Neste episódio da séria Conexões Transnordestina, o debate evidencia que a Ferrovia Transnordestina se tornou um problema político antes mesmo de ser uma solução logística. Segundo os participantes, a retirada do trecho de Pernambuco em 2022 ocorreu sem reação relevante da classe política ou da sociedade, o que contribuiu para o enfraquecimento do projeto no estado. Enquanto isso, no Ceará, graças a articulação institucional, a obre vem garantindo investimentos e consolidando infraestrutura estratégica.
Na entrevista, o prefeito de Agrestina-PE, Josué Mendes, e o ex-prefeito de Bonito-PE, Laércio Queiroz apontam que a falta de mobilização política e de coordenação entre lideranças tem custado caro a Pernambuco. Estados vizinhos têm atuado de forma integrada para atrair cargas, investimentos e equipamentos logísticos, enquanto Pernambuco perde competitividade. O resultado é a migração de fluxos econômicos — como o gesso e a fruticultura — para portos concorrentes, o que pode consolidar uma perda estrutural de protagonismo na logística regional.
O alerta central é que a fragmentação da ferrovia pode provocar um efeito mais profundo: a desarticulação do desenvolvimento do Nordeste. Sem integração ferroviária, a região tende a perder eficiência, aumentar custos e aprofundar desigualdades internas. Para os entrevistados, a Transnordestina é uma obra estratégica e urgente, que exige liderança política, mobilização institucional e decisão coordenada para evitar que o Nordeste perca espaço no cenário econômico nacional.
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