
Por Daniel Torres*
O consultor Marcos Koenigkan, em artigo recente, enfatiza muito bem a força do interior e o protagonismo que vem se destacando na economia de várias regiões do país, fora dos grandes centros urbanos.
O Brasil está cheio de oportunidades para empresas brasileiras crescerem no interior de forma competitiva e sustentável. E aqui queremos apresentar as potencialidades do território do Araripe/Itaim/Cariri, região do PEPICE – Pernambuco, Piauí e Ceará.
Vamos enfatizar, basicamente, a região do Sertão do Araripe pernambucano, onde estamos inseridos. Essa região é a segunda em desenvolvimento entre os sertões. Tem uma população de 333.854 habitantes, com 21.268 trabalhadores formais. O Produto Interno Bruto da região (PIB) é da ordem de R$ 2,99 bilhões, o equivalente a 2% do PIB pernambucano, com a seguinte composição: 4,3% da agropecuária, 14,5% da indústria e 81,2% dos serviços. As principais cadeias produtivas são a bovinocultura, a ovinocaprinocultura, a apicultura, a mandiocultura e a indústria extrativista da gipsita e de transformação.
Gipsita
O Brasil figura entre as maiores reservas mundiais desse mineral, com 340 milhões de toneladas, e a região do Araripe contribui com 95% desse volume. O faturamento é da ordem de R$ 1,4 bilhão por ano.
São 55 empresas mineradoras ativas, 174 calcinadoras e cerca de 750 empresas fabricantes de pré-moldados, gerando aproximadamente 82,9 mil empregos diretos e indiretos.
Exportação de gesso
A maior parte das exportações de gesso vai para países da América do Sul: Paraguai, Chile, Colômbia, Uruguai e Equador. Europa, Ásia e África participam em menores proporções e, ultimamente, quase nada, devido à concorrência do gesso da Espanha. Para citar um exemplo, o gesso espanhol chega ao Sul e Sudeste do Brasil muito mais barato do que o gesso produzido na região do Araripe.
O setor tem reivindicado junto ao governo federal o aumento da taxa de importação do gesso espanhol para equilibrar o mercado brasileiro. Apesar de todos esses fatores, o potencial do gesso do Araripe pode ser ampliado por meio de uma logística de escoamento adequada e de decisões governamentais.
A região do Araripe está em uma fase de crescimento exponencial, impulsionada pela infraestrutura que está sendo criada na região.
Outra realidade de grande importância é a conclusão da Ferrovia Transnordestina, passando pela região e, neste primeiro momento, seguindo para o Porto do Pecém, em Fortaleza, e, quem sabe, em outro trecho, interligando a região ao Porto de Suape, no Recife.
Quanto à ferrovia, em breve teremos uma viagem experimental ligando Bela Vista (PI) a Iguatu (CE), transportando soja e milho, e, na volta, a expectativa é levar gesso agrícola para a região do MATOPIBA.
AeroportoRegionaldo Araripe
O aeroporto passará por uma transformação, tendo sido recentemente adquirido pela mesma concessionária do Aeroporto de Guarulhos (SP). Está previsto um investimento da ordem de R$ 16 milhões, com ampliação da pista e do terminal de passageiros, interligando o equipamento a vários aeroportos do país.
Hub logístico estratégico
O território Araripe/Itaim/Cariri, na tríplice fronteira do PEPICE, pela sua localização, poderá despontar como um ponto-chave na rede logística, por meio da Ferrovia Transnordestina, desempenhando um papel crucial no fluxo de mercadorias e na integração econômica do Nordeste.
A região do Araripe está no epicentro do semiárido, faz fronteira com os estados do Piauí e do Ceará e está a cerca de 800 km, de forma equidistante, de sete capitais nordestinas: Recife, Salvador, Fortaleza, Aracaju, Maceió, Natal e João Pessoa.
CentroLogísticoMultifuncional
Por todas essas vantagens, a região do Araripe defende a instalação de um complexo portuário (Porto Seco) ao longo da ferrovia, para o embarque de gipsita, gesso agrícola, produtos manufaturados e insumos para a agricultura, além do recebimento de todo tipo de carga que poderá chegar por trem à região do PEPICE.
A região também se destaca por abrigar a segunda maior bacia leiteira do Estado, que poderá receber insumos para ração animal. Pela quantidade de empresas instaladas no polo gesseiro, há potencial para a implantação de uma central de distribuição de combustíveis para abastecer mineradoras e fábricas.
Na empresa de consultoria da qual sou dirigente, Torres – Consultoria & Negócios, trabalhamos criando pontes, conectando a região do Araripe a grupos econômicos interessados em se instalar no território, aproveitando todo o seu potencial e viabilizando negócios.
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