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Roubo de cargas: PE e BA lideram no NE e BR-101 é a rodovia de maior risco

Pernambuco e Bahia estão entre os cinco estados mais críticos do país. A BR-101 concentra 30,8% dos prejuízos no Nordeste, que responde por 12,8% dos roubos de cargas nacionais
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Roubo de cargas Nordeste BR-101 PE BA
Cargas fracionadas lideraram com 38,8% do prejuízo regional, mostrando a tendência de procura por produtos de fácil comercialização. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pernambuco e Bahia figuram entre os cinco estados com maior número de ocorrências de roubo de carga no Brasil em 2025 — terceiro e quarto lugares, com 296 e 205 casos registrados, respectivamente —, enquanto a BR-101 concentrou 30,8% de todos os prejuízos por roubo registrados no Nordeste. A região respondeu por 12,8% dos prejuízos nacionais e 7,4% das ocorrências registradas no país, consolidando-se como a segunda mais impactada pelo crime, atrás apenas do Sudeste. Bahia (28,4%), Maranhão (24,7%) e Pernambuco (23,8%) somaram mais de 75% das perdas regionais, concentradas majoritariamente em eixos rodoviários estruturantes — padrão distinto do Sudeste, onde trechos urbanos e operações de última milha dominam o mapa de risco.

Os dados constam de dois levantamentos anuais divulgados na semana passada: o Panorama Nacional do Roubo de Cargas — Relatório de Inteligência Estratégica e Diagnóstico 2025, da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), elaborado a partir do sistema MJSP/Sinesp-VDE e de secretarias estaduais de segurança pública; e o Report nstech de Roubo de Cargas — Versão Anual 2025, produzido com base em mais de R$ 2,3 trilhões em cargas monitoradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech.

Concentração de alvos e perfil das cargas

O perfil das cargas visadas no Nordeste é mais diversificado do que no Sudeste. Cargas fracionadas lideraram com 38,8% do prejuízo regional, seguidas por higiene e limpeza (15%), alimentício (14,2%) e eletrônicos (13,3%). No Sudeste, fracionadas e alimentos concentraram mais de 74% do total.

A NTC&Logística identifica, para o conjunto nacional, uma tendência de priorização de cargas de alta liquidez — produtos com alto giro, fácil comercialização e rápida inserção no mercado ilegal —, com abordagem durante entregas, interceptação em movimento e ações em paradas operacionais como principais modos de atuação.

A Paraíba, sem registros nas operações monitoradas pelas gerenciadoras em 2024, surgiu com 1,1% dos prejuízos nacionais em 2025, indicando expansão da criminalidade para além dos eixos tradicionais da região.

Roubo de cargas no Nordeste
Arte: IA/ME

BR-101 e corredores críticos

A BR-101 concentrou 30,8% dos prejuízos por roubo no Nordeste, seguida pela BR-316 (16,1%) e pela BR-116 (10,5%). O prejuízo em trechos urbanos ficou em 4,4% na região — contra 35,3% no Sudeste —, confirmando que o risco nordestino está centrado nas rodovias estruturantes, não na distribuição urbana.

A BR-010, que corta Maranhão, Tocantins e Pará, quase quintuplicou sua participação nos prejuízos nacionais, de 1,1% para 5,2%, sinalizando pressão crescente sobre o corredor que conecta o Nordeste ao Arco Norte. O período noturno concentrou 45,2% dos prejuízos nordestinos. Entre os dias da semana, domingo (19,2%) e quinta-feira (17,2%) lideraram o ranking, padrão que indica vulnerabilidade ampliada fora do horário comercial e em janelas de menor fiscalização.

Cenário nacional do roubo de cargas

O Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de carga em 2025, queda de 16,7% ante 2024 e média de 23,5 roubos por dia, segundo a NTC&Logística. O prejuízo direto foi estimado em R$ 900 milhões, com custo total — incluindo seguros, escoltas e interrupções operacionais — superior a R$ 1 bilhão. Na série histórica da entidade, o volume caiu mais de 60% desde o pico de 25.950 ocorrências em 2017, mas o impacto financeiro permanece elevado.

O Sudeste liderou com 86,8% das ocorrências e 68,1% do valor de prejuízo, com Rio de Janeiro em primeiro lugar nacional (3.777 casos) e São Paulo em segundo (3.470). A região Norte saltou de 0,9% para 11,2% dos prejuízos (nstech) entre 2024 e 2025, assumindo a terceira posição no rankinG, movimento que explica a estabilidade nordestina no segundo lugar sem que a região tenha registrado crescimento absoluto. O Sul mais que triplicou sua participação, de 2% para 7,3%.

Sofisticação das quadrilhas especializadas

A NTC&Logística aponta que o crime avançou em sofisticação mesmo com a queda no volume de ocorrências, com organizações que atuam a partir de planejamento de alvo e rota, execução por interceptação armada e escoamento via canais organizados de receptação. A entidade classifica o Nordeste como região de expansão logística urbana e portuária, com corredores regionais em desenvolvimento como fator crítico de risco.

A entidade identifica como gargalo estrutural a fragmentação dos dados públicos — ausência de sistema único de registro e baixa padronização nacional do conceito legal de roubo de carga —, o que limita a leitura precisa da amplitude real do fenômeno. A sanção da Lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, é apontada como avanço no enfrentamento da estrutura de receptação que sustenta financeiramente o crime.

Os relatórios completos estão disponíveis em portalntc.org.br e materiais.nstech.com.br/relatório-roubo-de-cargas-anual-2025-nstech.

Leia mais: Nordeste atrai elite logística e zera oferta de galpões em três estados

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