
A descoberta de uma anomalia na unidade de resfriamento do sistema de alimentação do oxidante do primeiro estágio motivou o adiamento do lançamento do HANBIT-Nano, primeiro veículo lançador comercial da empresa sul-coreana de serviços de lançamento de satélites Innospace.
O voo, previsto inicialmente para esta quarta-feira (17) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, foi remarcado para sexta-feira (19), às 15h45. Com isso, a janela da Operação Spaceward permanece aberta entre 16 e 22 de dezembro.
O reagendamento, segundo a empresa, busca garantir tempo suficiente para substituir um componente específico do conjunto de resfriamento, identificado como ponto de anomalia durante as inspeções finais pré-lançamento.
A Innospace informou que transferiu o HANBIT-Nano da instalação de integração para a plataforma de lançamento na segunda-feira (15), quando o veículo foi posicionado. Durante a inspeção final realizada antes da elevação do veículo, no dia seguinte (16), a equipe detectou a anomalia.
Após avaliação das causas e das ações corretivas necessárias, a empresa decidiu alterar a data do lançamento.
Foguete é marco para programa espacial brasileiro
A Innospace afirmou que o problema não indica defeito estrutural no veículo lançador e que a substituição pode ser feita com o foguete já posicionado na plataforma. Por isso, o lançamento foi remarcado para dois dias depois, apesar de uma nova campanha normalmente exigir cerca de três dias de preparação.
A Operação Spaceward é apontada pelo governo federal como o primeiro lançamento orbital comercial realizado a partir do território nacional e decorre de um chamamento público lançado em 2020 pela Agência Espacial Brasileira (AEB).
A ministra do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, declarou: “Este lançamento representa um marco para o Programa Espacial Brasileiro e evidencia o compromisso do Governo do Brasil com o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação, além da consolidação de parcerias estratégicas que ampliam a competitividade do Brasil no setor espacial”.
Cargas úteis e cadeia nacional
A missão prevê o transporte de oito cargas úteis (sete brasileiras e uma estrangeira), somando cerca de 18 kg, com participação de universidades, institutos, startups e empresas nacionais.
Entre os projetos apoiados diretamente pela AEB estão os satélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B, desenvolvidos no SpaceLab/Universidade Federal de Santa Catarina, e o Sistema de Navegação Inercial (SNI-GNSS), feito por consórcio empresarial.
Também está prevista a bordo a carga educacional PION-BR2 – Cientistas de Alcântara, desenvolvida pela Universidade Federal do Maranhão, em parceria com a AEB, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a startup PION.
Mercado espacial e efeito no Nordeste
A AEB define a Operação Spaceward como parte da entrada do Brasil no mercado global de lançamentos espaciais e informa que a Innospace foi selecionada em chamamento público lançado em 2020, com contrato assinado com o Comando da Aeronáutica em 2022.
No Nordeste, a AEB também destaca a infraestrutura de lançamentos suborbitais: em publicação institucional, afirma que do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte, já foram lançados cerca de três mil foguetes de pesquisa e treinamento.
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