
O Ministério do Turismo reconheceu os Cânions do Viana, no sul do Piauí, como um dos destinos de natureza de destaque no Brasil. A classificação amplia a visibilidade nacional do atrativo localizado no município de Bom Jesus e integra uma agenda mais ampla de valorização do turismo sustentável coordenada por estados do Nordeste. No Rio Grande do Norte, o Governo firmou nesta segunda-feira (25) convênio para consolidar o Geoparque Seridó como Patrimônio Mundial da Unesco, com ações voltadas à preservação ambiental, capacitação e promoção internacional.
No caso do Piauí, os Cânions do Viana vêm se consolidando como principal ponto da Rota das Águas, projeto turístico estadual que abrange regiões com potencial para atividades de aventura e contemplação. Além das formações rochosas, os visitantes encontram passeios de barco, banhos de rio e áreas preservadas. Localizados a cerca de 30 km da zona urbana de Bom Jesus, os cânions integram um sistema de vales e paredões rochosos com cerca de 10 km de extensão cênica contínua, inseridos em um percurso total estimado em 30 km. A formação geológica recorta áreas de cerrado e transição para caatinga e é considerada uma das maiores do tipo no Nordeste.
“É motivo de orgulho ver os Cânions do Viana sendo valorizados em âmbito nacional. Esse destaque mostra que estamos no caminho certo, promovendo o turismo de natureza do Piauí e colocando nossas riquezas em evidência. Seguiremos trabalhando para estruturar e divulgar ainda mais nossos atrativos, gerando oportunidades e desenvolvimento para a população local”, afirmou o secretário do Turismo do Piauí, Daniel Oliveira.
Modelo de interiorização com base sustentável no Geoparque Seridó
No Rio Grande do Norte, o convênio firmado entre a Secretaria de Turismo (Setur/RN) e o Consórcio Público Intermunicipal Geoparque Seridó (CPIGS) visa revalidar a chancela da Unesco e consolidar o território como produto turístico estruturado. O acordo prevê ações de capacitação, promoção e infraestrutura em seis municípios potiguares (Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas), onde vivem mais de 120 mil habitantes, incluindo comunidades quilombolas.
Segundo a governadora do RN, Fátima Bezerra, a medida reafirma o compromisso estadual com o turismo como vetor de desenvolvimento. “Queremos que o Geoparque Seridó seja reconhecido ainda mais como referência em turismo sustentável, gerando oportunidades para a população e fortalecendo a economia da região.”
O Geoparque Seridó abrange uma área de 2.800 km² no semiárido e reúne patrimônios como o Monte do Galo, os açudes Gargalheiras e Boqueirão, a Mina Brejuí, o Cânion dos Apertados e a nascente do Rio Potengi. Reconhecido pela Unesco em 2022, o território permite atividades econômicas e é estruturado com base no conceito de geoturismo.
Geoturismo potiguar em evento internacional
O convênio firmado inclui investimento de R$ 160,6 mil e prevê a presença do território em eventos nacionais e internacionais. Em agosto, o Geoparque participou do 9º Salão do Turismo, em São Paulo, com estandes próprios. Em setembro, será representado na 11ª Conferência Internacional de Geoparques Mundiais da Unesco, no Chile.
“A parceria com o Governo da professora Fátima Bezerra consolida um trabalho de anos junto ao território, em um momento crucial no qual recebemos recentemente os avaliadores da Unesco para revalidar nossa chancela”, afirmou o prefeito de Currais Novos e presidente do consórcio, Lucas Galvão.
Para o diretor-presidente da Emprotur, Raoni Fernandes, o avanço no Seridó é reflexo da interiorização do turismo no estado. “Três fatores foram cruciais: a recuperação das estradas, a melhoria da segurança pública e o uso de inteligência de mercado para atrair o público certo”, declarou. A secretária Marina Marinho (Setur/RN) e a diretora executiva do consórcio, Janaína Medeiros, também destacaram a relevância coletiva da articulação.
Estados miram estruturação de destinos de base natural
Além do reconhecimento do Piauí e dos investimentos do Rio Grande do Norte, o Nordeste abriga dois dos três territórios brasileiros oficialmente reconhecidos pela Unesco como Geoparques Mundiais: o Geoparque Seridó (RN) e o Geoparque Araripe (CE). O terceiro está localizado entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul.
Todos adotam estratégias de turismo sustentável vinculadas a iniciativas de preservação ambiental, educação geocientífica e geração de renda local. A movimentação conjunta de governos estaduais nordestinos sinaliza a consolidação de uma política de valorização dos atrativos naturais do interior, com foco em governança intermunicipal, articulação com instituições de pesquisa e integração com o mercado turístico nacional e internacional.
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