
O assessor especial da governadora Raquel Lyra, Manoel Pires Medeiros Neto, pediu demissão nesta sexta-feira (21), um dia depois do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), denunciá-lo no plenário como responsável por integrar uma suposta rede de ataques virtuais contra parlamentares e órgãos públicos. O caso envolve a atuação da Superintendência de Inteligência Legislativa (Suint) e material obtido a partir de investigações internas do Legislativo.
Em publicação feita às 18h desta quinta-feira (21) em sua página no Instagram, Manoel Medeiros alegou ter sido alvo de “uma violência praticada aos olhos de todos” e acusou a Alepe de devassar sua vida pessoal com uso de aparato institucional. Segundo ele, a exposição ocorreu sem decisão judicial, configurando abuso de poder. “A Superintendência de Inteligência do Legislativo ilegalmente devassou a minha vida e expôs minha imagem na internet e nas TVs”, escreveu. O ex-assessor afirmou que irá registrar ocorrência policial e acionar judicialmente os responsáveis.

Denúncia liga assessor a rede de ataques com verba pública
Na quarta-feira (20), Álvaro Porto afirmou em discurso que Manoel Medeiros coordenava uma “milícia digital palaciana” operada com recursos públicos e vinculada ao gabinete da governadora. O deputado relatou que a Suint identificou a produção de material ofensivo em uma lan house localizada no Shopping RioMar, no Recife, com uso de um pendrive pessoal. Imagens de segurança do centro comercial e registros dos dispositivos utilizados teriam sido reunidos como evidência.
Porto também citou o envio de uma denúncia anônima ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) contra a deputada estadual Dani Portela (PSOL), uma das autoras do pedido de criação da CPI da Publicidade, instalada na segunda-feira (18). O presidente da Alepe afirmou que o conteúdo da denúncia teria sido preparado pelo próprio assessor com o objetivo de deslegitimar a atuação parlamentar da deputada, que integra a comissão responsável por apurar gastos com comunicação institucional pelo Executivo.
“Minha presença nesta tribuna é também e, principalmente, para denunciar que a milícia digital não é só obra da Casa Civil, como se pensava. A cabeça, senhoras e senhores — pasmem — está montada no gabinete da governadora”, declarou Porto.
Apurações contra milícia envolvem dossiês e credenciais do TRT
Além da denúncia envolvendo Dani Portela, Manoel Medeiros também foi citado em uma representação apresentada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por supostamente acessar informações sigilosas do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6). A peça acusa o assessor e sua prima, a advogada Manoela Álvarez Medeiros, de utilizar credenciais para obter dados restritos, que teriam sido repassados para alimentar blogs e perfis de redes sociais com conteúdo ofensivo a adversários políticos do governo.
Álvaro Porto classificou a situação como “alarmante”, apontando a proximidade do assessor com a governadora e sua vice. Além de integrar o gabinete, Manoel também ocupa cargos nos conselhos da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e da Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE). Ele foi assessor da atual vice-governadora Priscila Krause (Cidadania) entre 2011 e 2022 e atuou no comitê de transição da gestão Raquel Lyra.
“Se a governadora e a sua vice vêm se valendo de um servidor público para tentar coagir ou constranger uma deputada estadual no cumprimento da sua função fiscalizadora, trata-se de situação absurda e alarmante”, afirmou Porto.
Governadora ainda não se manifestou sobre exoneração
A governadora Raquel Lyra (PSD) não se pronunciou oficialmente sobre o pedido de exoneração nem sobre o conteúdo das denúncias feitas por Álvaro Porto no plenário da Alepe. Segundo o parlamentar, o material será encaminhado à Justiça, à CPI da Publicidade e aos demais deputados.
“Não podemos aceitar que o trabalho de fiscalização de qualquer um dos 49 parlamentares desta Casa seja desacreditado por denúncias falsas e difamações ordenadas pelo gabinete da governadora”, disse Porto, ao convocar os colegas a defenderem as prerrogativas do Legislativo.
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