre Andrade Lima, além do deputado federal Ruy Carneiro (Pode-PB).

Após o encontro com Alckmin, a comitiva se reuniu com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para reforçar o pleito. O pano de fundo das negociações é a mudança da política comercial norte-americana: desde o início dos anos 2000, o Brasil exportava açúcar e etanol para os EUA com alíquota de 16% dentro da cota anual. A tarifa de 50% adotada em 2025 encerrou essa vantagem, reduzindo imediatamente as receitas das usinas e derrubando o preço pago ao produtor rural.

Leia mais: Monumento em Alagoas marca centenário do etanol no Brasil

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