
A região Nordeste concentra o maior apoio à redução da jornada máxima de trabalho no Brasil, de acordo com pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados. O levantamento revelou que 74% dos nordestinos são favoráveis à mudança constitucional que reduz a carga semanal de 44 horas, superando a média nacional de 65%. O índice é também superior ao do Sudeste (66%), segunda região com maior apoio à proposta.
Os dados são da pesquisa “Os brasileiros e a jornada de trabalho”, realizada entre os dias 10 e 15 de janeiro de 2025 com 2 mil pessoas em todas as 27 unidades da federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O estudo buscou medir a percepção da população brasileira sobre os impactos sociais, econômicos e pessoais de uma eventual mudança na Constituição que altere o limite máximo de horas trabalhadas por semana.
PEC da jornada 6×1 tem maioria favorável em todas as regiões
A proposta de emenda constitucional que prevê a redução da jornada para 36 horas semanais sem diminuição salarial, distribuídas em quatro dias de trabalho e três de descanso, conhecida como PEC da escala 6×1, também foi abordada. Segundo a Nexus, a medida tem mais apoio do que rejeição em todas as regiões.
No Nordeste, 67% dos entrevistados apoiam a PEC, à frente do Sudeste (64%) e da média nacional (63%). As demais regiões registraram: Norte (60%), Centro-Oeste (57%) e Sul (55%). A rejeição à PEC atinge 31% no país. No Sul, 36% dos entrevistados são contrários à mudança e 4% são indiferentes.
Sudeste e Nordeste são mais otimistas com os efeitos da redução
Questionados sobre o possível impacto de uma jornada reduzida para o país, 43% dos nordestinos afirmaram que a medida teria impacto positivo, percentual próximo ao do Sudeste (46%) e acima da média nacional de 42%. No Sul, a percepção é inversa: 40% dos entrevistados da região acreditam que os efeitos seriam negativos e apenas 36% acreditam em benefícios.
Sobre os efeitos econômicos da medida, o país mostra-se dividido. Em nível nacional, 40% acreditam que a proposta traria benefícios, 27% indicam prejuízos e 27% dizem que não faria diferença. No recorte regional, Nordeste (42%), Sudeste (43%) e Norte (34%) avaliam que a medida seria mais benéfica. Já no Sul e no Centro-Oeste, predomina a visão de que haveria impactos negativos — opinião de 35% dos entrevistados em ambas as regiões.
Qualidade de vida e produtividade são pontos centrais para o apoio
A principal motivação para o apoio à redução da jornada é a percepção de que a medida melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores, apontada por 65% dos brasileiros. Esse benefício é mais evidente no Sudeste, onde 71% enxergam impacto positivo nessa área. No Nordeste, o percentual específico para essa pergunta não foi divulgado, mas a região aparece constantemente com índices acima da média nacional em outros aspectos relacionados à melhoria do bem-estar e organização do tempo.
Quando perguntados sobre os impactos na produtividade, 56% dos nordestinos acreditam que trabalhar menos traria ganhos nesse aspecto, atrás apenas do Sudeste (59%) e ambos acima da média nacional de 55%. No Sul, 50% compartilham dessa opinião, no Centro-Oeste 49% e no Norte 48%.
Uso do tempo livre no Nordeste seria voltado à saúde e família
Caso a jornada de trabalho seja reduzida e um dia útil seja liberado, 49% dos nordestinos afirmaram que o usariam para passar mais tempo com a família, enquanto 31% priorizariam o cuidado com a saúde. Outros 21% disseram que buscariam gerar renda extra, e 17% investiriam em capacitação profissional. Os dados revelam uma diferença regional importante: enquanto no Sul e no Norte o tempo livre seria mais associado à geração de renda extra, no Nordeste o foco principal seria saúde e convívio familiar.
Escala 6×1 é rejeitada pela maioria no Nordeste
A atual jornada tradicional, de seis dias de trabalho com um de folga, a chamada escala 6×1, foi rejeitada por 59% dos nordestinos, enquanto 34% a apoiam e 7% não souberam responder. Em todas as regiões, o modelo encontra mais resistência do que apoio, reforçando a disposição nacional em rever a estrutura da semana laboral.
Tramitação e contexto da PEC
A PEC da escala 6×1 foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no final de 2024 e protocolada no dia 25 de março de 2025 na Câmara dos Deputados. A parlamentar declarou que busca um relator fora do espectro da esquerda, com o objetivo de ampliar o diálogo e o apoio à proposta no Congresso Nacional. A Constituição Federal atualmente estabelece que a duração normal do trabalho não pode ultrapassar 44 horas semanais, salvo previsão contratual distinta.
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