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NE reduz desemprego, mas mantém maiores taxas e alta informalidade

Queda atinge todos os estados da região e média nacional recua para o menor nível desde 2012, mas indicadores estruturais seguem desafiadores para redução do desemprego
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A taxa média de desocupação do Brasil recuou para 5,8%, o menor patamar de número de pessoas em situação de desemprego desde 2012. Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ

O desemprego caiu em todos os estados do Nordeste no segundo trimestre de 2025, segundo a PNAD Contínua Trimestral do IBGE divulgada nesta sexta-feira (15). Cinco estados da região alcançaram o menor índice da série histórica iniciada em 2012: Rio Grande do Norte (7,5%), Paraíba (7%), Alagoas (7,5%), Sergipe (8,1%) e Bahia (9,1%). Apesar da melhora, Pernambuco manteve a maior taxa do país, com 10,4%, seguido de Bahia e Distrito Federal (8,7%).

A queda no Nordeste acompanha um movimento nacional mais amplo: a taxa média de desocupação do Brasil recuou para 5,8%, o menor patamar desde 2012. Entre os menores índices do país estão Santa Catarina (2,2%), Rondônia (2,3%) e Mato Grosso (2,8%). No trimestre, 18 das 27 unidades da federação registraram queda no desemprego, enquanto as demais nove mantiveram estabilidade.

O resultado do Nordeste em 2025 representa uma reversão importante em relação aos anos de pico do desemprego. Em 2017, período de forte retração econômica, a taxa média da região superava 14%, com estados como Pernambuco e Bahia ultrapassando 17%. A recuperação começou a partir de 2019, foi interrompida em 2020 pela pandemia, e retomada com maior intensidade a partir de 2022, impulsionada por programas de retomada econômica, expansão do setor de serviços e safras agrícolas favoráveis em áreas do semiárido irrigado.

Mesmo com a melhora recente, a estrutura do mercado de trabalho regional ainda reflete uma dependência elevada de atividades sazonais e informais, o que mantém os indicadores de estabilidade ocupacional abaixo da média nacional.

Taxa de desocupação, por UF (%) – 1º e 2° trimestre de 2025

UF1T 20252T 2025situação
Pernambuco11,610,4
Distrito Federal9,28,7
Sergipe9,38,1
Acre8,27,3
Roraima7,55,9
Tocantins6,45,3
Paraná4,03,8
Mato Grosso3,52,8
Rondônia3,12,3
Santa Catarina3,02,2
Goiás5,34,4
Espírito Santo4,03,1
Rio Grande do Sul5,34,3
Mato Grosso do Sul4,02,9
Brasil7,05,8
São Paulo6,35,1
Rio de Janeiro9,38,1
Ceará8,06,6
Maranhão8,16,6
Alagoas9,07,5
Amapá8,66,9
Piauí10,28,5
Paraíba8,77,0
Minas Gerais5,74,0
Pará8,76,9
Bahia11,19,1
Amazonas10,07,7
Rio Grande do Norte9,97,5

Subutilização e desalento permanecem altos

O Nordeste lidera a taxa composta de subutilização da força de trabalho — que inclui desempregados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas na força de trabalho potencial — com Piauí (30,2%), Bahia (27%) e Sergipe (26%) no topo nacional. A média do país foi de 14,4%.

No desalento, que mede a parcela da população que desistiu de procurar emprego, a região também concentra os maiores índices: Maranhão (9,3%), Piauí (7,1%) e Alagoas (6,9%), frente a uma média nacional de 2,5%. Em comparação com 2012, quando o desalento nacional estava abaixo de 1,5%, o aumento foi generalizado, mas mais intenso no Nordeste, onde a baixa oferta de vagas formais e a alta rotatividade contribuem para a saída de trabalhadores do mercado.

Informalidade e emprego formal

A taxa de informalidade no Brasil foi de 37,8%, mas no Nordeste superou 50% em Maranhão (56,2%) e Bahia (52,3%). Essa diferença estrutural tem relação direta com o peso das ocupações sem carteira nos setores de comércio, agricultura familiar e serviços domésticos.

O percentual de empregados do setor privado com carteira assinada foi de 74,2% no país. No Nordeste, os menores percentuais estão em Maranhão (53,1%), Piauí (54,5%) e Paraíba (54,6%). No topo nacional, Santa Catarina tem 87,4% dos empregados formais.

O trabalho por conta própria representa 25,2% da população ocupada no Brasil, mas alcança 31,8% no Maranhão, segundo maior percentual nacional, atrás apenas de Rondônia (35,3%).

Perfil do desemprego e desigualdades

A PNAD também revela diferenças estruturais no perfil do desemprego. No país, a taxa foi de 4,8% para homens e 6,9% para mulheres. Entre pessoas pretas, o índice foi de 7%, e entre pardos, 6,4%, ambos acima da média nacional, enquanto entre brancos ficou em 4,8%.

O desemprego foi maior entre aqueles com ensino médio incompleto (9,4%) e menor entre pessoas com nível superior completo (3,2%). Essa relação entre escolaridade e ocupação é mais acentuada no Nordeste, onde a média de anos de estudo é inferior à nacional, e a participação de trabalhadores com ensino superior no total da força de trabalho é menor.

Rendimento e distribuição regional

O rendimento médio real habitual no Brasil foi de R$ 3.477, com estabilidade no Nordeste e alta apenas no Sudeste (1,8% frente ao trimestre anterior), que alcançou R$ 3.914. A massa de rendimento real habitual chegou a R$ 351,2 bilhões, com o Sudeste registrando o maior valor da série histórica (R$ 177,8 bilhões).

Entre 2012 e 2025, a diferença de rendimento entre o Nordeste e o Sudeste se manteve estável, variando entre R$ 900 e R$ 1.100 mensais, refletindo desigualdades estruturais que a queda recente do desemprego ainda não conseguiu reduzir.

Próximas divulgações

A próxima edição da PNAD Contínua Trimestral, com dados do terceiro trimestre de 2025, será divulgada pelo IBGE em 14 de novembro.

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