
Durante os governos militares no Brasil (1964-1985), o 7 de Setembro sempre foi utilizado para mostrar a força do regime, com desfiles em todas as capitais brasileiras para demonstrar o poderio das Forças Armadas. Nos últimos anos, no entanto, a data da celebração da Independência do Brasil transformou-se em um palco de intensa polarização política.
Longe de ser apenas um desfile cívico-militar, a data passou a ser utilizada tanto por apoiadores do governo quanto por grupos de oposição para demonstrar força e defender suas pautas. Essa dinâmica de manifestações paralelas moldou o cenário político do país, refletindo a divisão da sociedade.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, as manifestações de 7 de Setembro se tornaram um evento central para seus apoiadores. Pessoas vestidas com as cores da bandeira nacional, verde e amarelo, ocupavam as principais vias do país, como a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e a Avenida Paulista, em São Paulo.
Os atos, frequentemente convocados pelo então presidente e por suas lideranças, tinham como pautas centrais o apoio irrestrito ao governo, a defesa de pautas conservadoras e, em muitos casos, defesa da intervenção militar e críticas o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional. A mobilização se dava de forma orgânica, com caravanas de diferentes regiões e o uso ostensivo das redes sociais para a convocação.
Em 2025, os atos pró e contra o governo ocorrem em todas as regiões do país, ampliando a polarização. Apoiadores de Bolsonaro convocaram manifestações em pelo menos 54 cidades, enquanto sindicatos, partidos de esquerda e organizações sociais organizam o tradicional Grito dos Excluídos. Em paralelo, o governo federal promove o desfile oficial com o tema “Brasil soberano”, em Brasília.
Manifestações pró-Bolsonaro no 7 de Setembro
Os atos em defesa da anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Eleitoral (STF), estão concentrados em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis e Goiânia.
Na Avenida Paulista, em São Paulo, o ato ocorre às 15h com a presença confirmada do governador Tarcísio de Freitas, da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. No Rio de Janeiro, a concentração será na orla de Copacabana, enquanto em Brasília os apoiadores ocupam a Rodoviária do Plano Piloto. Em Belo Horizonte, há previsão de motociata e carreata na Praça da Liberdade. No Recife, o foco será em frente à Padaria Boa Viagem, local tradicional de manifestação dos bolsonaristas.
Entre as principais bandeiras estão a defesa da anistia para os investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, pedidos de intervenção militar, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a defesa do voto impresso. Os manifestantes utilizam as redes sociais para organizar caravanas e reforçar a mobilização.
O Grito dos Excluídos
Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos é promovido por movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos de esquerda. Em 2025, as manifestações ocorrem em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Manaus e João Pessoa.
Na capital paulista, o ato ocorre na Praça da República, às 9h, poucas horas antes do evento pró-Bolsonaro, a poucos quilômetros de distância. Entre as pautas estão a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a taxação dos super-ricos, a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial e a rejeição da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.
No Recife, os protestos se concentram na Praça do Derby; em Salvador, no Campo Grande; em Fortaleza, na Praia do Futuro; e em Manaus, na Avenida Eduardo Ribeiro.
Já o governo federal organiza o desfile de 7 de Setembro em Brasília com a presença de ministros e autoridades aliadas ao presidente Lula. O evento tem como lema “Brasil soberano” e busca enfatizar valores de cidadania e patriotismo sob a ótica da atual gestão.
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