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Batalhão da discórdia atiça embate entre Governo e oposição em Pernambuco

Prefeito e deputados da oposição criticam possível retirada do batalhão da PM de São Lourenço da Mata; governo não se pronuncia
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Prefeito de São Lourenço e deputados de oposição cobram respostas sobre o futuro do 20º Batalhão da PM Foto: Reprodução Facebook Museu da Polícia Militar de Pernambuco
Prefeito de São Lourenço e deputados de oposição cobram respostas sobre o futuro do 20º Batalhão da PM Foto: Reprodução Facebook Museu da Polícia Militar de Pernambuco

De um lado, muito barulho. Do outro, silêncio. No meio, uma cidade com 111 mil habitantes, um território maior do que o do Recife e que ostenta a triste marca de 30ª cidade mais violenta do Brasil. O impasse envolvendo o 20º Batalhão da Polícia Militar Olinto de Melo Viana, em São Lourenço da Mata, vai muito além do embate político; é o termômetro sobre como estão sendo e serão tratados até 2026 os assuntos que envolvam de um lado a base da governadora Raquel Lyra (PSD) e do outro os aliados do prefeito do Recife, João Campos (PSB), virtuais adversários em 2026.  A oposição já levantou a voz. Em silêncio, os governistas prometem ofensiva nesta semana. 

Maior município da Região Metropolitana do Recife, São Lourenço da Mata celebrou no fim do mês passado os 21 anos do 20º Batalhão da PM. E pode ter sido o último. Em 9 de abril passado, o Diário Oficial do Estado trouxe o Decreto nº 58.415, de 8 de abril, que declara de utilidade pública uma área de terra no município vizinho de Camaragibe “com o objetivo de viabilizar a construção do 20º Batalhão da Polícia Militar”. 

Foi a senha para o início de um forte debate político. Políticos de oposição à gestão Raquel Lyra acusam retaliação política por parte do Governo. Alegam que o equipamento está sendo retirado de São Lourenço pelo fato de o prefeito Vinicius Labanca ser socialista histórico. 

O próprio gestor diz não entender a medida. Lembra que a cidade não tem Corpo de Bombeiros, Delegacia da Mulher e a Delegacia de Polícia funciona de segunda a sexta das 8h às 17h, sem plantão. A retirada do batalhão, explica, deixa a cidade completamente desprotegida. 

Aliado do prefeito João Campos, o prefeito Vinicius Labanca enviou dois ofícios ao Governo pedindo informações sobre o batalhão. Foto: Márcio Didier

“São Lourenço é maior do que o Recife e tem 70% de sua área como zona rural. Está entre as 50 cidades mais violentas do Brasil (em números de 2023, a cidade figura na 30ª posição no ranking da violência). O nosso batalhão opera hoje com déficit de 40% de pessoal, mas é o que nós temos”, elenca Vinicius Labanca, que está em seu segundo mandato, tendo sido reeleito no ano passado com 88,39% dos votos válidos.

Prefeito pede respostas e faz alerta

O socialista argumenta que não há qualquer estudo técnico ou qualquer comunicação do Governo em relação ao fechamento do batalhão. Diante das notícias, ele diz ter enviado dois ofícios ao Governo cobrando uma posição, o primeiro há 20 dias e outro na quarta-feira (23), mas que não recebeu qualquer resposta.

“Se confirmado (o fechamento do batalhão), estarão abrindo as portas de São Lourenço para a marginalidade”, alertou Labanca.

Enquanto o prefeito de São Lourenço busca informações, o gestor de Camaragibe, Diego Cabral, que receberá o batalhão, celebra. Eleito pelo Republicanos, partido liderado em Pernambuco pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, aliado de primeira hora de João Campos, Cabral está cada vez mais alinhado com a governadora Raquel Lyra. Em vídeo postado na quarta-feira (23) nas suas redes sociais, ele destaca a articulação para que o equipamento seja instalado em Camaragibe.

“Quem vive em Camaragibe sabe que segurança foi uma das maiores preocupações do nosso povo e a gente chegou para mudar isso. Aqui neste chão vai ser construído o Batalhão da Polícia Militar de Camaragibe. Uma conquista histórica, investimento de mais de R$ 9 milhões do Governo do Estado. E a prefeitura, claro, tá dando todo o apoio para que isso aconteça e venha trazer mais segurança para nossa cidade”, colocou Diego Cabral, na mensagem das redes sociais.

Na Alepe, batalhão motiva embates

Se entre os municípios vizinhos há dúvidas e certezas, o debate sobre o eventual  fechamento do batalhão em São Lourenço é um prato cheio para os ataques da oposição. Na última terça-feira (22), o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto, ocupou a tribuna da Casa para debater o assunto. Disse ver com estranheza a decisão da retirada do batalhão, pois a estrutura de segurança de São Lourenço é frágil.  

“Encerrar as atividades de um batalhão já consolidado num município para levá-lo a outro sem comunicado, explicação ou preparação prévia é uma decisão que tem causado estranheza, ainda mais quando os dois municípios carecem de mais segurança”, destacou Álvaro Porto.

O presidente da Alepe disse que, desde o início, a atual gestão tem mostrado descompasso com a administração pública, acrescentou que “há uma onda crescente de violência em todo o estado”, e cobrou ações do Poder Executivo. “Pernambuco precisa de mais batalhões, polícias bem preparadas e equipadas, investimentos efetivos e liderança para promover a segurança que a população espera”, finalizou.

As críticas ganharam eco nas palavras da deputada integrante da bancada da segurança na Alepe. A Delegada Gleide Ângelo (PSB) afirmou que a transferência do batalhão para Camaragibe não se justifica, uma vez que ambos os municípios têm altos índices de violência e, portanto, necessidade de unidades próprias. 

“Qualquer pessoa que entenda o mínimo de segurança pública sabe que não se fecha nem delegacia e nem batalhão, principalmente quando se trata de um município violento, de 116 (sic) mil habitantes e que não tem uma delegacia 24 horas, que não tem Corpo de Bombeiros e que não tem uma delegacia da mulher”, denunciou a deputada.

Nenhum deputado governista se dispôs a rebater. Coube a um deputado independente, o ex-PM Joel da Harpa, argumentar que o 20º Batalhão “dispõe de acomodações precárias, instalações antigas e é de difícil acesso até para as viaturas, sendo inviável a permanência dos policiais no local”. “Não dá para politizar nessa hora. A gente tem que pensar na tropa que precisa de uma nova instalação. A gente precisa pensar na instituição que precisa de um espaço novo para poder servir melhor à sociedade”, afirmou Joel.

Governistas prometem se pronunciar

Mas o silêncio do Governo, ao menos na Alepe, chegará ao fim nesta semana. A liderança do Governo na Casa está preparando, já com certo atraso, posicionamento sobre o caso. A expectativa é que todas as dúvidas sejam esclarecidas. 

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