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Da pressão sobre o STF ao impacto na economia: a história do tarifaço de Trump

Relembre como a pressão das tarifas sobre o Brasil ganhou força
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  1. Eduardo Bolsonaro articulou nos EUA pressão contra STF e governo brasileiro em defesa do ex-presidente pai.
  2. Trump aplicou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros utilizando Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.
  3. Suprema Corte dos EUA decidiu que presidente não pode criar tarifas por emergência nacional em fevereiro 2026.
  4. Paulo Figueiredo mencionou possibilidade de tarifas até 400% que poderiam explodir economia brasileira em redes sociais.
  5. Disputa política sobre Bolsonaro e STF contaminou discussão comercial entre Brasil e Estados Unidos transformando economia em instrumento.
Os personagens por trás das tarifas/Imagem gerada por IA/ME

A tarifa adicional de 25% que os Estados Unidos passam a cobrar nesta quarta-feira (22) sobre parte dos produtos brasileiros ganhou força após as articulações políticas conduzidas, em território norte-americano, por Eduardo Bolsonaro contra decisões do Supremo Tribunal Federal e do governo brasileiro relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai.

Em março de 2025, Eduardo Bolsonaro licenciou-se do mandato de deputado federal e permaneceu nos Estados Unidos para buscar o apoio do governo Donald Trump à aplicação de sanções contra autoridades brasileiras. O objetivo declarado era pressionar o ministro Alexandre de Moraes e reagir aos processos que envolviam Jair Bolsonaro e integrantes da direita.

Nesse período, as tarifas comerciais, que já vinham sendo anunciadas por Trump contra diversos países, começaram a se materializar como instrumentos de pressão discutidos em Washington. Posteriormente, Eduardo Bolsonaro admitiu que o assunto havia sido tratado em reuniões com autoridades norte-americanas.

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Em uma das manifestações que circularam nas redes sociais, o empresário Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Batista Figueiredo e que, ao lado de Eduardo Bolsonaro, vinha atuando em favor das tarifas, afirmou que “o céu de tarifas é o limite”. Também mencionou a possibilidade de cobranças de até 400% sobre produtos brasileiros e declarou que uma medida dessa magnitude poderia “explodir a economia brasileira”.

A declaração expôs o grau de contaminação política de uma discussão que, em condições normais, deveria estar concentrada no comércio exterior, na competitividade e na defesa dos setores produtivos. A disputa em torno de Jair Bolsonaro, do Supremo Tribunal Federal e das eleições brasileiras foi, assim, transferida para a relação econômica entre os dois países.

Tarifas em cenário de emergência nacional

A primeira ofensiva de Trump contra o Brasil utilizou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, conhecida pela sigla IEEPA. Com base nessa legislação, o presidente norte-americano aplicou tarifas amplas sob o argumento de que determinadas relações comerciais representavam uma emergência nacional.

A estratégia sofreu uma derrota em 20 de fevereiro de 2026. Por seis votos a três, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a IEEPA não conferia ao presidente poder para criar tarifas. Segundo o tribunal, a definição de impostos sobre importações é uma atribuição do Congresso e não poderia ser assumida de forma ilimitada pelo Executivo com base em uma declaração de emergência.

A decisão obrigou a Casa Branca a interromper a cobrança das tarifas fundamentadas nessa legislação e a buscar outros caminhos jurídicos. Em vez de abandonar a política tarifária, Trump passou a recorrer a instrumentos que já previam procedimentos de investigação comercial e maior participação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

Brasil vira teste da nova estratégia

O Brasil tornou-se o primeiro país atingido pela nova fórmula. A sobretaxa de 25% foi estabelecida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite aos Estados Unidos investigar práticas consideradas injustas ou discriminatórias e adotar medidas de retaliação.

A investigação passou a reunir acusações relacionadas ao comércio digital, ao desmatamento, ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix e ao tratamento dado pelo Brasil a empresas e plataformas norte-americanas. A decisão final atingiu setores como máquinas e equipamentos, móveis, açúcar, etanol, calçados e outros segmentos industriais, embora tenha preservado itens importantes, como café, carne bovina e aeronaves.

A nova base legal é mais estruturada do que a declaração unilateral de emergência rejeitada pela Suprema Corte. A Seção 301 exige investigação, consulta pública, elaboração de relatório e apresentação de justificativas para a retaliação. Isso não elimina possíveis questionamentos judiciais, mas oferece ao governo Trump uma sustentação jurídica mais consistente para manter as tarifas.

O episódio mostra como a polarização brasileira ultrapassou as fronteiras e alcançou empresas, trabalhadores e cadeias produtivas que não participam diretamente da disputa política. De um lado, aliados de Jair Bolsonaro buscaram apoio externo para pressionar instituições brasileiras. Do outro, o governo Lula incorporou o conflito ao discurso de defesa da soberania nacional e passou a explorar politicamente a intervenção norte-americana.

O próprio Paulo Figueiredo mudou de posição ao perceber que a tarifa poderia fortalecer Lula e atingir produtores brasileiros. Em depoimento preparado para uma audiência do USTR, passou a defender que Washington abandonasse a cobrança de 25% e retomasse as sanções individuais contra autoridades. Argumentou que o tarifaço atingiria “o alvo errado”, puniria empresas e consumidores e aproximaria ainda mais o Brasil da China.

A mudança evidencia a contradição da estratégia. Inicialmente, a tarifa foi tratada por aliados do bolsonarismo como um instrumento legítimo de pressão sobre o Brasil. Quando seus efeitos econômicos e eleitorais se tornaram evidentes, o mesmo grupo passou a sustentar que a medida prejudicaria as supostas vítimas das decisões que pretendia combater.

Ao perceber que o tarifaço começava a gerar desgaste para sua campanha à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro tentou intervir nas negociações com os Estados Unidos. Ele participou de uma reunião no USTR e pediu que a cobrança fosse adiada para depois das eleições brasileiras.

A estratégia, porém, errou o alvo. Ao vincular o início das tarifas ao calendário eleitoral, Flávio reforçou a percepção de que a principal preocupação era evitar prejuízos à própria candidatura, e não proteger imediatamente empresas, empregos e exportações brasileiras.

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