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Brasil produz 1º caça supersônico e insere Embraer em cadeia global de defesa

Embraer entrega em Gavião Peixoto o primeiro caça supersônico fabricado no Brasil, dentro do Programa Caça FX-2 avaliado em R$ 28,5 bilhões
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Cerimônia de apresentação do primeiro Caça F-39 E Gripen montado no Brasil, no Aeródromo Embraer – Unidade Gavião Peixoto - SP. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foi escoltado em voo durante a cerimônia de apresentação do primeiro Caça F-39 E Gripen montado no Brasil, no Aeródromo Embraer – Unidade Gavião Peixoto (SP.). Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil apresentou o primeiro caça F-39E Gripen produzido em território nacional, tornando-se o primeiro país da América Latina a dominar a produção de aeronaves supersônicas de combate. “Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chegar nesta quarta-feira (25) ao Aeródromo Embraer Unidade Gavião Peixoto, em São Paulo.

A cerimônia marca a conclusão da primeira etapa de produção doméstica prevista no Programa Caça FX-2, contrato firmado com a empresa sueca Saab em 24 de outubro de 2014, com valor total de R$ 28,5 bilhões no período de 2014 a 2033 e previsão de produção de 36 aeronaves, sendo 15 fabricadas na planta da Embraer-Defesa em Gavião Peixoto. Ao se comunicar via rádio com o presidente durante o voo de escolta, o piloto do Gripen sintetizou o alcance do momento: “Esta é a materialização de uma decisão de Estado.”

A produção da aeronave resultou de mais de 1 milhão de horas entre desenvolvimento, produção, ensaios e suporte, além de 600 mil horas de treinamento. O F-39E Gripen é classificado como caça multiemprego, com capacidade de controle aeroespacial, interdição, inteligência, reconhecimento, proteção da força, defesa aérea e ataque ao solo. Os sistemas embarcados incluem radar de última geração, míssil de longo alcance e equipamentos de guerra eletrônica. O modelo produzido no Brasil contempla versões monopostos e bipostos, sendo os últimos uma especificidade do programa brasileiro.

O cronograma de entregas registra 10 aeronaves entregues entre 2022 e 2025 — três em 2022, três em 2023, duas em 2024 e duas em 2025, todas importadas da Suécia. A previsão para 2026 inclui a entrega das 2 primeiras aeronaves produzidas no Brasil, cujo batismo ocorreu na cerimônia de 25 de março. As 15 unidades programadas para fabricação doméstica têm conclusão prevista até 24 de junho de 2033.

Primeiro Caça F-39 E Gripen montado no Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O F-39E Gripen é considerado um caça multiemprego e a produção do caça no Brasil é resultado de mais de um milhão de horas entre desenvolvimento, produção, ensaios e suporte, além de 600 mil horas de treinamento. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Cadeia industrial e transferência de tecnologia

A parceria com a Saab exigiu, como condição contratual estabelecida em 2013, a transferência integral de tecnologia para a indústria nacional. O acordo incluiu a capacitação de engenheiros e técnicos brasileiros e o desenvolvimento de capacidades produtivas para projetos aeronáuticos futuros. Parte dos componentes estruturais da aeronave — fuselagem dianteira e traseira, cone de cauda e freios aerodinâmicos — é produzida pela Saab Aeroestruturas em São Bernardo do Campo (SP). Outras empresas brasileiras integram a cadeia de suprimentos e desenvolvimento: AEL Sistemas, Akaer e Atech.

O programa estima a geração de cerca de 13 mil empregos no país, sendo aproximadamente 2.200 diretos e 10.800 indiretos. Os empregos diretos concentram-se nas atividades de desenvolvimento e produção realizadas por engenheiros e especialistas das empresas parceiras. A linha de produção em Gavião Peixoto foi inaugurada em 2023.

No âmbito do Novo PAC (2023-2030), o programa recebe R$ 10,5 bilhões para a aquisição e produção de 23 aeronaves. Para o vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o domínio tecnológico tem implicação direta sobre a posição competitiva do país: “Quem domina tecnologia domina o futuro. A indústria de defesa é um seguro para a soberania nacional, além de vanguarda do desenvolvimento industrial.”

Para Micael Johansson, presidente e CEO da Saab, a produção no Brasil representa um marco na história da empresa fundada em 1937: é a primeira vez que um caça da fabricante é produzido fora da Suécia. Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, sinalizou que a planta de Gavião Peixoto está preparada para fabricar novos Gripens para outros países, com oportunidades identificadas na Colômbia e em outros mercados da América Latina.

Contexto do programa e perspectivas de exportação

O Programa Caça FX-2 integra o ciclo de reequipamento da frota militar de combate da Força Aérea Brasileira (FAB) e inclui, além das aeronaves, a aquisição de simuladores e suporte logístico. Atividades de certificação e pesquisa são conduzidas pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O programa envolve diferentes órgãos governamentais nas etapas de aquisição, implementação, operação e fiscalização.

O ministro da Defesa, José Múcio, enquadrou o feito no contexto de posicionamento regional: “Ao investir em defesa, nossa indústria registra um marco de amadurecimento e competência, permitindo ao Brasil se posicionar como o maior polo produtor da América Latina.”

A intenção declarada pela Embraer e pela Saab é produzir localmente encomendas de Gripen não apenas para a FAB, mas também para outros países da América Latina. A capacidade instalada em Gavião Peixoto — que abriga a maior pista de testes do hemisfério sul, com 5 quilômetros de extensão — sustenta essa projeção.

O tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, comandante da Aeronáutica, reforçou a avaliação sobre a base produtiva já constituída: “Temos totais condições de produzir mais aeronaves Gripen em território nacional, uma vez que já dispomos de uma base industrial e tecnológica sólida.” Os contratos externos estão em fase de prospecção, sem datas ou valores definidos publicamente até o momento da cerimônia.

*Com informações da Agência Brasil e da Agência Gov

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